À conversa na praia

À conversa na praia

“Olha quem ela é! Há quanto tempo!”

“Uns anitos valentes! Mas tu estás na mesma!”

“Vá… até parecia mal. Como se a vida não nos modificasse. E tu? Não me digas que continuas a viver no mesmo sítio, quase minha vizinha!”

“Verdade! Perto uma da outra o ano todo, e logo nos vamos encontrar numa praia algarvia. Vais por aqui estar o mês todo?”

“Vou, pois. Foi um ano danado de duro e bem preciso de descansar um pouco e por a cabeça em ordem…”

“Bem, por a cabeça em ordem é a minha especialidade, se bem te recordas: continuo a exercer Psicologia Clínica. Ora diz-me lá o que é que queres por em ordem, que eu ainda me tento a arranjar uns minutos entre dois mergulhos e conversar contigo sobre uma ou outra estratégia que te possa ser útil”

“Ora, não é nada em particular… É, assim, mais tudo em geral! Não te rias… Isto os dias atrapalham-se uns aos outros e quando dou por ela passou um ano e parece que não cheguei a lado nenhum. E o pior é que olho para esse ano, e não consigo capturar nada que eu ache que foi uma conquista ou, quanto mais não seja, umas boas passadas na direcção certa. É por isso que ando a pensar em dar aqui uma grande volta à minha vida”

“Olha, o mais frequente é precisamente isso. E é também por isso que mais um ano vai passar e vais-te encontrar no ponto preciso em que estás agora. Se te pões à procura daquela grande coisa que vai fazer com que a tua vida se modifique bombasticamente do dia para a noite, prepara-te para uma sequência de frustrações… O que funciona bem é um compromisso pessoal com pequenas coisas que se vão fazendo de diferente ou de novo, de uma forma consistente, e que, assim que se entra no hábito, fazem com que a vida fique mais saborosa. Bem, pelo menos mais alinhada com a direcção em que a queremos”

“Ah! Bom… dito assim, até que parece mais simples do que as ideias radicais que me andavam a passar pela cabeça. Se bem que, nalgumas situações, mudar totalmente de rumo possa ser uma rica ideia, no meu caso, acho que é mais a sensação de um esforço permanente para pouca fruta. Mas se vamos estar as duas por aqui no mês de Agosto talvez me pudesses ir dando umas sugestões. Agradeço-te em pratos de caracóis?”

“Ora, com qualquer coisa fresca a acompanhar, fico muitíssimo bem paga! Então vamos a um mergulho, que a cabeça fresca pensa muito melhor do que quente. E já aqui tens uma boa sugestão ;)”

“Pois, está bem. Isso é porque não tens dois miúdos pequenos e um chefe de fazer as pedras irem às lágrimas! Como é que queres que não se me aqueça a cabeça?”

“Pronto, mas olha que se tivesses uma vida de contos de fada, não era preciso aprenderes umas pequenas estratégias para recuperares o bom humor e a energia, certo? Por isso, vou imaginar que, de facto, tens situações desafiantes na tua vida. E “arrefecer a cabeça” não é coisa que se consiga explicar assim entre mergulhos e com areia por todo o lado – já exige um bocadito mais de trabalho… Mas sempre te posso dizer que compensa fazer diferimento dos actos. Ai, desculpa! Estamos na silly season, em cima de uma toalha de praia e eu a falar complicado, que disparate!!! Quando a cabeça aquece e o tema é relacional – com colegas, marido, filhos, chefe ou outros condutores, experimenta a estratégia do Pato Donald: para um pouco, sustém a reacção, morde a língua – em sentido figurado, claro! – e vai respirar um bocadinho, de preferência noutro sítio. O cérebro “arrefece” e tens tempo para ponderar opções. E agora achas que já posso ir conversar um bocado com os peixinhos??”

“Desculpa!!! ‘Bora lá! A última a chegar é… um neurónio sobre-aquecido!”

(agora interrompemos para uns gritinhos, splash-splash, glu-glus e chap-chaps)

(talvez queira ver um vídeo neste intervalo)


(de volta à toalha; ensopadas; fresquinhas; neurónios contentes com o movimento físico!)

“Vou fazer-te uma pergunta armadilhada: como é que anda a tua auto-confiança?”

“Ui! Não és meiguinha, não! Logo onde dói! Pelas ruas da amargura, já que perguntas… Regra geral, nos últimos tempos, parece que acho que venho no fim da lista da gente de talento e valor…”

“Hum… Pois… Bem me parecia… É que, sabes, reparei que tens uma postura “encolhida”. Há estudos que nos demonstram que uma postura aberta anda de mão dada com a auto-confiança. E o bom da questão é que é uma relação circular: se te sentes em baixo de auto-confiança, encolhes-te – a tua posição corporal fecha-te sobre ti mesma; mas se mudares a postura – costas direitas, braços afastados do corpo ou abertos, peito para fora, ombros levantados, queixo direito, contacto visual com a pessoa com quem estás – e a mantiveres uns minutos, a emoção interna vai acompanhar aquilo que o cérebro está a ler: auto-confiança!”

Auto-confiança - sentado

 

 

 

 

 

 

 

“Isso é assim tipo passe de mágica???? Não é um bocadinho simplista demais??”

“Curiosamente, a vida é um bocadinho mais fácil do que nós fazemos dela – às vezes, apenas a complicamos, com coisas que exigem tanto esforço que, depois, e por mais mérito que essas acções tenham, não as conseguimos manter e, por isso, não temos resultados. Isto parece simplista, porque é simples. Houve um estudo em que chegaram à conclusão que bastavam 2 minutos naquilo que alguns chamam “postura de alto poder”, para aumentar os níveis de testosterona no organismo, associados à auto-confiança, e baixarem os níveis de cortisol, a hormona do stress! Convencida? Praticamos?”

“Praticamos, pois! Amanhã logo te digo! Mas se o meu marido me começar a perguntar que bicho me mordeu, é melhor explicares-lhe que me andas a fazer um make-over psicológico, OK?!”

Notas para me lembrar em Setembro, quando voltar para casa:

[slideshare id=37688413&doc=no-ponto-1-140805115155-phpapp01]

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde
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2017-03-05T18:16:52+00:00 Agosto 5th, 2014|Desenvolvimento Pessoal, Madalena Lobo|

Um Comentário

  1. Lurdes Teixeira 06/08/2014 at 10:54

    Olá, Bom Dia 🙂 Excelente apresentação!! Parabens, sempre Adorei o Pato Donald!! Quanto ao conteudo e do meu ponto de vista pessoal, não é nada que já não tivesse conhecimento. do que fui aprendendo ao longo desta vida, não consigo acreditar que a …”vida é mais facil, nós é q a complicamos….” depende, de varios fatores, emocionais, defensivos que cada um de nos vai captando ao longo da vida….. acho que presentemente o “Ser Humano” esta empenhado na descoberta e na ajuda, mas como um trabalho de Equipa, que tera de ser, nada conseguira, se não “remarem todos para o mesmo lado”….. Obrigada e continuem.

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