Comportamento alimentar 2017-04-22T21:44:28+00:00

As perturbações do comportamento alimentar são uma crescente preocupação nas sociedades modernas, tendo vindo a aumentar – sobretudo a Bulimia e a Ingestão Compulsiva – a um ritmo que a ciência, na sua tentativa de encontrar soluções eficazes, tem dificuldade em acompanhar. Na Oficina de Psicologia mantemo-nos atentos a todas as propostas mundiais que recolham credibilidade científica de resultados, adaptando as intervenções para uma máxima eficácia no tratamento e regulação sintomatológica destas condições.

 

BULIMIA

A Bulimia Nervosa é uma doença silenciosa. Como não está associada a acentuadas perdas ou aumentos de peso, é das perturbações alimentares aquela que mais despercebida pode passar.
Por detrás de uma imagem aparentemente normal esconde-se um corpo insatisfeito, que se move continuadamente entre ingestões excessivas de comida e comportamentos compensatórios para dela se libertar. A ideia assumida é de que tudo pode ser ingerido, pois tudo será expelido de seguida, mesmo antes da absorção do organismo, impedindo qualquer ganho de peso. Nessas ingestões, quantidades de alimentos consideradas exageradas pela maioria das pessoas, são consumidas compulsivamente num curto espaço de tempo, a um ritmo acelerado, sempre acompanhadas por uma sensação de falta de controlo sobre o que está a acontecer.

 

O que é ingerido parece ser variável, mas verifica-se uma tendência para comida altamente calórica e de fácil deglutição, como os doces, as bolachas e os bolos ou os iogurtes, as papas e os salgados. E se inicialmente existe alguma sensação de prazer ou saciedade, rapidamente emergem as sensações de ineficácia e falta de controlo, e surgem os de sentimentos de angústia, vergonha, culpa e a baixa auto-estima. A vergonha leva a que estes comportamentos sejam na sua grande maioria praticados às escondidas, longe dos olhares e críticas dos outros, acontecendo quando se encontram sós, ou sob estratégias como as de levar a comida para locais seguros como o quarto, onde sabem que não serão descobertas.

A culpa, o mal-estar e o medo intenso de ganhar peso, conduzem à urgência da libertação da grande quantidade de alimentos acabada de ingerir. É necessário “limpar o corpo”, é fundamental “purificá-lo”, e numa tentativa vã de prevenir o ganho de peso e aliviar o desconforto, é comum serem praticadas algumas das seguintes estratégias: vómito auto-induzido, tomada de laxantes ou diuréticos, uso de clisteres, actividade física exagerada ou períodos de jejum prolongados. Contudo, estes comportamentos acabam mesmo por estimular a fome, e conduzem a novas ingestões compulsivas, facilitando a perpetuação do ciclo vicioso da bulimia.

 

Com o tempo, o impulso para comer vai-se tornando cada vez mais intenso, levando ao aumento da frequência e duração das ingestões bem como ao da quantidade de alimentos ingeridos. Consequentemente o medo de engordar também se vai intensificando, podendo surgir como uma resposta extrema, a tentativa de eliminação imediata de tudo o que é ingerido.
O descontentamento com a aparência física e o intenso medo de engordar, conduzem por vezes à prática de dietas restritivas e inflexíveis, impossíveis de cumprir, e amplamente responsáveis pela instalação deste ciclo bulimico. Mas a Bulimia não surge apenas do intenso desejo de emagrecer, ela é resultado de uma complexa interacção entre factores biológicos, psicológicos, familiares e socioculturais. Traduz-se numa dificuldade em lidar com sentimentos e quando a doença está instalada, as crises de ingestão compulsiva parecem surgir como resposta às instabilidades emocionais, cumprindo a comida uma função calmante, de preenchimento de vazios psicológicos e de estabilização emocional. E o ciclo bulimico passa a ser uma resposta de gestão de situações de ansiedade, stress, raiva, tristeza, frustração, rejeição, entre outras.

