Luto
Fazer do fim um recomeço
Perda… Só a palavra dói, mas viver com ela no dia-a-dia… por vezes parece pesado de mais, como se não fossemos aguentar… O problema é que, muitas vezes, somos quase que obrigados a cala-la, a fazer de conta que não a sentimos consumir-nos por dentro, como se nos afastasse cada vez mais da esperança de voltar a ser feliz.
Esta é a história do luto, perante o qual sentimos uma enorme impotência, questionamos, sentimos o peso da revolta e da culpa. Revolta pela impotência, porque não queremos aceitar, não queremos acreditar que temos de viver sem aquela pessoa, e culpa, pelo que se fez e não fez, pelo que se disse e não disse, por tudo e por nada!
Pelo referido, e pelo facto de cada vez mais na nossa prática clínica sentirmos que o luto é um fardo demasiado pesado, que carece de partilha, de compreensão, que sentimos a necessidade de fazer mais. Desta necessidade nasceu o grupo “Fazer do Fim um recomeço”. Este projecto constitui-se como um espaço seguro, onde quem tanto perdeu possa libertar os sentimentos que lhe pesam, mas com suporte.
Tal como a dor, tem um início, mas não um fim anunciado. O grupo mantém-se aberto, acolhendo a cada momento quem queira fazer parte, partilhar e reaprender uma nova vida, até fazer sentido, enquanto trouxer algum conforto às pessoas que perderam alguém que amam.
Reaprender a viver sem um bocado de nós, adaptar-nos à nova realidade e a tudo o que ela implica, conseguir tirar o melhor dos bons momentos, evitar o reflexo negativo da nossa dor nos que dependem de nós, visando a recuperação individual e a união familiar, são os motores que movem a acção deste grupo.
| “No aroma doce da tua memória
Reencontro a amizade que ficou Na angústia da saudade Que procura a vida que findou Aonde foste tu meu companheiro De viagens e travessuras Partiste deixando-me aqui Com sede de mais mil aventuras Apodrecendo nesta forma de ser A vida já transpira de cansaço Vivendo nesta forma de morrer Descanso na memória do teu regaço Até à vista do outro lado Ampara o percurso desta amiga No teu partir desenfreado Digo-te adeus comovida” Autora: Susanne França Diffley |
Seja por doença prolongada ou morte súbita, ninguém nos prepara… ninguém nos diz que a aquela dor visceral, que sentimos quando sabemos, vemos ou ouvimos a morte de alguém querido, nunca mais será esquecida. Ninguém nos avisa que aquela dor ficará gravada no nosso corpo, na nossa alma para sempre…
E depois vem o choque, a negação, o grito amargurado, o silêncio, o olhar durante horas para o vazio, a raiva e aquela insuportável tristeza. Sim, isto é o luto! Quem já viveu e sentiu a perda de alguém querido, sabe bem que esta é a verdade. Fazer do Fim um Recomeço está cá para si! Para o ouvir, apoiar e amparar nesta fase tão difícil e desafiadora da sua vida. Quem sabe… as ondas daquela dor avassaladora, possam ir diminuindo lentamente…ficando cada vez menos intensas…cada vez menos frequentes. Quem sabe se com o passar do tempo…você poderá acordar um dia, ir à janela e contemplar o sol, as flores e tornar a ouvir o cantar dos pássaros! Quem sabe…se um Fim… um dia, não pode ser um… Recomeço |












