Infertilidade
De que estamos a falar?
A infertilidade psicogénica admite a possibilidade de existirem factores psíquicos envolvidos na capacidade de concepção.
Encontramos com frequência casos em que as mulheres expressam o seu receio pelas alterações quer da sua vida pessoal como profissional, da sua vida conjugal, mesmo quanto à maternidade ou ao homem que as acompanha nesse projecto. A dúvida persistente de se irão ser “boas mães”, as mudanças físicas que uma gravidez comporta e as implicações disso na sua auto-imagem, etc, são receios muitas vezes transmitidos nas consultas de psicoterapia e que podem condicionar a disponibilidade para conceber um filho.
Ainda, não podemos deixar de mencionar o papel do homem neste processo, já que, ainda que menos conhecidas, não podemos excluir as causas masculinas de origem psicogénica.
Estudos recentes dão indicadores importantes nas suas conclusões, a existência de dificuldade em gerir o stress pode ter um papel negativo no sucesso da fertilidade.
Sabemos agora que as mulheres que relataram mais stress marital necessitaram, em média, de 3 ciclos de tratamento para a concepção, quando comparadas com as mulheres que relataram menos stress que precisaram apenas de 2 ciclos.
Como conclusão deste trabalho, foi ainda apresentado o crescimento da base de evidência científica do impacto de estados psicológicos negativos em falhas de tratamentos de fertilidade.
Ou seja:
- o impacto da infertilidade nos casais é profundo;
- geralmente é vivido como uma crise traumática, tendo consequências importantes na auto-estima e auto-imagem quer do homem como da mulher;
- a forma como cada elemento do casal vivencia esta crise é diferente. Pode ser atribuído a questões de género, características de personalidade e a diferenças no desejo de cada um em relação aos filhos;
- é curioso assinalar que, geralmente, falar sobre infertilidade resulta num enorme alívio para as mulheres e, num grande incómodo para os homens, qualquer que seja a causa da mesma.
Stress e fertilidade |
Depressão e fertilidade |
“Uma vez que o stress causa modificações elevadas na bioquímica e ritmos do organismo, perturba o equilíbrio natural do corpo, podendo levar, ao longo do tempo a problemas crónicos de saúde. Além do impacto na saúde em geral, o stress ou a ansiedade durante um período de tempo prolongado pode afectar a produção das hormonas necessárias à ovulação, à implantação e a qualidade do esperma. Uma vez que a prioridade do corpo é manter-nos fora de perigo quando estamos sob uma ameaça ou stress, cuidar de um feto apenas nos iria colocar num maior desgaste.
Adaptado de Sjanie Hugo – The Fertile Body Method – A Practitioner’s Manual |
Tem sido documentado que “as mulheres diagnosticadas como inférteis têm o dobro da probabilidade de se encontrarem deprimidas, e que a depressão atinge o seu máximo dois anos após terem iniciado tentativas para engravidar. E, apesar da infertilidade não representar uma ameaça de vida, as mulheres inférteis têm níveis de depressão idênticos aos das mulheres com doenças oncológicas, enfermidades cardíacas e infectadas com o vírus HIV. (…)
A depressão pode desestabilizar o equilíbrio hormonal saudável, afectando negativamente a fertilidade. Num estudo foi sugerido que a depressão se encontra associada a uma regulação anormal da hormona luteínica, que tem um papel importante na concepção. O sistema imunitário também resulta enfraquecido na depressão o que, por sua vez, afecta a fertilidade. (…) Num estudo, 60% das mulheres cuja depressão foi tratada engravidaram num período de 6 meses, por comparação com apenas 24% das que não foram tratadas.” Adaptado de Sjanie Hugo – The Fertile Body Method – A Practitioner’s Manual |
Como o poderemos ajudar?
Aproximadamente 50% dos casos de infertilidade são devidos a causas desconhecidas e não diagnosticadas. Conforme já mencionado, níveis elevados de stress têm um efeito pejorativo no equilíbrio hormonal e psico-fisiológico, que por sua vez reflecte-se nos níveis de fertilidade feminina e masculina. Quem é que já não ouviu falar de casos de casais que tentam sem sucesso engravidar durante anos, e quando aceitam a sua “infertilidade”, adoptam uma criança, e poucos meses depois engravidam naturalmente?