 

A Bulimia Nervosa é uma doença que se manifesta maioritariamente no sexo feminino, sendo a sua prevalência ao longo da vida de 1% a 3%. No sexo masculino também pode ser verificada, embora numa percentagem aproximadamente 10 vezes inferior, e aqui o exercício físico excessivo apresenta-se como o comportamento compensatório mais utilizado.
A maioria dos casos encontram-se na faixa etária dos 20 anos, mas também podem surgir no período da adolescência ou numa idade mais tardia, e o problema tende a persistir durante vários anos até à procura de ajuda.

Sintomas físicos

  • Grandes variações no peso; Embora normalmente se apresentem com um peso dentro da normalidade;m
  • Glândulas salivares inchadas, resultante da provocação continuada do vómito;
  • Garganta irritada
  • Problemas dentários (esmalte desgastado e surgimento de cáries)
  • Fadiga
  • Fraqueza muscular
  • Dificuldades em dormir
  • Irregularidade menstrual
  • Vasos sanguíneos rebentados

 

Sintomas Psicológicos

  • Alterações de humor
  • Emotividade e Depressão
  • Obsessão por dietas
  • Dificuldade de controlo, relativa ao acto de comer
  • Medo de não conseguir parar de comer voluntariamente
  • Auto-crítica severa
  • Pensamentos de auto-censura depois de comer
  • Auto-estima determinada pelo peso
  • Necessidade de aprovação dos outros

 

Sintomas Comportamentais

  • Obsessão por comida e ingerir grandes quantidades de alimentos
  • Comer às escondidas
  • Indisposição após as refeições
  • Provocação de vómito
  • Abuso de laxantes, substâncias para emagrecer e diuréticos
  • Uso de clisteres
  • Jejum prolongado e frequente
  • Exercício físico excessivo
  • Fuga a situações que envolvam restaurantes, refeições planeadas e eventos sociais
  • Isolamento Social

 

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Comportamento alimentar

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Será que tem indicadores de bulimia ou anorexia?

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De uma forma muito rápida, verifique se há algo com que se preocupar com o seu comportamento alimentar. Se houver, marque consulta! A bulimia, em particular, encontra-se bastante estudada e existem formas de tratamento psicoterapêutico com excelentes resultados.

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INGESTÃO COMPULSIVA

Tudo começa comigo a pensar em comida… de início não passa disso, mas depressa os pensamentos se transformam em fortes desejos e o impulso de comer espreita de perto. É aqui que cedo, e começo mesmo a comer. De início é um alívio… um grande conforto… que aos poucos se transforma numa sensação de êxtase e sei que ai já não tenho qualquer controlo sobre o que estou a fazer… é comer e comer alucinadamente até mais não, até estar completamente a rebentar, e sentir-me terrivelmente maldisposta com isso. Depois, imóvel, sem me conseguir mexer de tantas dores de estômago e barriga, sou invadida por uma enorme culpa e uma imensa raiva de mim própria

 

“Crises de Voracidade Alimentar”, “Ingestão Compulsiva” ou “Binge Eating” sãos os termos que utilizamos quando nos queremos referir a esta disfunção alimentar. Embora não seja ainda reconhecida nos manuais de diagnóstico psiquiátrico como uma Perturbação do Comportamento Alimentar, há indicações que desde a década de 90 que é identificada pelos clínicos que trabalham nesta área, e tenderá assim a ser reconhecida como uma perturbação independente, na próxima edição dos manuais.

Ela caracteriza-se como foi atrás descrita, por um comer excessivo e descontrolado de uma quantidade de alimentos, considerada exagerada pela maioria das pessoas, que só termina quando um intenso mal-estar ou exaustão física extrema são atingidos. A ingestão é feita aceleradamente e num curto período de tempo, e acontece normalmente quando a pessoa se encontra sozinha ou em locais mais isolados, onde não existe possibilidade de se confrontar com os outros ou onde essa hipótese e muitíssimo reduzida. E se os primeiros momentos da ingestão podem ser agradáveis, sendo até possível saborear-se a comida, depressa se transformam em momentos de angústia e até mesmo aversão, que se vão intensificando com o aumento do consumo alimentar.

