Como exigir que os filhos expressem emoções quando os pais não o fazem?

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Maria João Matos

Maria João Matos

É na vida familiar que são feitas as primeiras aprendizagens sobre as emoções. Nas relações de intimidade que experienciamos, aprendemos como nos sentimos a respeito de nós e como os outros reagem aos nossos sentimentos, o que pensar sobre eles e que escolhas temos ao nosso alcance para reagir, como interpretar os nossos medos ou angústias. Esta aprendizagem realiza-se através do que os pais fazem na interação direta com as crianças e também enquanto modelos na forma como lidam com os próprios sentimentos.

O modo como os pais lidam com as crianças tem consequências profundas e duradouras na vida emocional dos filhos. Existem várias formas de lidar com as emoções das crianças, contudo, algumas podem acarretar repercussões negativas para o seu desenvolvimento emocional, das quais salientamos três:

Ignorar completamente os sentimentos dos filhos. Quando as alterações emocionais não são valorizadas e os pais negligenciam os momentos emocionais como oportunidade para se aproximarem mais das crianças, ou ajudarem-nas a serem mais capazes na sua vida emocional.

Ser demasiado permissivo. Quando os pais se apercebem dos sentimentos da criança, mas partem do princípio que é adequada a forma que esta encontra para lidar com as emoções. Assim, raramente intervêm para mostrar uma resposta emocional alternativa.

Não demonstrar respeito pelos sentimentos da criança. Quando os pais são severos e duros, quer nas críticas, quer nos castigos, reprimindo os sentimentos dos filhos.

Estas formas não permitem que as crianças expressem as suas emoções, conversem sobre as suas preocupações, aumentam antes a distância entre pais e filhos, não valorizando a importância da linguagem emocional, logo, o bem-estar psíquico das crianças.

É necessário ajudar os pais a reconhecer, gerir e controlar os seus sentimentos, para o bem-estar emocional das crianças e, consequentemente, da família. Quando acontece algo em casa que deixa o pai ou a mãe zangados, tristes ou felizes, raramente há um diálogo em que se diz “a nossa conversa de ontem deixou-me contente”, ou então, “o pai hoje está a falar mais alto porque surgiu um problema no trabalho”. Passar a identificar as emoções, e por que razões as têm, é fundamental no comportamento dos pais e, como consequência, no comportamento dos filhos.

Às vezes alguns pais optam por esconder as situações-problema como forma de não preocupar os filhos, acabando por eles próprios não serem capazes de as ultrapassar, criando momentos de dificuldade. Face a estas situações poderão ser criados momentos facilitadores, como por exemplo, cada elemento da família escolher uma emoção e conversar sobre ela, quais as sensações físicas, pensamentos, e até mesmo alguns receios que estão na base dessa emoção, tendo em consideração a idade dos filhos – tal permite que em momentos adversos estes estejam mais preparados para lidar com as contrariedades e, acima de tudo, saberem o que fazer para se sentirem melhores.

É um trabalho diário, na relação com os filhos e na própria relação do casal, mas indispensável para que todos sintam que têm um espaço onde podem exprimir-se de forma segura e, acima de tudo, que são compreendidos.

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