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Dor

Dor

De que estamos a falar?

A palavra dor é utilizada para agrupar uma classe de acontecimentos sensoriais, afectivos (emocionais) e avaliativos combinados. Esta classe contém muitos tipos diferentes de dor, cada um dos quais corresponde a uma experiência única e pessoal para a pessoa que a sofre.

Para que perceba um pouco mais sobre o funcionamento da dor gostaríamos que acompanhasse por breves momentos a ideia de um portão do controlo da dor… sim, isso mesmo, um portão!

Provavelmente já terá ouvido falar da espinal medula, um centro fundamental de entrada de informação onde afluem diversas fibras nervosas. Agora imagine que lá se encontra um portão que recebe informação das fibras nervosas periféricas (que são as que fazem circular a informação desde o sítio da lesão até ao portão), que o cérebro envia para esse portão informação relacionada com o estado psicológico da pessoa e que ainda existem fibras que fazem parte da informação relativa à forma como percebemos a dor.

O portão integra todas as informações destas diferentes fontes e produz uma saída de informação. Esta informação que sai do portão é enviada para um sistema de acção de que resulta a percepção da dor!

Por isso todos nós desejaríamos no caso da dor crónica fechar o portão, de vez em quando… e, assim sendo, o que fecha o portão?

  • Factores físicos: como medicação, estimulação das fibras curtas (através de acupunctura, por exemplo).
  • Factores emocionais: como bem-estar, alegria ou relaxamento.
  • Factores comportamentais: como concentração, distracção ou envolvimento noutras actividades.

Uma questão importante ao falarmos de dor é ajudar a pessoa a compreender que muitas vezes não se vão encontrar causas para os sintomas de dor e que devemos olhar para esta como uma perturbação em si mesma. É muito importante que a pessoa com dor consiga sentir a responsabilidade no controlo da sua dor. Quantas vezes vamos mudando de especialista em especialista e nos esquecemos que a dor pode ser um somatório de situação física e reacção emocional, juntamente com factores ambientais, sociais e profissionais.

É importante uma avaliação cuidada porque aliada a um tratamento medicamentoso para controlo de sintomas de dor é fundamental a existência de uma intervenção dirigida às respostas emocionais e às reacções corporais que acompanham estas mesmas respostas.

Tradicionalmente, as dores com causas óbvias estão ligadas a algum trauma directo sobre o corpo ou a doenças médicas específicas que em consequência provocam dor, como por exemplo: arranhão; tornozelo torcido; dor de dentes; ataque cardíaco; osteoartrite; parto; cancro… etc!

No que diz respeito às dores sem causa, estas são mais frustrantes tanto para os profissionais de saúde como para a pessoa que sofre pois não se identifica um foco específico ou explicativo que provoque algum alívio e dê à pessoa uma percepção de controlo. Alguns exemplos como que decerto se identifica são:

Cefaleias (dores de cabeça)

Existem muitos tipos de dores de cabeça e, por vezes, até aparentam ter uma causa – irritação, ansiedade, fadiga, álcool e por aí fora. Afirmamos que se trata de uma dor sem causa porque apesar de compreendermos que estes estados desencadeiam a dor não sabemos porque motivo desencadeiam o mecanismo na cabeça que, no fundo, a faz doer.

Um tipo de dor frequente (mais associado a enxaquecas) está relacionado com alterações dos vasos sanguíneos e têm o nome de dores de cabeça vasculares.

Outro tipo de dores de cabeças são aquelas provocadas por tensão e são claramente diferentes que a maioria das enxaquecas, e tem-se a sensação de que os músculos da cabeça estão tensos (embora não existam grandes provas que os músculos estejam realmente tensos…).

Assim, ainda não sabemos a causa central para as dores de cabeça embora as possamos já diferenciar por sub-tipos o que facilita a intervenção específica em cada uma.

Dores nas costas

Estas dores também conhecidas por dores lombares são quase universais. E, naturalmente, todas as pessoas, com dores agudas ou crónicas, acreditam que para estarem a sentir essa dor é porque existe alguma lesão nas suas costas. A verdade é que existem cinco causas geralmente aceites para as dores nas costas (hérnia discal, infecções específicas, tumores, fracturas ou artrites) – só 10 a 15 % dos doentes com dores nas costas apresentam uma destas causas. Pois é, 85% das pessoas não têm causa aparente para as suas dores nas costas.

Atenção! Felizmente para a maioria das pessoas com dores súbitas nas costas um tratamento eficaz e breve coloca-as novamente funcionais num prazo de 3 a 6 semanas.

A pessoa que, infelizmente, continua a sofrer com dor (e não se encontra a causa) passa a estar numa situação difícil e pode chegar a ouvir “Isso está tudo na tua cabeça”. Todos os que sentem dores precisam de conforto, apoio especializado e legitimidade para sentir o seu sofrimento. É uma sensação muito dolorosa quando se está a sofrer e nos dizem que “você tem nada”.

Fibromialgia

A fibromialgia tem sido muito falada nos últimos anos, pela quantidade de pessoas que sofrem com esta perturbação (sabemos que é 10 vezes mais comum em mulheres que homens).

Na fibromialgia primária, existem múltiplos pontos sensíveis em vários músculos. Assim, as pessoas sofrem de dor muscular generalizada e os pontos sensíveis distribuem-se pelo corpo, causando dor se forem pressionados. Outro dado relevante é que estes pontos sensíveis se agrupam, de forma consistente, no pescoço nos ombros, nas ancas, nas mãos, nos joelhos, na parede torácica e nos pés.

