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Dismorfia Corporal

Dismorfia Corporal

De que estamos a falar?

E se de cada vez que olhasse para o espelho ficasse preso a um aspecto que considera “defeituoso”? E se esse gesto ocupasse horas do seu dia? Acreditaria que era tudo fruto da sua imaginação?

A Perturbação Dismórfica Corporal é isto mesmo, uma preocupação excessiva com um “defeito” imaginário na aparência, causando um acentuado sofrimento, e chegando mesmo a afectar todas as áreas de funcionamento do indivíduo – pessoal, familiar, social, profissional. No entanto, por desconhecimento de que se encontram perante um quadro clínico, muitas pessoas continuam a sofrer em silêncio, evitando situações sociais e de intimidade ou recorrendo ao álcool e/ou a substâncias psicotrópicas para as enfrentar.

Apesar de surgir durante a adolescência, frequentemente só é diagnosticada 10-15 anos depois. As pessoas que sofrem desta perturbação tendem a mantê-la em segredo por receio de serem vistas como vaidosas ou narcisistas.

As preocupações mais comuns são com a pele, cabelo, nariz, olhos, boca, lábios e queixo, contudo qualquer parte do corpo pode ser envolvida, sendo frequentemente focada em várias partes do corpo simultaneamente. Tipicamente, as queixas mais frequentes dizem respeito a ligeiros defeitos na cara, assimetrias ou desproporções, que são características corporais comuns, cabelo fino, acne, rugas, cicatrizes, marcas vasculares, palidez ou “complexo de corar”. Também se pode manifestar por uma obsessão com as secreções corporais, que têm origem na natural actividade corporal – o cheiro do próprio corpo ou de alguma parte específica dele, a transpiração, o hálito, entre outras.

A situação é, de facto, tão grave que nem perante a mudança parece ceder. De acordo com alguns estudos, as pessoas que sofrem desta perturbação continuam insatisfeitas com a sua aparência, mesmo depois de submetidas a cirurgia plástica. Tal pode ocorrer por dois motivos: ou a pessoa continua a percepcionar aquela parte do corpo como “defeituosa”, ou, apesar da preocupação inicial ter desaparecido e a percepção se ter alterado, pode ocorrer uma transferência da preocupação para outra(s) parte(s) do corpo – o que frequentemente se verifica.

Já sabe que se está a identificar com algum dos sinais apresentados é muito importante que procure ajuda:

  • Atenção/preocupação excessiva com distorções imaginárias ou alterações pouco significativas da aparência
  • Tentativas para esconder o suposto defeito – uso de chapéus, bonés ou gorros; maquilhagem ou roupas largas
  • Submeter-se a uma série de tratamentos dermatológicos, tratamentos estéticos e/ou cirurgias plásticas sem encontrar satisfação em nenhum deles

É frequente surgir associada a Depressão, a Fobia Social e a a Perturbação Obsessivo-Compulsiva e, comparativamente com qualquer outra perturbação da imagem corporal, apresenta níveis de insatisfação e angústia mais elevados, bem como uma alta taxa de suicídio.

Cirurgias plásticas e tratamentos dermatológicos

Como surge e qual a sua representatividade?

Muitas pessoas com Perturbação Dismórfica Corporal procuram tratamentos cirúrgicos – cirurgias plásticas e tratamentos dermatológicos, mas muitos não chegam a ser realizados por discordância do médico, atendendo a que o defeito era mínimo ou não estava presente.

Estudos mostram que 5 a 15% das pessoas que procuram cirurgia plástica tem Perturbação Dismórfica Corporal, no entanto, apesar da procura, outros estudos referem que após cirurgia as pessoas relataram não ter havido mudanças ou mesmo terem piorado as suas preocupações com o defeito percepcionado. Ficaram igualmente ou ainda mais preocupadas e ansiosas. Isto acontece porque muitas pessoas com a perturbação têm expectativas elevadas e irrealistas em relação à cirurgia esperando que o resultado seja perfeito. Outras esperam um resultado que não é ajustado aos padrões de beleza ou seja, aquilo que é desejado e aceite pelos outros ou pela nossa sociedade.

Uma das hipóteses levantada como causa desta perturbação é a de que se deva a desequilíbrios de serotonina e de outros neurotransmissores cerebrais.  Mas factores como o abuso físico ou sexual na infância, história de problemas dermatológicos crónicos, depressão, perturbações ansiosas ou a existência de uma personalidade extremamente tímida e perfeccionista são também apontados como podendo estar na origem desta perturbação.

Não existem diferenças significativas quanto à percentagem de homens e de mulheres atingida

Estudos demonstram que a incidência desta perturbação em pessoas que procuram cirurgias plásticas está compreendida entre 7% a 15%

Alguns estudos revelam uma prevalência da perturbação na população de 0,7% a 12%.


Como o poderemos ajudar?

A Terapia Cognitivo-Comportamental tem sido apontada como a mais eficaz no tratamento da Perturbação Dismórfica Corporal. Foca-se nas crenças e nos comportamentos que mantêm a perturbação. O objectivo é identificar e consequentemente mudar pensamentos distorcidos e irrealistas relativamente à imagem corporal.

A terapia pretende explorar comportamentos – observações sistemáticas ao corpo, controlo e o evitamento social. O propósito é ajudar a pessoa a parar estes comportamentos e substitui-los por pensamentos saudáveis. Envolve educação e monitorização da perturbação que a ajudam a perceber o quão excessivos são os seus comportamentos e com que frequência a fazem sentir-se mal. É também confrontada com situações temidas e evitadas, como algumas situações sociais que despoletam pensamentos obsessivos. Através da exposição do defeito físico percepcionado, a ansiedade e o medo devem diminuir e consequentemente os rituais associados também diminuirão. Tem ainda como objectivo parar comportamentos compulsivos, tais como, olhar para o espelho, medir-se, comparar-se com os outros ou outro tipo de comportamentos repetitivos.

É importante que os membros familiares aprendam sobre a perturbação – O que é, e quais os tratamentos existentes e mais adequados. A família tem um papel preponderante neste processo, podendo ajudar a mudar comportamentos e a evitar rituais.

O plano de tratamento deve ser adaptado às necessidades individuais e à situação de vida. Deve-se basear na severidade dos sintomas da perturbação, na existência de outras perturbações ou problemas, na preferência do paciente e na disponibilidade do terapeuta.

 


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