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Cláudia D. Rodrigues

Cláudia D. Rodrigues

Cláudia D. Rodrigues

A Psicologia foi a minha casa de partida. A Psicologia Clínica tornou-se essencial, por me oferecer liberdade de pensamento, e conhecimento científico da vida psíquica, subjectiva, e do seu contexto colectivo (também ele regulado por dinâmicas e normas próprias). Trata de dois campos que se intercomunicam com alguma complexidade, e que se ligam através de tensões e esforços inevitáveis. Falar da Clínica Psicológica é também falar de angústia e de sofrimento, porque aqui falamos de relações, de intenções, de vivências, e de formas de expressão.

Devido á exigência deste tipo de trabalho, procurei aprofundar e ampliar a minha capacidade reflexiva e relacional. Foi assim que as especializações em Psicoterapia foram fluindo, para mim como água, no trabalho com os meus pacientes. Apesar da experiência com quase todas as faixas etárias e em vários contextos, os trabalhos com adultos e com grupos têm vindo a constituir o meu maior investimento e interesse profissional, nomeadamente em processos de psicoterapia e em grupos de desenvolvimento pessoal e profissional.

O encontro terapêutico, que procuro através de uma abordagem Psicoterapêutica Existencial Integrativa e da Focalização Experiencial [I], tem sido o terreno mais fértil que posso oferecer a quem me procura. Em especial nos momentos mais sensíveis ou dolorosos, mas também quando há a necessidade de um desenvolvimento pessoal que precisa de atenção especial em determinado aspecto, para poder vir a ser fortalecido ou expandido.

A relação (de ajuda) psicoterapêutica, serve às pessoas que têm ansia de viver mais plenamente apesar de perceberem os seus medos, angústias, tensões, ou dificuldades. Na minha perspectiva, a Psicoterapia deve ser Cuidado, Relação, Diálogo, e Abertura à experiência, por isso, serve às pessoas que procuram:

– Vontade de se descobrirem mais inteiras (ou menos divididas ou fragmentadas);

– Formas de se reconhecerem nos seus actos e intenções;

– Condições para sentir mais coragem e tomar decisões com mais liberdade;

– Experiências de confiança e de suporte a partir de si mesmas;

– Condições mais favoráveis para se apoiarem e envolverem melhor nas/com as pessoas e as coisas que amam e desejam;

– Envolvimentos na vida do Mundo, fazendo verdadeiramente parte dele;

– Coerências entre corpo-razão-emoção;

– Congruências no seu projecto existencial, entre possibilidades e desejos.

Vejo o feio, o mau, e o louco como partes do belo, do bom, e do sublime; Vejo significados, circunstâncias, e interligações. Procuro pontes de entendimento e comunicação, e, por isso, não vejo doenças ou problemas isoladamente, não as/os vejo como desvios ou erros da natureza. Vejo cada pessoa como um todo, onde podemos identificar partes que pedem atenção especial, ou que esperam pelo momento mais conveniente para poderem ser integradas, junto com todas as outras dimensões que constituem a pessoa. Ninguém é exclusivamente “doente”, nem absoluta e definitivamente “são”. Todos estamos expostos à dupla condição de sermos frágeis e resistentes.

O sentido da vida descobre-se percebendo que reflectimos e sentimos, e, por isso, descobre-se vivendo e experimentando. Samuel Beckett disse: “Tentei sempre. Falhei sempre. Não interessa. Tento de novo. Falho melhor.[II]. Quando algo falha ou morre em nós é altura de escutar com mais atenção. É altura de Cuidar da nossa existência, e do sentido que lhe podemos e queremos dar. No espaço e no tempo da Psicoterapia podemos, em segurança, desafiar algumas zonas de conforto, experimentando viver também a ousadia de existir com consciência disso. Descobrir que somos, não só raízes soturnas e subterrâneas, mas também tronco, folhas e até flores.

Na minha perspectiva, as psicoterapias Existencial e Experiencial são processos inspirados na vida e nos seus movimentos naturais e essenciais. Parecem-me portanto úteis a pessoas que percebem ou sentem faltas, que falham, que sofrem, e que mesmo assim insistem não só em Sobreviver (como seres animais que somos), não só em Viver (como organismos bioquímicos e sociais), mas sobretudo a Existir (como pessoas autênticas, livres, congruentes, e (re)conectadas). Em psicoterapia, este caminho é feito na companhia de alguém que cuida de ajudar a explorar novas possibilidades, e a respeitar o que existe e o que fundamenta cada acção, cada intenção, e cada direção tomada.

 


 

[I] Tradução livre da autora para Focusing (Gendlin, E., 1960).

 

[II] Tradução livre da autora para a expressão original: “Ever traied. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.”.

 

 

  • Psicoterapeuta Titular, Psicoterapia Existencial (Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Existencial – SPPE), nº021;
  • Trainer e Psicoterapeuta de Orientação para o Focusing/ Focusing Oriented Pshychotherapy (SPPE / Focusing Institute de Nova York);
  • Mestre em Relação de Ajuda – Perspectivas da Psicoterapia Fenomenológico-Existencial (ISPA-IU/ Regent’s College School of Psychotherapy and Counselling de Londres);
  • Psicóloga Clínica (Instituto Superior de Psicologia Aplicada – ISPA-Instituto Universitário de Lisboa);
  • Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), nº 11711;
  • Prestadora de Cuidados de Saúde certificada pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), nºE118652.

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