A um ritmo alucinante

Inês CustódioDesde quando nos tornámos tão rápidos?
Vivemos muitos milénios de calma, tranquilidade e vagarosa evolução, passámos invernos abrigados, verões mais movimentos, mas mesmo assim, ao ritmo da luz solar, ao ritmo dos afazeres, não muitos, nem poucos, na medida exata para vivermos… E de repente, sim digo de repente, porque a vida quotidiana que conhecemos é tão moderna quanto algumas décadas, começámos a viver ao ritmo da cidade e como todos sabemos a cidade não para! Não para para dormir, não para para comer, não para para conviver, não para observar a mais leve mudança no mundo, a cidade anda e exige-nos movimento constante. A qualquer hora do dia ou da noite há movimento, há luz numa janela, há vida a acontecer e a pedir urgentemente para ser vivida com ânsia e rapidez, antes que o tempo se esgote… Perdoem-me, mas vou ter de voltar a referir, “antes que o tempo se esgote”, mas qual tempo? Aquele do mês passado que passou a correr? Aquele do fim-de-semana em que íamos parar um pouco e descansar? Aquele do trabalho que temos para fazer? Que tempo é esse que se esgota? Será o tempo do vivido ou o tempo do “por viver”?
De repente, (novamente o de repente, pois de facto tudo é rápido e fugaz) no meio de toda a agitação de entra em transporte, sai, corre, estás atrasado, corre, trabalho atrasado, corre, afazeres domésticos, corre, tratar da família, corre… paramos e esta paragem torna-se pesada e tão cheia de sentimentos de vazio! De tanto correr sentimo-nos desligados da nossa vida, de nós, do mundo. O tempo tornou-se inimigo, o ritmo da cidade colocou-nos um contra o outro e tudo o resto se perde nessa batalha do dia-a-dia. Há muito que não encontramos o sentido da nossa vida e dos nossos dias, afinal quem é que eu quero ser? Como é que quero viver? Perdi-me…
Mas sabe qual a boa notícia, perder-se é bom, desde que dê conta disso e se permita a procurar o que precisa.
O que precisa para se sentir melhor? O que pode fazer nesse sentido? O que pode mudar, acrescentar ou retirar da sua vida?
Pare! Feche a janela para o barulho ficar do lado de fora, questione-se sobre o propósito da sua vida. Todas as suas dificuldades de sono, ansiedade, tristeza, sentimentos de vazio ou de melancolia, podem ter a resposta numa pergunta simples: O que preciso fazer dos meus dias para me sentir melhor?
Qual é o seu ritmo? De quanto tempo precisa? O tempo é seu amigo, não lute com ele, em vez disso faça uma gestão mais eficiente do seu tempo de vida, pare de vez em quando para olhar em seu redor, para ver o dia, o céu…
Já olhou para o céu hoje?

2016-03-28T16:42:57+00:00 Março 28th, 2016|Desenvolvimento Pessoal, Inês Custódio|