Comportamentos de auto-agressão

Os comportamentos de auto-agressão podem surgir por diversas razões, podendo estar ou não associados a quadros de psicopatologia. De facto, parece existir uma relação entre a sintomatologia depressiva e ansiosa e os comportamentos de auto agressão, contudo existem outras variáveis que podem estar associadas a comportamentos desta dimensão.

Quando falamos de comportamentos de auto agressão/auto lesivos na adolescência e início da idade adulta, falamos geralmente em jovens que tendem a revelar um baixo auto conceito baixo (e) ou desvalorização pessoal, sentimentos de insegurança e negativismo, dificuldades na resolução de problemas, percepção de ausência de controlo e dificuldades ao nível da gestão emocional. Geralmente, os comportamentos auto lesivos surgem após situações de elevada ansiedade, tensão interior e raiva.

Algumas pesquisas do Instituto de Psiquiatria do King’s College em Londres, demostraram que, por exemplo, crianças vítimas de bullying durante a infância estão três vezes mais propensas a desenvolver comportamentos de automutilação aos 12 anos.

 

Um outro estudo realizado pela Universidade de Melbourne, na Austrália, com adolescentes e jovens entre os 15 e os 29, de 44 escolas do estado de Vitoria, revelou que comportamentos de auto agressão, como é o caso da automutilação, acontece mais em raparigas do que em rapazes.

 

Contudo, independentemente da idade ou sexo, os comportamentos auto lesivos, constituem uma tentativa em lidar com as emoções e com a dor psicológica, é como se a dor física por momentos suplantasse a dor psicológica, ficando esta esquecida. Estes comportamentos tendem a originar uma sensação de auto controlo e alívio face à dor psicológica, o que pode levar à repetição do ato. Contudo, a sensação de alívio e auto controlo é de curta duração, e rapidamente surgem sentimentos de vergonha, culpa e negativismo que vão potenciar ainda mais a dor psicológica.

Cecília Santos
Cecília SantosPsicóloga Clínica
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2017-04-22T13:50:42+00:00 Abril 6th, 2015|Automutilação, Cecília Santos, Crianças & Pais|
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