Depressão infantil 2017-04-02T07:20:38+00:00

O QUE É A DEPRESSÃO INFANTO-JUVENIL?

A depressão é um estado prolongado de grande tristeza, falta de energia e interesse pela vida. Durante muito tempo não se pensou em sofrimento psicológico associado às crianças, uma vez que a infância seria “a melhor fase da vida”.

Mas serão assim todas as crianças felizes e despreocupadas?

Um olhar atento sobre o comportamento de muitas crianças vieram mostrar o contrário. Nem todas as crianças são assim tão felizes. Estudos referem-nos que cerca de 2% das crianças sofrem de depressão grave, número esse que aumenta para 10% na adolescência. Perto de 40% das crianças em consulta de pedopsiquiatria apresentam diagnóstico estrutural de depressão. Em algumas estatísticas, o diagnóstico de depressão chega a estar representado em cerca de 50% das crianças e adolescentes observados.

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depressao na crianca e no adolescente

Depressão na criança e no adolescente

A depressão infantil pode não se parecer nada com uma depressão adulta, pelo que é fundamental que pais e educadores possam saber reconhecer os sintomas. Neste documento, encontra ainda alguns exercícios e sugestões para regular a fase inicial depressiva enquanto o seu filho não inicia um processo psicoterapêutico.

Depressão na criança e no adolescente

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SINTOMAS DA DEPRESSÃO INFANTO-JUVENIL

A sintomatologia depressiva na criança é muito diferente da do adulto e é de difícil reconhecimento, uma vez que pode assumir diversas formas. Mas esteja sobretudo atento às alterações de comportamento, estados emocionais e ritmos do dia-a-dia, como por exemplo:

  • Tristeza prolongada – através de um olhar ausente, de uma expressão facial séria, de um choro fácil ou da auto-depreciação.
  • Medos – Pode também aparecer um medo exagerado, intenso e duradouro de algo, de alguém, ou mesmo de que algo de mal poderá acontecer a qualquer momento.
  • Ansiedade
  • Culpa
  • Perturbações psicossomáticas – dores sem uma explicação física, dificuldades respiratórias, eczemas ou alergias da pele, infeções gerais, vómitos, tonturas, entre outras.
  • Alterações no sono e na alimentação – a criança pode perder o apetite ou, pelo contrário, surgir um aumento da tomada de alimentos.
    A criança pode ter dificuldades em adormecer, ter um sono agitado e pouco recuperador. Estas perturbações incorrem numa fadiga diurna, que prejudica o seu rendimento escolar e a impede de permanecer atenta. No entanto, a criança pode também dormir demais, tendo dificuldades em acordar e em se levantar de manhã.
  • Perda de energia, lentificação/inibição motora, procrastinação.
  • Regressão – presencia-se sobretudo nas crianças mais novas.
    A criança assume comportamentos que já havia ultrapassado e que são desadequados à sua idade, voltando a agarrar-se demasiado à mãe na presença de estranhos, falando de forma “abebezada”, voltando a fazer chichi na cama, ou voltando a ter brincadeiras que já não tinha e a utilizar brinquedos que já não lhe despertavam interesse.
  • Comportamentos estranhos, de isolamento e/ou agressivos – quanto mais velha é a criança mais a sua tristeza é exprimida através de comportamentos ou mesmo de palavras.
  • Dificuldades escolares – falta de concentração, falta de confiança em si própria, os sentimentos de inferioridade e o isolamento; perda de interesse e de prazer em atividades de que anteriormente gostava.
  • Comportamentos de instabilidade – passando de atividade em atividade sem conseguir manter a atenção – e de agressividade, através de atitudes incorretas em relação às outras crianças e/ou aos adultos.
    Poderá também adoptar rituais de atividades repetitivas e obsessivas.
  • Comportamentos de auto-mutilação – muitas vezes a grande dificuldade em compreender e expressar-se emocional e verbalmente, faz com que muitos jovens sintam a auto-mutilação como uma forma de “trocar” a dor emocional pela dor física ali visível aos seus olhos, aliviando o desconforto interno.
  • Pessimismo em relação à vida e ao futuro – muitas crianças e jovens adolescentes não conseguem projetar-se no futuro, construir planos e comunicar sonhos, pensando frequentemente que a vida não é suficientemente boa e não existe esperança numa mudança.
  • Auto – crítica e Auto – acusação – muitas crianças e jovens pensam que não têm valor, que são inferiores aos outros, que não prestam; sentem-se falhados, não gostam de si próprios; pensam que os outros não gostam deles, não são suficientemente bons aos olhos dos seus pais e da sua família; possuem uma auto-imagem negativa.

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Sintomas depressivos infanto-juvenis

Depressão nos mais novos

Sintomas depressivos para a faixa etária 7-17 anos

Há sintomas depressivos nos mais novos?

Sintomas depressivos

Ainda que não permita afirmar que existe ou não uma perturbação depressiva, este teste ajuda na tomada de decisão em relação a procurar um psicólogo para uma avaliação aprofundada.

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CAUSAS DA DEPRESSÃO INFANTO-JUVENIL

As causas podem ser muito diversas:

  • Perda real (por ex., a morte de um dos pais) ou simbólica de elementos significativos na sua vida (por ex., quando os pais estão fisicamente presentes, mas não o estão emocionalmente ou são muito ausentes);
  • Depressão dos pais –quando um dos pais está deprimido, é raro que a criança não sofra as consequências, uma vez que a relação de cuidador-cuidado pode estar muito comprometida.
  • Adaptações psicológicas normais no desenvolvimento, que se tornem demasiado difíceis para a criança, constituindo-se como um factor de risco para a depressão (ex. mudanças de escola, casa, amigos, nascimento de um irmão etc.);
  • Ambiente familiar instável e inseguro (ex. discussões frequentes, problemas económicos, famílias numerosa, práticas educativas muito severas e invasivas, etc.);
  • Maus tratos físicos e emocionais;
  • Abuso sexual;

 

  • Bullying;
  • Fatores biológicos (predisposição genética, baixa produção de serotonina e norepinefrina);

SOLUÇÕES PSICOTERAPÊUTICAS

Depois de efectuado o diagnóstico, a intervenção com uma criança deprimida implica a sensibilização dos pais para a importância do seu papel no tratamento, quer como pais, quer como interlocutores com a escola e grupo de pares.

Com a criança deve ser planeada:

  • Intervenção psicoterapêutica através do jogo – Ludoterapia (método de excelência para estabelecer relação terapêutica – sobretudo com crianças mais pequenas – bem como da sua expressão interna;

 

  • Recurso a práticas de Mindfulness para crianças (focar a atenção de uma maneira particular – de propósito, no momento presente e sem julgamento);

 

  • Abordagem EMDR (dessensibilização e reprocessamento de memórias traumáticas, pensamentos negativos/ auto-destrutivos, emoções com impacto negativo ou somatizações);

 

  • Abordagem Cognitivo-Comportamental (elaboração de um projecto pessoal com objectivos traçados, metas alcançadas…; diário pessoal, com registo de pensamentos e emoções – sobretudo para crianças mais velhas e adolescentes; Tabelas de situações positivas e negativas, etc.)

 

Em casos de maior gravidade, poderá ser benéfico o recurso a intervenção psicofarmacológica de modo a diminuir a gravidade dos sintomas para poder iniciar o trabalho psicoterapêutico.