Ansiedade infantil 2017-04-02T07:25:52+00:00

O QUE É A ANSIEDADE INFANTIL?

 Sabia que…

Aproximadamente uma em cada dez crianças reunirá critérios para diagnóstico de uma perturbação de ansiedade no decurso da infância?

À medida que a criança cresce e se desenvolve cognitivamente o foco dos seus medos e preocupações passam do concreto para preocupações mais abstractas?

Diversos fatores parecem estar na origem de perturbações de ansiedade, nomeadamente influências genéticas, temperamento, psicopatologia parental, fatores cognitivos e experiências de vida?

 

Ansiedade… O que é?

A ansiedade é uma EMOÇÃO NORMAL e ADAPTATIVA – ajuda-nos a lidar com a dificuldade, bem como com situações desafiantes ou perigosas. A ansiedade é FREQUENTE – existem alturas em que todos nós, adultos e crianças, nos sentimos preocupados, ansiosos, chateados ou stressados.

Mas a ansiedade torna-se um PROBLEMA QUANDO ELA INTERFERE NO QUOTIDIANO da criança, impossibilitando-a de desfrutar a sua vida como habitual, por afectar as suas relações na escola e na família, as suas amizades e a sua vida social. É aqui que a ANSIEDADE DOMINA e a criança perde o controlo… É aqui fundamental ajudar a criança a ultrapassar as suas dificuldades.

As perturbações ansiosas nas crianças e jovens são comuns e das dificuldades mais frequentes na infância. Podem ter um impacto significativo no funcionamento quotidiano, com consequências no desenvolvimento e com interferência nas aprendizagens, no estabelecimento de amizades e nas relações familiares. Muitas perturbações de ansiedade, quando ignoradas na infância, persistem na vida adulta, aumentando a probabilidade de se desenvolverem outro tipo de patologias.

Estudos de prevalência realizados no Reino Unido e nos EUA indicam que entre 2 e 4% das crianças entre os 5 e os 16 anos reunem critérios de diagnóstico para uma perturbação de ansiedade com interferência negativa no seu funcionamento habitual.

Existe uma elevada percentagem de comorbilidade das perturbações de ansiedade com a depressão. Além disso, crianças com perturbações ansiosas possuem um maior risco de vir a desenvolver comportamentos de risco face ao álcool na adolescência.

ANSIEDADE OU ANSIEDADES?

A verdade é que a ansiedade pode surgir sob “formas diferentes”.

 

Fobias.

Quando os medos nos fazem perder o controlo.

A maioria das crianças, ao longo do seu crescimento, vence muitos medos. Isso acontece porque aprendem que aquilo que receiam não é realmente perigoso ou aprendem a defender-se do perigo. Mas e o que acontece com os medos que não desaparecem com o tempo?

Quando as pessoas persistem incomodadas pelo(s) seu(s) medo(s), ou nem sequer conseguem sair à rua ou divertir-se por causa do(s) medo(s), é possível que o medo se tenha transformado em fobia. Uma fobia é um medo exageradamente grande que não se consegue controlar. As pessoas podem desenvolver fobias a qualquer coisa – animais, outras pessoas, alturas, trovoadas, seringas…

Como saberes se é uma fobia? Pergunta a ti próprio se o medo te afasta de coisas que queres e precisas mesmo de fazer. O medo é tão grande que parece querer controlar a tua vida?

 

Ansiedade de Separação.

Medo de estar longe dos adultos de referência.

Muitas crianças crescidas sentem-se assustadas quando ficam sózinhas em casa. Por vezes, mesmo na companhia de um familiar ou uma ama, ficam nervosas depois da mãe ou do pai sairem. Mas para algumas crianças, separarem-se dos pais, mesmo por um período de tempo reduzido, gera muito medo e nervosismo. Preocupações intensas sobre estar longe dos familiares chama-se ansiedade de separação.

 

Ansiedade Generalizada.

Preocupação constante e duradoura.

A maioria das crianças consegue lidar com as preocupações do dia a dia sem se sentir particularmente aborrecida. Conseguem colocar de parte as suas prreocupações enquanto fazem os TPC ou enquanto brincam com os amigos. Mas há crianças que se sentem nervosas e preocupadas de forma muito profunda e difícil de ignorar. Para uma criança com ansiedade generalizada, a própria ideia de ter um novo dia pela frente pode ser assustadora.

 

Pânico.

Medo que “paralisa”.

Quando uma pessoa sente um ataque de pânico, a ansiedade é tão forte que parece apoderar-se de todo o corpo. A pessoa pode sentir dificuldades em respirar, sentir o coração a bater muito depressa e sentir dificuldade em compreender tudo aquilo que sente no momento. Mesmo quando todas estas sensações não duram muito tempo, podem ser verdadeiramente aterradoras.

 

Stress Pós-Traumático.