Esta doença caracteriza-se ainda por uma perturbação do padrão do sono. Ou seja, as pessoas com fibromialgia têm alterações no sono muito específicas e objectivas. Elas tendem a sentir fadiga, a acordar cansadas e a sentir-se muito retesadas de manhã, com a sua musculatura muito rígida. Curiosamente, não têm problemas em adormecer e não acordam durante a noite.

As melhores soluções para dor

E agora?

A própria Medicina concorda que as soluções mais eficazes que actualmente se conhecem para o controlo e, por vezes mesmo, eliminação da dor se encontram em sede da intervenção psicoterapêutica. Na Oficina de Psicologia, contamos com soluções avançadas e algumas incomuns para lidar com o tema da dor e devolver conforto ao nossos clientes, além das intervenções mais abrangentes e que permitem, nalguns casos, a resolução das causas subjacentes à dor. 

Cada caso é um caso e nós analisamos personalizadamente cada contexto de dor física, para poder sugerir a melhor solução.


Como o poderemos ajudar?

Naturalmente, ninguém quer sofrer de dor crónica. Mas, na realidade, esta tem-se propagado na sociedade actual e todos conhecemos alguém que, infelizmente, está em sofrimento.

As condições de dor de que falámos acima, e outras, têm custos pessoais e profissionais elevados porque as pessoas se sentem, em alturas de crise, incapacitadas para responder aos desafios do dia-a-dia e a sua qualidade de vida diminui fortemente.

Os tratamentos para a dor crónica apesar de serem cada vez mais sofisticados continuam, em muitos casos, a serem parcialmente bem-sucedidos. Depois de passarem por cirurgias e grandes doses de medicação é-lhes dito que aprendam a viver com a dor… e isso soa como uma falha no final de um caminho tão difícil.

Na verdade, aprender a viver com a dor é aprender trabalhar com o seu corpo e a organizar a sua vida para manter a dor sob controlo e manter uma visão eficaz sobre a sua capacidade em controlar essa dor.

Para o ajudar a lidar com a dor crónica trabalhamos numa abordagem inovadora em Portugal que se baseia na aplicação de Mindfulness. Ao treinarmos a atenção plena aos pensamentos, sentimentos e sensações corporais, a cada momento, damos a nós mesmos a possibilidade de uma maior liberdade de escolha. Só quando atendemos a estes aspectos poderemos escolher se lidamos com eles agora ou mais tarde – com esta liberdade de escolha, obtém-se o controlo da atenção e uma direcção consciente dos processos de raciocínio, de análise e emocionais.

Dito de outra forma, trata-se de aprender a cultivar um estado de espírito que é o oposto a ter a atenção mobilizada por preocupações sobre a dor que geram ansiedade ou angústia, aprendendo mais com a dor e a percebê-la melhor, ao invés de lhe escapar ou tentar ver-se livre dela.

A investigação hoje em dia tem demonstrado que em casos de dor aguda a forma mais eficaz de diminuir os níveis de dor é concentrar-se na dor e não distrair-se dela. Sabemos que isto lhe pode parecer estranho mas, de facto, compreender e entrar em contacto com a dor é uma parte extremamente importante do processo de diminuir a dor crónica e aprender a viver com ela e não apenas a suportá-la!

Será que a hipnose clínica pode ajudar?

A aplicação da Hipnoterapia no controlo da dor é uma alternativa com resultados bem documentados, especialmente quando integrada em contextos psicoterapêuticos, hospitalares e cirúrgicos.

A eficácia dos efeitos da terapia sugestiva, usada em técnicas de intervenção hipnoterapêutica, é em parte explicada devido à capacidade da sugestão provocar acções fisiológicas que podem promover o controlo da dor. Esta componente sensorial aliada à afectiva e psicológica como o medo, interpretação e antecipação da dor, influenciam o modo como sentimos e percepcionamos estados de dor, tornando a experiência evidentemente subjectiva e por conseguinte passível de ser alterada.

Como Programar a Mente?

Assim como a antecipação e interpretação da experiencia da dor podem aumentar a sua intensidade, também a podem diminuir. A hipnoterapia pode reprogramar o modo como o seu corpo reage e gere uma situação de dor.

Técnicas de imagética e visualização guiada podem estimular a libertação de endorfinas, induzir sensações de dormência, analgesia e anestesia e alterar a percepção e capacidade de gestão da dor. O resultado é um aumento do bem-estar físico e psicológico e sensação de auto-controlo.

A prática repetida destas técnicas é essencial e efectuada através de exercícios de auto-hipnose e o uso de gravações efectuadas nas sessões.

E as Técnicas de Relaxamento?

Técnicas de relaxamento profundo também contribuem para o alívio da dor. A tensão muscular por si só provoca dor! Uma injecção dói muito mais se o músculo do braço estiver tenso. O mesmo princípio é aplicado na preparação para intervenções médicas, por vezes invasivas, na recuperação de intervenções cirúrgicas, etc.

A Hipnose Clínica ajuda também a lidar com os efeitos e as causas emocionais da dor. Viver com dor crónica pode ser altamente desgastante e ter uma influencia por vezes incapacitante na rotina diária e nas relações com a família, amigos e colegas.

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