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Deixe-se lá de querer ser feliz, sim?

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Há coisas que resultam melhor se não as transformarmos num objectivo de vida. Por exemplo, será melhor estar focado em ter dinheiro ou em investir nas suas qualificações académicas e profissionais que, por sua vez, terão por resultado muito provável, destacá-lo financeiramente?

 

A felicidade é um destes temas que pode ser um tiro no pé. Porquê? Porque se estiver apostado em ser feliz – um resultado de diversas acções e uma confluência de diversos factores – cria um tipo de expectativas que apenas origina frustração e, consequentemente, mal-estar. E nós vemos muito isto na nossa prática clínica – pessoas frustradas porque não estão a conseguir sentir-se como entendem que deveriam ou queriam, sendo que a armadilha aqui contida é que nenhum de nós consegue convocar um estado emocional só porque sim. Eu agora quero ser feliz. Vou concentrar-me muito. Vou fazer uma magia interna e chamar a felicidade. Não funcionou? Pois…

 

E então? Não fazemos nada por isso? Ora! Vamos lá voltar ao tema prosaico do dinheiro. Se quero usufruir de conforto financeiro, tenho de fazer por isso – a não ser que no meu futuro esteja alguma herança, claro. Tenho de trabalhar no duro. Tenho de estudar. Tenho de investir na especialização de conhecimentos e competências. Mas é nisso que está a minha atenção e é nesse sentido para o qual as minhas acções me dirigem. Para trabalho e estudo; não para dinheiro. Esse virá como resultado das acções que importam, com o tempo, com determinação – e provavelmente a conta-gotas e apenas o necessário 😉

 

Regressemos à felicidade. A atenção é como um foco de lanterna – metaforicamente falando, ou dirige o foco da lanterna para a esquerda ou para a direita. Se a sua atenção residir nas múltiplas formas da pergunta “Como é que eu vou ser feliz?”, seguramente não está direcionada para aquilo que, a médio e longo prazo, se constitui como a base do bem-estar humano: as relações interpessoais e o propósito de vida. Será o mesmo do que estar concentrado num destino onde quer ir e esquecer-se de fazer as malas e por-se a caminho!

 

Cuide das suas relações: familiares, de amizade, profissionais. Pense nos outros, esteja lá para eles e deixe que ocupem parte do seu espaço mental e de tempo. Partilhe sucessos e preocupações. Partilhe gargalhadas. Ofereça-lhes um ombro, quando a vida não lhes corre de feição. E mantenha-se alinhado consigo próprio, com os seus valores e princípios orientadores de vida; com aquilo que é verdadeiramente importante para si e se constitui uma visão abrangente do seu lugar e papel no mundo.

 

E a felicidade? Essa virá por certo. Sem esforço e sem que tenha de pensar nisso 🙂

 

Inspiração: Association for Psychological Science. “Happiness has a dark side.”, 2011

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