Combater a solidão por entre os pesos e a passadeira

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Sofia Alegria

Sofia Alegria

Ir ao ginásio pode ser foco de polémica. Ora porque as pessoas não vão e “deviam, pois faz bem à saúde”, ora porque vão e não se sabe “como arranjam tempo”. Contudo, no outro dia ouvi uma perspectiva diferente: a opinião de que quem frequenta o ginásio o faz para combater a solidão, caso contrário, treinaria na rua, ao ar livre.

Ginásios, uma arena mano-a-mano, frente-a-frente contra a solidão… Pus-me a pensar nesta ideia de que o ginásio possa ser comparado a um filme de acção com os seus artefactos de luta. Que papéis desempenhariam os diferentes habitués? Ao olhar para quem se encontra a treinar, não é assim tão difícil identificar alguns deles – sinta-se à vontade para discordar das personagens ou até mesmo de acrescentar outras.

Assim de repente, consigo lembrar-me de algumas das figuras mais marcantes da minha infância. Temos o cavaleiro com a sua espada – é o caso das pessoas que vão para a habitual batalha com as gorduras persistentes; correm, correm, correm, suam, suam, suam, na tentativa de cortar os excessos no corpo. Ou o gladiador, com a sua corrente de ferro de arremesso, preparado para tonificar, a todo o custo, todos os músculos do corpo. Também o Batman poderia aparecer com as suas cápsulas de gás – nesta figura lendária vejo aqueles que vão turvar o caminho da velhice e desgaste físico em tudo o que sejam actividades mais harmoniosas e holísticas. Por fim, o ninja não poderia deixar de fazer parte, com as suas estrelas-ninja, que prendem qualquer presa, utilizadas por aqueles que vão “fisgados” na confraria com o sexo oposto.

Por esta altura já grande parte do ginásio me parece o top 5 de grandes guerreiros da história do cinema, à excepção de alguns que não vão para suar, nem para ficar a coleccionar pesos à sua volta, nem para alongar e trabalhar os músculos perros e nem mesmo se reservar para encontrar a cara-metade. Há pessoas que ali permanecem, sem artefactos de luta, apenas com uma bandeira branca. São as que vão para o ginásio para terem companhia, a que seja. Ficam, sozinhas ou acompanhadas, a contemplar a movimentação alheia como combustível do seu motor interno.

Afinal, a pessoa do outro dia tinha razão. E porque não haveria de ter? Quer seja como objectivo manifesto ou latente, a actividade física conjunta é uma excelente forma de combater a solidão (aliás, de que outra maneira se juntavam tantas personagens icónicas, mas distintas, num só espaço?). E também o é um café, um jardim ou a tranquilidade do próprio lar. Cada um de nós tem a liberdade de se escolher acompanhado (onde quer que seja, quando quer que seja).

Afinal de contas, para combater a solidão, existe o espaço certo?

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