Amizade depois do adeus?

Cristiana Pereira

Cristiana Pereira

São muitos os momentos que nos unem à pessoa com quem vivemos. Alguns poderão ser amargos e outros felizes. Se estivermos a falar de uma situação de abandono causada por uma das partes do casal, facilmente percebemos que a outra pessoa tem de ter algum tempo para poder controlar os sentimentos de raiva, frustração e tristeza antes de poder estabelecer uma nova forma de ligação, ou seja, antes de poder considerá-la amiga. Em primeiro lugar, porque sente que, de forma injusta, a magoaram muito e isso é algo que não se perdoa assim tão facilmente.

No caso dos casais com filhos, manter uma boa relação de amizade é muito importante. Com isto não obrigamos as crianças a tomar partido por um ou por outro e, ao invés disso, o respeito é estimulado. Ao mesmo tempo, conseguem perceber que, embora não vivam juntos, os pais continuam a dar valor à outra pessoa.

Conseguimos perceber que o melhor para as crianças é ter uma boa imagem tanto do pai como da mãe e, se estes são capazes de deixar a irritação de lado no momento de falar com os filhos sobre o tema, com o tempo poderão verificar que esta atitude lhes valeu o afecto e o respeito dos filhos. É preciso entender que, excepto se um dos cônjuges mostrar uma grande crueldade, os filhos gostam e precisam de ambos.

Por outro lado, os casais que se separam sem espaço para uma relação amigável e envolvem os menores provocam nestes um dano enorme. Tal é explicado devido à ausência de ferramentas suficientes para julgar todas as causas que levaram à dissolução da relação.

Se a relação foi conflituosa num primeiro momento e não se é capaz de ter uma relação minimamente harmoniosa, o que deve fazer é distanciar-se. Com o tempo as feridas curam-se e, embora não sintam necessidade de construir uma relação de amizade, é importante ter o mínimo de companheirismo já que, ainda que a relação tenha terminado, o produto mais importante dessa convivência, os filhos, ainda estão presentes.

2013-04-04T13:22:49+00:00 Abril 4th, 2013|Cristiana Pereira, Terapia conjugal|
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