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Depressões

Depressão ou Depressões

 


Depressão Pós-Parto

Autoria: Isabel Policarpo

.O que é a depressão pós-parto? Como o próprio nome indica trata-se de uma depressão, que ocorre dois ou três meses após o nascimento do bebé. Estudos realizados revelam que entre 10 a 15% das mulheres sofrem de depressão pós-parto. Distingue-se de uma depressão “comum”, não só pela sua estreita ligação com o parto e por na sua origem estarem dificuldades de adaptação ao papel da maternidade, mas também pelo relevo que assumem determinados sintomas, como por exemplo um imenso sentimento de culpa aliado a uma quebra acentuada da auto-estima da mãe, que decorrem de uma sensação de inaptidão no que toca à relação com o bebé e aos cuidados a prestar-lhe.

Importa ainda distinguir a depressão pós-parto dos blues, uma situação frequente que surge durante o primeiro mês após o parto e que está intimamente associada às inúmeras alterações hormonais que a mulher sofre com o término da gravidez. Ambiguidade de sentimentos, alternância entre períodos de tristeza e alegria, vontade de chorar sem motivo aparente, irritabilidade, falta de apetite e dificuldades em dormir, afiguram-se como os sintomas mais comuns dos blues.

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A depressão no casal

Autoria: Inês Alexandre

.A depressão de um dos elementos de um casal pode ser avassaladora para uma relação. Os testemunhos são muitos, e, infelizmente, algumas vezes o final não é feliz. Mas existem formas de mudar este final, como o demonstram alguns casais sabedores, muitas vezes sem o saber…

Dados recentes indicam que, em Portugal, um quarto da população sofre de depressão, cerca de 2,5 milhões de pessoas. A depressão é definida como um conjunto de sintomas, que vão desde sintomas físicos como a perda ou aumento do apetite e do peso, insónia ou hipersónia, fadiga, etc, a sintomas mais subjectivos como a perda de interesse pelas actividades que antes davam prazer, sentimento de inutilidade ou culpa, sensação de tristeza profunda. Nenhuma depressão é igual de pessoa para pessoa. De um modo geral, a depressão é uma forma de olhar o mundo e a vida: o futuro deixa de existir, tudo é visto de uma forma desesperantemente negra. Quem por lá passa diz que ninguém que nunca tenha passado por isso compreenderá o desespero. No entanto, a informação, o amor e a capacidade de empatia permitem uma ajuda eficaz por parte dos outros.

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Um assunto de família

Autoria: Catarina Mexia

.Os dados estatísticos relativos à depressão demonstram que, de facto, o número de deprimidos tem vindo a crescer de forma consistente nos últimos 50 anos e que esse crescimento se verifica sobretudo nas pessoas nascidas depois de 1945. Por sua vez, os sintomas depressivos têm vindo a surgir cada vez mais cedo, perto dos 20 anos, enquanto antes não seria de esperar encontrar pessoas com esta doença com menos de 30.

A análise dos dados de estudos transculturais tem demonstrado que, embora tenham vindo a ser descobertas causas associadas a factores individuais, bioquímicos e genéticos, esta é uma condição fortemente associada a factores culturais. Podemos encontrar inúmeros factores depressores na nossa cultura e, entre outros, destacam-se a facilidade de acesso a enormes quantidades de informação e a alteração da noção de tempo, causados pela súbita evolução tecnológica. Só desde 1945 devemos ter acumulado e criado mais formas de acesso a informação do que aquelas que produzimos até então.

Quanto maior é a quantidade de informação de que dispomos mais nos vemos forçados a roçar apenas a superfície, para evitarmos uma sobrecarga. Do ponto de vista psicológico somos levados a olhar esse excesso de informação de urna forma global, descurando o detalhe, o pormenor, donde resulta que, quando tentamos resolver um problema, tenhamos tendência para nos perdermos porque, frequentemente, a sua solução nos aparece dispersa, corno numa sucessão de pequenos objectivos. Assim, cresce em nós urna sensação de impotência perante os problemas, que nos faz senti-los como inultrapassáveis e que nos leva a desistir de resolvê-los antes mesmo de tentarmos. Mas esta grande mais-valia da revolução tecnológica — a economia de tempo — também contribui para o aparecimento da depressão na medida em que permite que tudo aconteça com maior rapidez, ao contrário do que se verifica nas relações interpessoais, valores e cultura, em que as mudanças ocorrem de uma forma muito mais lenta. Não podemos aprender a ser bons juízes de carácter num instante nem querer estabelecer uma relação amorosa perfeita de um dia para o outro. Este novo conceito aplica-se bem à tecnologia, trazendo-nos inúmeras vantagens, mas faz-nos esquecer de que é necessário muito tempo para vencer etapas e atingir objectivos no domínio das relações humanas. Talvez o exemplo mais próximo de muitos de nós se prenda com o facto de, ao partilharmos a intimidade tendo sexo com alguém, acharmos que imediatamente construímos uma relação, quando na realidade ainda nem conhecemos a pessoa.

