Abraços que dividem a dor

Abraços que dividem a dorVivemos uma vida da qual pouco controlamos. Os acontecimentos negativos à nossa volta mostram-nos isso mesmo: a nossa fragilidade face ao mundo.

Porém, no meio da infelicidade e tristeza que nos assolam quando vemos essa mesma fragilidade, surgem por vezes momentos de união, ligação e partilha humana.

Chamamos a isto compaixão.

Compaixão que significa na sua essência sofrer com.

Somos humanos e por isso o nosso sofrimento é igual, apenas sofremos por motivos diferentes. Porém, é esta similaridade que nos permite sentir compaixão quando nos deparamos com o sofrimento do outro, porque o conseguimos sentir em nós mesmos, porque conseguimos colocar-nos no seu lugar, desejando ajudar a diminuir esse sofrimento, tal como em tantos momentos o desejamos por nós.

 

Na verdade, a compaixão não é apenas um sentimento bonito ou simpático, esta emoção faz parte do nosso “ADN humano” que nos diferencia de outras espécies e nos ajuda a sobreviver em grupo, partilhando uma humanidade comum. Este sentimento cria uma extraordinária ligação aos outros, ativando áreas cerebrais específicas que nos levam a querer cuidar e diminuir a dor do outro. E por sua vez, essa nossa ajuda, apoio e compreensão geram sentimentos de calma, segurança e tranquilidade nessa pessoa, equilibrando os estados de medo, stress ou tristeza porque possa estar a passar, pois nesse momento sabe que não está sozinha.

 

Não deixar que o outro se sinta totalmente sozinho e desamparado é dos primeiros passos que a compaixão nos impele a dar. Mas quando a dor do outro for muito profunda ou resultar de um grande trauma, teremos de ser pacientes, não críticos e fonte de suporte.  Pode ser um desafio e por isso deixo 5 pequenas dicas muito importantes.

 

Finalmente, gostaria apenas de relembrar que muitas vezes, perante a dor dos outros, nós próprios ficamos perdidos com o sofrimento que isso nos trás. Também somos humanos e não devemos negligenciar as nossas próprias emoções difíceis, como também devemos reconhecê-las para que não nos afoguemos nelas.

Deixo também 5 pequenas dicas para que olhe o seu próprio sofrimento de outra forma.

Inês Custódio
Inês CustódioPsicóloga Clínica
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2017-06-20T10:24:26+00:00 Junho 20th, 2017|Autocompaixão, Inês Custódio, Trauma|
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