Depois dos episódios surgem habitualmente os sentimentos de tristeza e fracasso, de culpa e de raiva, e enfartadas de comida sentem-se excessivamente vazias. O aumento de peso é uma consequência destas práticas alimentares e as dietas evidenciam-se como uma tentativa de resposta. E quanto mais peso ganham, mais se esforçam por cumprir as dietas, mas quanto mais se esforçam por cumpri-las, mais se vêem envolvidas em ingestões excessivas, num ciclo que parece não ter fim.

Tal como acontece na Bulimia, os episódios tendem a ser desencadeados devido a alterações de humor, tensões emocionais ou problemas do quotidiano, e mais uma vez, a procura de comida cumpre a função de apaziguamento e estabilização emocional. Mas contrariamente à Bulimia, na Ingestão Compulsiva não se verificam comportamentos compensatórios.

Surge tendencialmente no início da idade adulta e no que respeita à sua incidência, parece ser a perturbação alimentar que menor diferença entre sexos regista, embora se verifique tal como nas outras, uma maior prevalência de casos no sexo feminino.

Dos sintomas físicos, destacam-se as rápidas oscilações de peso ou um aumento também rápido.

Leia o artigo

Compulsão alimentar

Artigo na Cosmopolitan, de Abril 2014, sobre os sinais da compulsão alimentar e dicas e estratégias para a contenção sintomatológica.

Compulsão alimentar

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perturbacoes do comportamento alimentar

Perturbações do Comportamento Alimentar

Documento que explica os critérios de diagnóstico e sintomatologia das perturbações do comportamento alimentar. Oferece, ainda, algumas sugestões, exercícios e dicas práticas para um início de auto-regulação deste tipo de problemas.

Perturbações do Comportamento Alimentar

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CONSULTA DO PESO

O excesso de peso raramente tem uma explicação simples, única ou evidente, o que implica que a maioria das pessoas com excesso de peso vá tentando sucessivamente várias soluções, sem grandes resultados e, sobretudo, sem resultados duradouros. Por isso mesmo, na Oficina de Psicologia, quando a queixa é o excesso de peso, as pessoas são recebidas por um profissional de saúde especializado que efectua uma avaliação profunda e o conduz ao longo de uma intervenção simultânea de várias áreas: medicina, nutrição e  psicologia, nas suas diversas especialidades, consoante cada caso particular.

De acordo com a avaliação que for feita e com os seus objectivos e risco de saúde é efectuado um programa de intervenção que vise a redução de peso tranquila, em segurança e duradoura. Igualmente importante, é avaliada a possível presença de perturbações do comportamento alimentar, como bulimia ou ingestão compulsiva, que possam ser responsáveis pelas oscilações de peso ou imagem corporal distorcida, e que requeiram tratamento.

Obesidade

A obesidade é considerada actualmente como um dos maiores problemas de saúde das sociedades modernas, tendo-se mesmo tornado numa questão de saúde pública.

A comunicação social tem-nos falado do aumento da Obesidade, em Portugal e no Mundo, e muito provavelmente quase todos nós conhecemos alguém que sofre directamente do impacto dos efeitos desta realidade. Pelo seu impacto nefasto ao nível das condições médicas, o ajustamento psicológico e sócio-cultural, a Obesidade exige uma consciencialização universal e uma estratégia de combate global.

Na obesidade, o excesso de gordura corporal acumulada no organismo atinge graus capazes de afectar a saúde dos indivíduos, resultando, para além de factores genéticos, de um balanço em que a ingestão supera o dispêndio energético e traduz-se numa relação desequilibrada entre a estatura e o peso.

A Organização Mundial de Saúde recomenda que seja utilizado o Índice de Massa Corporal (IMC) que se determina através da divisão do peso (kg) pela altura, ao quadrado (m2).

  • IMC = 25 – 30: Pré-obesidade
  • IMC > ou = 30: Obesidade
  • IMC= 18,5 – 25: Peso normal/li>
  • IMC < 18,5: Baixo peso

Quanto maior o IMC, maior o risco de saúde e de mortalidade.

