Entregue-se a esta magia. Afinal de contas, é Natal!

Entregue-se a esta magia!

Paula Brito

O Natal é uma época maravilhosa não só por ser a mais festiva em todo o mundo, independentemente da fé de cada um, mas também por ser uma época de união e partilha. É muito mais do que um evento religioso. Tornou-se numa ocasião especial onde se reúne toda a família (ou pelo menos parte dela). E apesar da azáfama do nosso dia-a-dia, é uma época em que se procuram reforçar os laços afectivos com quem se ama. É uma época em que se acredita conseguir manter vivo o verdadeiro espírito do Natal: partilha, compaixão, generosidade e respeito.

Por estas e outras razões, é expectável que o Natal seja uma época de felicidade, de pensar com carinho nas pessoas que amamos, de passar um tempo agradável com quem está mais próximo de nós.  Apesar disso, subestimamos o que realmente é estar com quem gostamos. Muitos de nós substituímos os calorosos postais de boas festas em papel pelos emails impessoais, os telefonemas pelas mensagens generalistas nos telemóveis e nas redes sociais. Fomos renegando cada vez mais o contacto real (com família, amigos, colegas…). E, paralelamente a isso, sentimo-nos obrigados a reconhecer que somos invadidos por uma fúria consumista que quase se sobrepõe àquela que deveria ser a essência do Natal. É quase sempre uma época de grandes agitações, multiplicadas tarefas, gastos intermináveis e uma quase constante frustração por não termos conseguido o que queríamos… De uma forma resumida, é uma época em que somos assaltados por gastos supérfluos incentivados pelo “bem parecer”. Depois, passa o Natal e voltamos todos para a nossa realidade. Cada vez mais egocêntricos. Não de forma intencional, mas porque a sociedade actual assim nos exige. E, por vezes, esquecemos que aqueles de quem gostamos podem sentir-se cada vez mais sozinhos, isolados e até mesmo com sintomas depressivos.

Pense no que pretende para este Natal. Com quem quer passá-lo e de que forma. Defina o que é realmente fundamental para si e que concessões terá de fazer para que seja bom para si e para as pessoas que ama. Se conseguirmos ter a certeza do que queremos e como queremos que aconteça, mais facilmente podemos encaminhar as nossas alternativas nesse sentido.

O Natal poderia ser vivido com sorrisos mas, muitas vezes, é pautado pelo cansaço de quem tem trabalho para fazer e pela tristeza de não ter dinheiro para tudo. É importante sermos capazes de andar felizes numa altura em que todas as pessoas que nos amam em algum momento do dia pensam em nós. O Natal é a festa da família e não se resume à noite da consoada e à distribuição de presentes. É muito mais do que isso…

A melhor prenda que podemos dar a quem gostamos é o nosso afecto e humor. Esta é talvez, das alturas mais adequadas para demonstrarmos que temos sentimentos positivos e que conhecemos os sentimentos e desejos de quem gosta de nós. É uma oportunidade para celebrar a vida e reunir a família. Não há nada melhor do que o Natal em família (de sangue ou aquela que escolhemos) para demonstrar o quanto nos são queridos e especiais.

São muitas as coisas que as famílias podem fazer para tornar esta época ainda mais especial. Deixo-vos alguns exemplos:

  • Crie novas “tradições” familiares
  • Caso vá cozinhar acolha os mais próximos na sua cozinha e partilhe Não só promove a brincadeira entre pares como também pode transportá-lo para uma viagem até à sua própria infância recordando cheiros e sabores… Partilhes essas boas lembranças com os mais pequenos. Eles vão adorar!
  • Façam coisas em conjunto (enfeitar a árvore, escolher a música ambiente, embrulhos…)
  • Revejam fotos e/ou vídeos de momentos passados em família. Recorde momentos antigos e todas as mudanças que ocorreram desde então.
  • Junte a família e faça novas memórias. Guarde quem esteve presente neste Natal e deixe uma mensagem para mais tarde recordar. As novas recordações são tão importantes como as antigas.
  • Conte/crie novas histórias de Natal em família (conte histórias/lendas antigas ou simplesmente as suas próprias vivências nesta quadra festiva)
  • Crie e ajude os mais pequenos a criar os próprios presentes mostrando que mais do que o valor monetário da prenda, o que interessa é o amor e o carinho que colocamos na mesma.
  • Já que vai haver troca de presentes, torne esse momento especial (não só pelo presente em si mas pelo que este pode representar). Faça o clássico “amigo secreto”. A brincadeira ajuda a tornar o ambiente bem mais divertido.
  • É verdade que também há famílias desavindas. E que tal aproveitar esta época para fazer as pazes? Nem sempre é fácil, mas verifique se a revolta da desavença dá lugar à tristeza do tempo que já perderam por se terem afastado.
  • Não há famílias perfeitas e muitas pessoas aproveitam as reuniões natalícias para lavar a roupa suja. Não entre nesse jogo. Respire fundo, mude de tema ou simplesmente reflita que não é a melhor altura para aquela conversa. Crie um ambiente de festa que reduza ao mínimo a possibilidade de tensões.
  • É por excelência uma época de solidariedade. Porque é que não junta a família e ajuda alguém a ter um natal um pouco melhor? Faça voluntariado! Pode ser uma boa altura (se ainda não o fez) para fazer os mais novos entenderem que nem todos as mesmas condições de vida que a vossa família. Estimule-os a abrir os seus corações e a perceber o verdadeiro conceito de partilha. Junte a família e torne o Natal de alguém inesquecível.
  • Convença-se que vai ser um momento bem passado. Faça pausas.Nem que seja por 5 minutos e mantenha uma atitude positiva. Aproveite para se divertir.
  • Faça Jogos em família (mimica, cartas, damas, dominó, monopólio, caça ao tesouro …). Brinque muito e desfrute ao máximo da companhia da sua família. Estimule a valorização destes momentos.
  • Escreva pequenas mensagens personalizadas e coloque-as dentro dos casacos de cada um sem que estes se apercebam! Quando repararam vão sentir-se acarinhados.
  • Inaugure uma nova tradição. Tirem uma fotografia de família com as pessoas sempre nos mesmos lugares para verem a evolução de um ano para outro.
  • Observe bem tudo aquilo que se passa à sua volta: a forma como os seus familiares brincam, a maneira como se divertem, as histórias que contam e as caras de quem a está a ouvir… e aproveite para refletir sobre tudo aquilo que de bom tem na vida, tudo aquilo pelo qual é grato.
  • Façam um passeio a pé, vão à missa do galo, vejam de filmes de Natal, façam um pequeno-almoço de Natal em vez de almoço…  enfim, façam acontecer o Natal!

Durante o mês de Natal refletimos sobre as nossas vivências ao longo do ano. Não importa se temos ou não uma família convencional. Um Natal em família é reviver e redescobrir entre todos, o verdadeiro motivo pelo qual o comemoramos. É sinónimo de família, amor, união e alegria. Acredito que seja uma data para passarmos com as pessoas que amamos, seja família de sangue ou família de coração. O importante é que seja com aqueles que escolhemos para fazer parte de nossas vidas. Esteja em família e mostre que o espirito de Natal assenta no amor e partilha de afetos. Entregue-se a esta magia. Afinal de contas, é Natal!

 

2017-03-01T16:09:52+00:00 Dezembro 20th, 2016|Paula Brito, Reflexões, Uncategorized|