Assim sendo, podemos afirmar que numa grande proporção de casos, a infertilidade pode ocorrer quando as nossas necessidades físicas e emocionais não estão satisfeitas e a ligação mente/corpo perde temporariamente o seu estado de equilíbrio necessário à concepção natural. Como causas podemos ter factores contextuais, profissionais, processos de luto (interrupções voluntarias e espontâneas de gravidezes passadas), emoções e crenças distorcidas acerca de ser mãe/pai, desgaste físico e psicológico, etc.
A Hipnose Clínica tem sido usada ao longo das últimas décadas com resultados promissores nos casos de infertilidade. É impossível ignorar e negar a relação mente-corpo, o que faz com que as técnicas hipnoterapêuticas se adaptem quer aos casos de infertilidade com predominância nas causas psíquicas, como níveis de stress elevado, bloqueios e traumas do passado, expectativas irrealistas, frustração e desgaste, quer como terapia complementar em casos de baixa contagem de espermatozóides saudáveis, sindroma do ovário poliquistico, etc.
As técnicas de intervenção utilizadas são específicas a cada caso, mas incluem técnicas de relaxamento, auto-hipnose, regressão, visualização guiada, terapia sugestiva e imagética. Trabalham directamente com a parte consciente e inconsciente da mente, e têm como objectivo, aumentar e reforçar os níveis de fertilidade do corpo, reforçar a eficácia de tratamentos e intervenções médicas (muitas vezes invasivas), alterar a morfologia dos espermatozóides, trabalhar lutos não resolvidos e ajudar no desgaste físico e psicológico resultante de todo este processo, que os casais que passam por esta situação tão bem conhecem.
A psicoterapia é, igualmente, muitíssimo importante.
- Cuidar e reconhecer as perdas, dando-lhes o valor adequado, permitindo fazer o luto devido.
- Trabalhar os momentos de stress agudo, e aprender a impedir a evolução para um stress crónico sobre o corpo e a mente.
- Cuidar da relação de casal. A interacção do casal está muitas vezes perturbada pela ambivalência de uma proximidade desejada e necessária (a vida sexual é fundamental que seja mantida, também por prazer), mas difícil quando se sente a dor de mais um ciclo de não foi bem sucedido.
- Procurar identificar e regular os níveis de stress, com ajuda de um psicólogo
- Tratar uma eventual reacção depressiva
- Procurar a ajuda de um nutricionista no sentido de adoptar uma alimentação saudável
- Procurar ajuda para, se necessário, abandonar hábitos prejudicais como o tabágico.
A resposta da Oficina de Psicologia
Hipno-Fertilidade
A Hipnoterapia Clínica parte do pressuposto que a infertilidade pode ocorrer quando as nossas necessidades físicas e emocionais não estão satisfeitas, e a ligação mente/corpo perde temporariamente o estado de equilíbrio necessário à concepção natural. Como causas podemos ter factores contextuais, profissionais, processos de luto (interrupções voluntarias e espontâneas de gravidezes passadas), emoções e crenças distorcidas acerca de ser mãe/pai, desgaste físico e psicológico, etc.
A intervenção hipnoterapêutica fundamenta-se num modelo holístico de saúde, incluindo técnicas personalizadas e específicas a cada caso. Estas técnicas incluem relaxamento, auto-hipnose, regressão, visualização guiada, terapia sugestiva e uso de metáfora e imagética.
Objectivos da terapia:
• Aumentar a fertilidade restaurando o equilíbrio físico, mental e emocional
• Lidar com o desgaste físico e emocional • Aceder a bloqueios e traumas conscientes e inconscientes
• Preparação para a parentalidade
• Redução dos níveis de ansiedade e stress
• Promover de hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis
• Lidar com processos de luto, medos, expectativas irrealistas e depressão
• Preparação/apoio nas intervenções médicas
• Aumentar morfologia e contagem de espermatozóides saudáveis
• Promover intimidade conjugal • Aumentar auto-estima e auto-confiança
• Apoio e ajuda durante o período de gravidez
• Apoio no processo de tomada de decisões (parar de tentar, adoptar uma criança, etc.)