Medo e stress associados a uma memória muito dolorosa.

Quando algo verdadeiramente assustador e perturbador acontece é natural que a pessoa se sinta receosa em relação a esse acontecimento. Por exemplo, se uma criança cai e se magoa ao andar de bicicleta, ela poderá recordar como se assustou e como doeu, e poderá demorar até sentir coragem para retomar os passeios de bicicleta. Mas a certa altura, a criança voltará a andar de bicicleta e acabará por se esquecer do sucedido. Mas, quando ocorrem acontecimentos muito graves – daqueles que não acontecem a toda a hora e a todas as crianças, como acidentes ou abusos – as emoções podem ser tão fortes e devastadoras que não desaparecem com o passar do tempo, podendo originar uma perturbação de stress pós-traumático.

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Ansiedade na criança e adolescente

Ansiedade na criança e adolescente

Um pequeno manual de apoio aos pais para clarificar os temas da expressão ansiosa em crianças e adolescentes, e oferecer algumas dicas práticas de gestão da ansiedade nos jovens.

Ansiedade na criança e adolescente

Ansiedade na criança e adolescente

QUAIS AS CAUSAS DA ANSIEDADE?

Existem múltiplos fatores que parecem estar na origem das perturbações de ansiedade em crianças e adolescentes, envolvendo uma complexa relação entre fatores biológicos, ambientais e individuais. Os fatores genéticos e o temperamento são fatores de predisposição que aumentam a vulnerabilidade. O papel dos fatores ambientais assenta nos fatores familiares, nas experiências de vida e aprendizagens, bem como em fatores cognitivos.

Causas da ansiedade infantil
Ansiedade de desempenho escolar

SINTOMAS DA ANSIEDADE INFANTIL

Estes são alguns sintomas que podem estar presentes nas várias “formas” de ansiedade. A presença de vários sintomas, durante várias semanas, com interferência no quotidiano da criança ou jovem, pode ser um sinal de alerta, merecendo ser avaliados por um especialista.

  • Tristeza
  • Medo
  • Preocupação
  • Culpa
  • Sensação de não ter valor
  • Desesperança
  • Alterações repentinas de humor
  • Sensação de confusão mental
  • Dificuldade em adormecer
  • Sono agitado
  • Inibição/lentidão de movimentos
  • Agitação
  • Mãos e pés frios; por vezes, suados
  • “Borboletas no estômago”
  • Náuseas, alterações gastrointestinais
  • Rubor facial
  • Arrepios
  • Músculos tensos
  • Dores no corpo
  • Boca seca
  • Alterações na forma de respirar
  • Tonturas
  • Crises de choro
  • Isolar-se
  • Fechar-se em casa
  • Evitar novas atividades
  • Ataques de zanga
  • Ausência de realização de atividades que davam prazer
  • Incapacidade de lidar com as tarefas diárias
  • Diminuição da capacidade de atenção, concentração, memória e tomada de decisão
  • Arrumar todos os objectos por cor ou tamanho
  • Lavagens/banhos demasiado frequentes
  • Contar os passos que dá ao andar; pisar apenas as pedras da calçada pretas (ou só as brancas)
  • Auto-crítica frequente
  • Pensamento de que não é possível ser ajudado
  • Pessimismo
  • Perda de confiança e auto-imagem negativa
  • Pensamento de que se é estranho
  • Pensamentos enviesados
  • Pensamentos de que algo verdadeiramente mau pode acontecer
  • Pensamentos de que se está a ficar maluco
  • Pensamentos de ausência de controlo
  • Pensamentos de perfeição
  • Foco no que corre mal

SOLUÇÕES PSICOTERAPÊUTICAS

Aquilo que sentimos e aquilo que fazemos relaciona-se com o que pensamos.

Sabe-se que muitos problemas de ansiedade estão relacionados com a forma como pensamos. Como podemos alterar a forma de pensar, podemos aprender a controlar a nossa ansiedade.

– Pensar mais positivamente pode ajudar a sentirmo-nos melhor.

– Pensar mais negativamente pode-nos fazer sentir com medo, tristes, tensos, zangados ou desconfortáveis.

Ensinar a criança a compreender os seus pensamentos é importante.

A terapia é uma forma de ajudar as crianças a:

– identificar formas negativas e inimigas de pensar,

– descobrir a relação entre aquilo que pensam, como se sentem e aquilo que fazem,

– procurar provas que sustentem, ou não, os seus pensamentos,

– desenvolver novas competências para lidar com a ansiedade.

 

E que consequências pode ter a ansiedade quando não se intervém?

  • Isolamento;
  • Baixa auto-estima;
  • Depressão;
  • Fobia escolar;
  • Evitamento de situações novas;
  • Deixar de concluir tarefas importantes;
  • Evitamento de sítios, pessoas e situações;
  • Inadequação social;
  • Dificuldades escolares…