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Hipocondria

Hipocondria

De que estamos a falar?

A hipocondria é uma preocupação crónica e excessiva do indivíduo com o seu estado de saúde físico ou mental sem aparente fundamento e que decorre de crenças inadequadas e desajustadas de que sofre de uma doença grave.

Habitualmente o indivíduo além de viver todas as angústias inerentes ao facto de ser portador de uma doença grave e geralmente suposta como fatal, apresenta também uma série de queixas físicas nunca evidenciadas nos exames, sejam estes clínicos ou laboratoriais.

As pessoas hipocondríacas apresentam uma multiplicidade de sintomas que se manifestam em diferentes órgãos e sistemas do corpo, com particular destaque para o aparelho gastrointestinal e cardiovascular.

A pessoa que sofre de hipocondria recorre com frequência à consulta médica e tende a mudar de médico com regularidade, com o objectivo de saber o que não está bem com o seu corpo, dado que perante os resultados é sempre tentada a pensar que ou os métodos de diagnóstico não foram os mais apropriados, pelo que necessita de recorrer a um exame mais rigoroso, ou chega a conclusão de que é portadora de uma doença “desconhecida” pelo que o seu diagnóstico não é possível de ser feito.

No fundo, toda e qualquer intervenção médica simplesmente confirma a sua ideia de ter uma doença. A preocupação com a saúde permanece mesmo depois de todas as indicações médicas evidenciarem o contrário, ou seja, quando os exames clínicos e consultas com os diversos técnicos de saúde confirmam o funcionamento regular e sem perturbações significativas do seu corpo.

As perturbações hipocondríacas podem surgir como reacções transitórias, em resposta a uma situação de stress – frequentemente como reacção à morte ou a uma doença grave de alguém próximo, bem como a uma doença que no passado representou perigo para a vida do próprio. Também outros acontecimentos significativas de vida, como uma separação, ou em fases de transição e mudança acentuadas como na adolescência ou na menopausa, se pode desencadear a hipocondria.

De um modo geral as reacções transitórias ao stress tendem a desaparecer conjuntamente com o desaparecimento dos factores de stress, no entanto, pode não ser assim e a reacção hipocondríaca assumir uma forma crónica. De referir ainda que determinados hábitos familiares ligados à saúde ao longo da infância, podem conduzir à ideia de fragilidade física e ajudar a construir crenças disfuncionais ligadas à experiência e vivência do corpo.

Pesquisas recentes sugerem que as pessoas que sofrem de hipocondria têm comparativamente à população geral, não só um nível de sensibilidade às sensações corporais mais elevado, bem como uma tolerância mais baixa aos sinais de desconforto físico, pelo que desenvolvem uma atenção “especial” para tudo o que se relaciona com o seu corpo. A estes factores vem-se juntar ainda a interpretação errada e catastrófica das sensações corporais e das pequenas mudanças do corpo.

A percepção distorcida das sensações corporais associada à interpretação catastrófica leva a que os sintomas naturais do corpo sejam sentidos e entendidos – não como normais, mas como um sinal de doença, assim por exemplo, as manchas vermelhas na pele podem ser interpretadas como sintomas de cancro da pele.

As pessoas hipocondríacas mesmo depois de se reconhecerem como “hipocondríacas”, e admitirem que as suas preocupações podem ser exageradas, não conseguem resistir a controlar os seus sintomas e a deixar de acreditar que estão mesmo doentes.

 

Os factores que definem a hipocondria

O que diz o manual?

  • A percepção de ameaça para a saúde
  • Verificação e controlo permanente do estado do organismo ou das partes “afectadas pela doença”
  • Evitar estímulos externos associados à doença ou a situações que possam reforçar ou amplificar as sensações corporais, como por exemplo fazer exercício físico
  • Procura de confirmação – leitura de livros especializados, procura na internet, conversas com amigos e conhecidos, chamadas para a linha de saúde, visitas ao médico, intervenções da medicina alternativa
A. Preocupação, medo ou crença de que se tem uma doença grave baseada na interpretação errada de sintomas físicosB. A preocupação persiste apesar da adequada avaliação e tranquilização médica

C. A crença no critério A não tem intensidade delirante (como na perturbação delirante, tipo somático) e não está circunscrita a uma preocupação com imagem corporal (como na perturbação dismórfica corporal)

D. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo, ou disfunção social, ocupacional ou noutra área importante do funcionamento do indivíduo

E. A duração da perturbação é de pelo menos 6 meses

F. A preocupação não tem melhor enquadramento na perturbação de ansiedade generalizada, perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação de pânico, episódio depressivo major, ansiedade de separação, ou outra perturbação somatoforme


Como o poderemos ajudar?

A Oficina de Psicologia podemos ajudá-lo, os nossos técnicos estão familiarizados com diversas técnicas psicoterapêuticas, entre as quais com a abordagem cognitivo-comportamental, que se tem destacado neste tipo de situações por ajudar as pessoas a gerir suas crenças e preocupações ligadas à saúde, assim entre outras coisas irá:

  • Aprender a melhorar a sua capacidade para lidar com os sintomas e a reduzir as suas limitações funcionais
  • Aprender a concentrar a sua atenção fora do seu corpo e das sensações corporais
  • Desafiar os seus receios e expor-se aos estímulos “perigosos”
  • Compreender de que modo o desconforto físico pode ser minimizado Aprender a desafiar as suas crenças
  • Explorar as suas emoções e desenvolver fontes de satisfação e prazer que o retirem do ciclo de pensamentos de preocupação

 


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