A preocupação excessiva existe!

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Isabel Policarpo

Isabel Policarpo

A preocupação é a resposta normal quando se enfrenta uma situação cujo desfecho é imprevisível e potencialmente ameaçador. Todos nós nos confrontamos de onde em onde com algum nível de preocupação, o que sucede é que alguns de nós preocupam-se em demasia com o seu dia-a-dia.

De um modo geral tendemos a pensar que a preocupação não é uma doença, parece-nos inclusive impensável queixarmo-nos a alguém da preocupação – isso seria no mínimo ridículo.

Contudo, há situações em que a preocupação está omnipresente e “martela” o pensamento das pessoas desde que se acorda até à hora de sucumbir ao sono, que tendencialmente é pouco reparador e descansado.

Efectivamente, sabe-se que as pessoas não se queixam da preocupação que lhes mina o bem-estar, até porque na nossa cultura assume-se que a preocupação é sinónimo de responsabilidade e maturidade, queixam-se é antes de um imenso cansaço, de agitação nervosa e irritabilidade, de dores musculares, de perturbações do sono, de dificuldades de concentração e de uma indecisão permanente. De um mal-estar geral, para o qual no fundo não encontram justificação aparente.

Se ainda acha que a preocupação é um “mal menor” imagine o que será viver diariamente com preocupações que invadem o seu pensamento e o ocupam durante muitas horas do dia. Você tenta expulsá-las, libertar-se delas, mas não consegue. E elas cansam-no(a), moem-lhe o corpo, arrasam-lhe o humor e acabam por interferir com o seu sono. Parece quase uma forma de tortura.

A preocupação excessiva existe e tem um nome – Perturbação da Generalizada.

As pessoas que sofrem de ansiedade generalizada têm uma preocupação constante e excessiva, que as leva a ver todos os acontecimentos como potencialmente perigosos. Não é fácil viver assim, imaginando que cada pequeno acontecimento pode desencadear uma situação complicada e descontrolada, com a cabeça a ser constantemente invadida por pensamentos e imagens que geram desconforto e ansiedade. O resultado é uma enorme sensação de cansaço, exaustão e de desmoralização, que com o passar do tempo conduz frequentemente à .

A preocupação excessiva e recorrente diz respeito a aspectos do quotidiano, sejam as responsabilidades a propósito do trabalho, da saúde e da segurança da família, do dinheiro, das relações interpessoais ou dos trabalhos diários, e tende a ser acompanhada de sintomas físicos.

Na base desta perturbação encontra-se, fundamentalmente, uma dificuldade grande em gerir a incerteza própria da vida, a que se aliam alguns erros de raciocínio e crenças sobre a adequação e o valor da preocupação, bem como sobre o nível de risco e de controlo envolvidos nas situações quotidianas.

A ansiedade generalizada, não só tem um impacto nefasto no dia-a-dia da pessoa e na sua sensação de bem-estar e de qualidade de vida, como tem consequências extremamente negativas nas relações interpessoais.

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