Temos razões para nos preocupar! A taxa de prevalência relativamente ao excesso de peso e obesidade tem sofrido um aumento galopante nos últimos anos. Relativamente a Portugal, os estudos revelam dados assustadores: aproximadamente metade da população tem um peso acima do considerado normal e cerca de 14,5% dos adultos são efectivamente obesos, sendo que os grupos etários mais afectados estão compreendidos entre os 45 e os 74 anos.

Causas

A obesidade resulta de um conjunto complexo de factores:

  • Predisposição genética
  • Metabolismo
  • Patologias orgânicas
  • Sedentarismo
  • Hábitos alimentares
  • Perturbações do comportamento alimentar
  • Estratégias inadequadas de gestão emocional

É precisamente pela multiplicidade de causas, muitas vezes presentes em simultâneo, que na Oficina de Psicologia as abordamos de uma forma sistemática fazendo intervir vários profissionais em simultâneo.

Riscos

É abrangente o impacto da obesidade na saúde das pessoas e tem implicações várias ao nível das doenças físicas, reflectindo-se também no ajustamento psicológico e na adaptação social, com consequente perda de qualidade de vida:

  • Doenças Cardiovasculares (Ex: Hipertensão Arterial; Insuficiência Cardíaca)
  • Doenças Metabólicas (Ex: Diabetes Mellitus tipo 2; Colesterol elevado)
  • Doenças Respiratórias (Ex: Síndrome de insuficiência respiratória; apneia do sono; asma)
  • Complicações Osteoarticulares
  • Alterações Hormonais
  • Depressão
  • Insegurança e isolamento sociais

Soluções

Na Oficina de Psicologia não tem de se preocupar em escolher uma área por onde começar – todos os nossos clínicos estão habilitados a avaliar a sua situação específica e propor-lhe as melhores soluções, entre as quais, algumas inovadoras e/ou pouco frequentes em Portugal, como é o caso da hipnobanda gástrica (uma banda gástrica “colocada” de uma forma virtual, “enganando” o seu subconsciente), programas de mindfulness específicos (uma forma de focalização de atenção que permite, entre outras coisas, suster a necessidade de agir perante um impulso alimentar) ou a intervenção de instrumentos de biofeedback e neuroterapia. Naturalmente que a estas soluções aliamos o diagnóstico médico, o desenho de um regime alimentar adequado às suas necessidades e estilo de vida e o tratamento de alguma alteração psicológica que possa existir, constituindo-se causa ou consequência do excesso de peso.

Dicas

  • Não fique mais de 3 horas, no máximo, sem comer. Procure comer 3 refeições principais (pequeno-almoço, almoço e jantar) e 3 refeições secundárias (lanches) por dia, e não deixe passar mais de 3 horas, no máximo, entre elas;
  • Planeie com antecedência as suas refeições. No início de cada dia, ou na noite que lhe antecede, preveja quando poderá comer. Se por exemplo, devido a questões de trabalho que não podem ser alteradas, sabe que o seu almoço no dia seguinte terá de ocorrer mais tarde, digamos que às 15h00, procure levar consigo alguma comida de casa e fazer duas refeições secundárias durante o período da manhã;
  • Este padrão alimentar deve ter precedência sobre outras actividades. Se, por exemplo, não lhe é possível fazer pausas no trabalho durante a manhã, procure levar consigo alguma comida de casa, e fazer os seus lanches mesmo enquanto trabalha;
  • Não salte refeições, sejam elas principais ou secundárias. Não fique sem comer mais do que o tempo máximo previsto, para não correr o risco de desencadear “fomes intensas” e posteriores “assaltos à comida”;
  • Procure trazer sempre consigo um pequeno lanche. Seja no carro, na mochila de desporto ou na sua mala de mão, procure trazer sempre consigo um pequeno lanche, que pode consistir numa peça de fruta, num iogurte, ou numa barra de cereais, estando assim sempre preparada para enfrentar qualquer alteração de horário de última hora;
  • Dê o seu melhor para não comer entre as refeições planeadas. E quando não o conseguir cumprir, cometendo algum excesso alimentar ou passando por cima de alguma refeição, volte ao padrão regular logo de seguida, evitando a perpetuação do descontrolo ou o surgimento de “fomes intensas”