Bipolaridade e diagnóstico diferencial

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Isabel Policarpo

Isabel Policarpo

A perturbação bipolar pode ser extremamente difícil de diagnosticar e tratar. Uma pessoa com perturbação bipolar pode ver três ou quatro médicos e levar até oito anos à procura do tratamento que funciona, antes de receber o diagnóstico correcto.

Não é fácil identificar logo a perturbação bipolar quando esta se inicia. Os sintomas muitas vezes parecem problemas separados, pelo que dificilmente são reconhecidos como fazendo parte de um problema mais vasto.

Embora por vezes a perturbação se apresente com manifestações muito fortes e evidentes, são muito frequentes as manifestações mais moderadas que podem passar despercebidas e que tornam o diagnóstico de bipolaridade num dos mais difíceis e complexos em saúde mental.

Apesar do interesse crescente na perturbação bipolar e do número cada vez maior de pesquisas quer ao nível do diagnóstico, da neurobiologia, da epidemiologia e do próprio tratamento, o distúrbio bipolar continua a ser tardiamente diagnosticado e inadequadamente tratado. Estima-se que apenas 1 em cada 4 casos sejam diagnosticados.

A perturbação bipolar apresenta sintomas comuns a outras patologias psiquiátricas, o que torna a tarefa difícil. O próprio desenvolvimento da perturbação pode por vezes induzir em erro – podemos por exemplo ter de esperar alguns anos antes de surgir um episódio de mania, pelo que na ausência deste, se fará um diagnóstico de e não de bipolaridade. Acresce que somente nos últimos anos, se tem reconhecido a importância dos quadros de “hipomania” (quadros de mania mitigada, que não se apresentam com a gravidade dos quadros de mania propriamente dita).

De referir ainda que tanto os pacientes como os familiares podem considerar a hipomania como normal, e como tal não a valorizam, confundindo-a.

Em termos de diagnóstico podemos dizer que a mania é o episódio mais característico, sendo também aquele que mais resulta em internamentos agudos em virtude das graves mudanças de comportamento e conduta que provoca. A hipomania – a sua forma mais leve, era praticamente desconhecida pela maioria dos clínicos até há pouco tempo, sendo confundida com a normalidade, ou seja com os traços de personalidade do indivíduo.

A diferenciação entre a depressão bipolar e a depressão unipolar, especialmente quando é recorrente, pode não ser fácil e já foi alvo de outro texto. De salientar contudo que a diferenciação entre ambas é fundamental, em virtude do tratamento da depressão bipolar incluir necessariamente o uso de estabilizadores de humor, pelo risco de viragem para a fase de mania e da possível intervenção no curso e prognóstico da doença.

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