Brincadeira ou televisão?

Autor: Rita Castanheira Alves

Se lhe perguntassem quanto tempo de vida passou a ver televisão o que acha que responderia?
E o seu filho? Até aos dois anos quanto tempo passou ele à frente da televisão?
E os dois juntos?

A televisão é uma presença muito frequente e forte na vida de todos nós e nas crianças de hoje um elemento de que elas se lembram desde sempre e à qual se habituam desde muito cedo. É frequente os pais considerarem que se trata de uma boa ferramenta pedagógica e útil para um desenvolvimento saudável: “ Se até existe um canal para bebés e outros tantos para crianças…” – dizem alguns pais.
Desengane-se. Enquanto pai, mãe, avó, tio ou tia saiba que os profissionais que lidam com crianças aconselham que até aos dois anos as crianças permaneçam longe da televisão o mais possível.

Ficam aqui alguns dados que provavelmente desconhece sobre a televisão, a ama electrónica:

– Muitos dos programas assinalados como “educativos”, não têm qualquer suporte científico que sustente esse facto;

– Momentos de brincadeira livre contribuem muito mais para o desenvolvimento cerebral do que a televisão. A brincadeira livre ensina a criança a como se pode entreter a si mesma, a pensar de forma criativa, a resolver problemas e desenvolve competências de raciocínio e motoras;

– A aprendizagem das crianças mais novas  é melhor e mais necessária pela interação com os adultos e não através da televisão;

– Quando são os pais a assistir aos seus próprios programas também se distraem e diminuem assim as interações pais-filhos, podendo interferir com a aprendizagem da criança nas brincadeiras e atividades feitas com os pais, se a televisão estiver presente;

– Ver televisão muito perto da hora de dormir pode contribuir para padrões irregulares de sono e hábitos de sono pobres, que contribuem para efeitos negativos no humor, comportamento e aprendizagem;

– As crianças muito pequenas que veem televisão em excesso apresentam risco de atraso no desenvolvimento da linguagem quando ingressam na escola;

Agora que conhece alguns dos riscos da televisão em excesso, saiba que pode moderar, controlar e gerir a presença da ama electrónica na vida do seu filho:

– Se o seu filho tem menos de dois anos evite ao máximo expô-lo à televisão. Se escolher expô-lo à televisão desenvolva algumas estratégias para controlar essa exposição (limite de tempo, acompanhe-o no visionamento, saiba o tipo de programas que ele vê…)

– Quando não pode brincar com o seu filho, opte por supervisioná-lo enquanto ele brinca sozinho. Pode, por exemplo, dar-lhe um conjunto de peças para encaixar ou empilhar, um conjunto de copos, pondo-o numa manta no chão perto de si, enquanto prepara o jantar. Se o habituar desde pequeno e com frequência, ele conseguirá e preferirá este tipo de atividades, sente-se perto de si e em simultâneo usufrui da brincadeira;

– Evite a televisão no quarto do seu filho;

– Esteja atento e consciente de que o seu próprio uso da televisão pode ter efeitos negativos nas crianças, modere por isso também o seu uso da televisão.

Principalmente, enquanto pode, aproveite para estar com o seu filho, entreter-se com ele, entretê-lo, conhecerem-se um ao outro e contribuir de forma positiva para o seu desenvolvimento da fantasia, imaginação, criatividade, autonomia e conhecimento do mundo.
Certamente terá melhores resultados do que a televisão!

2017-03-31T18:13:25+00:00 Fevereiro 3rd, 2013|Crianças & Pais, Vários autores|
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