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Auto-percepção de fracasso

Autoria: Francisco de Soure

.Durante o ano em que estive a exercer em Inglaterra, deparei-me com um homem que personificava o fenómeno da depressão. O Robert era um homem na casa dos 50 anos. Fiquei surpreendido quando entrou no consultório. Era um homem de baixa estatura, mas cuja postura contraída e hesitante fazia parecer ainda mais pequeno. A sua expressão facial denunciava uma enorme tristeza. Estava casado há mais de 30 anos com uma mulher que lhe tinha um enorme amor, e era notório o amor que sentia por ela. Ainda assim, já há 2 anos que se encontrava de baixa médica por aquilo a que chamava um esgotamento nervoso. Tendo um cargo de grande responsabilidade e pressão, a dada altura Robert deu por si incapaz de desempenhar as funções que lhe eram atribuídas. Convidaram-no a tirar algum tempo para recuperar. Foi o princípio de um pesadelo que durou dois anos. Quando nos conhecemos, Robert era uma eremita na sua própria casa. Não se relacionava com ninguém a não ser a sua mulher. Tinha-se afastado de todos os amigos, especialmente um casal amigo de quem era muito próximo. Em tempos tinha sido um grande interessado em bricolage, mas na altura não tinha passatempos. Rotulava qualquer “hobby” como uma perda de tempo, ainda para mais quando tinha a certeza que o que quer que fizesse estaria aquém das suas ambições. “Afinal”, dizia-me, “para quê estar a falhar mais uma vez’”. Era notória a forma como Robert exigia de si mesmo: era frequente ouvi-lo dizer que, se não fosse feito na perfeição, nada valia a pena fazer. Quando lhe perguntava quais eram as suas qualidades, era absolutamente incapaz de me apontar uma característica sua de que gostasse. Ainda para mais, recentemente sofria de uma dificuldade na audição que o fazia sentir-se completamente alienado dos outros ao seu redor, especialmente no ambiente atarefado e barulhento do seu local de trabalho. À primeira vista, Robert era apenas um homem com uma auto-estima em cacos. As nossas conversas foram-nos conduzindo por um caminho que iluminou muitas outras pistas para aquilo que o afligia. Robert contou-me que tinha tido um pai que toda a vida o tinha caracterizado como um “desperdício de espaço”. Sempre lhe tinha transmitido a sua profunda desilusão por ter um filho pouco inteligente, inútil, incapaz, em todos os aspectos um falhanço. Durante muitos anos Robert tinha vivido com este fardo, e tinha-se convencido que aquilo que o seu pai fazia de si era a mais pura das verdades.

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Adolescência, a caminho de que caminho(s)?

Autoria: Inês Mota

.Chegar à adolescência é chegar a esse período no qual ocorre uma mudança de estado e é passar a estar continuamente, durante esse período, nesse estado de mudança.

Chegar à adolescência é  atingir a puberdade fisiológica e passar a presenciar a transformação do próprio corpo. É poder, a partir de então, conhecer o corpo que se expande, é poder querer subtraír, renegar ou esconder esse mesmo conhecimento.

Emoções e Direcções

Chegar à adolescência é passar a estar nesse caminho de descoberta de si, daquele que crescendo, muda. É estar também nesse caminho dessa nova e renovada forma de sentir essa continuada mudança. Há de facto  no adolescer esse caminho da turbulência da vivência das emoções. Essa rebentação íntima, quase exagerada, desse novo mundo do sentir-se diferente- essa densidade da vivência das “emoções centrípetas”.

E concomitantemente a este caminho, mergulho para dentro, há um outro no sentido inverso, o salto para fora. Há essa vontade da conquista, da descoberta para além do que limita, há esse ímpeto de rasgar as fronteiras.

Há neste salto, uma atitude irrefletida no acto de sair ou de se afastar (sair de casa ou afastamento em relação àqueles que têm assumido a protecção), e há neste salto aventura  simultaneamente um desafio ambicionado que corresponde a um fenómeno de entrada (novos grupos de pares, novas actividades), constituindo-se assim este complexo movimento como um “saír entrando”. E há neste movimento o grito e o murmúrio que o acompanham, a vivência exteriorizada das “emoções centrífugas”.

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