Exigências de um novo projeto na vida do casal

Gustavo Pedrosa

Gustavo Pedrosa

No seio familiar, os projetos pessoais são importantíssimos, não porque tenham de ser vividos por todos mas porque geralmente todos acabam por vivê-los. Uma nova empresa, um novo cargo, um emprego extra, um trabalho no estrangeiro, um projeto especial, um MBA, um novo curso ou uma pós-graduação. É difícil que algumas destas situações acabem por não influenciar a vivência do casal ou familiar.

A ocupação que leva o cônjuge a ficar longe de casa ou do contacto familiar por períodos alargados geralmente cria problemas relacionais e de incompreensão pela decisão tomada. A sobrecarga de um dos cônjuges com as tarefas familiares ou a “simples” ausência levam a colocar em causa tudo o que de positivo traz o novo projeto. Nestas situações é sempre positivo haver partilha de emoções e de sentimentos que surgem durante as ausências, por parte de ambos os cônjuges. O sentimento de partilha das dificuldades permite uma melhor vivência e resulta em respostas mais funcionais às dificuldades que surgem. Também permite que ambos se valorizem no período vivido.

Quando o projeto pessoal está a “bloquear” os projetos familiares, como sejam a compra de uma casa, o planear da gravidez ou as simples férias anuais, o processo deverá ser o mesmo. Neste caso, a família deveria “estudar” todas as limitações futuras que eventualmente surjam, de forma a protegerem-se e a esperar pelas dificuldades.

Deixar temas, ideias, opiniões ou dúvidas em “aberto”, apenas porque o cônjuge quer ou deseja muito realizar o seu projeto pessoal, pode ter um efeito contrário ao desejado. Nesse caso, quando surgem as dificuldades, a comunicação está já “contaminada”, e as queixas podem ser vistas como um apontar o dedo já tardio, pois aí o envolvimento e a entrega já são tais que é difícil voltar atrás na decisão.

Por norma, o receio de magoar ou de desmotivar o cônjuge leva à existência de uma comunicação menos explícita, clara e verdadeira. Situação que por norma resulta, mais tarde, em maiores dificuldades na resolução de problemas e na partilha emocional.

2014-05-12T15:48:23+00:00 Maio 12th, 2014|Família, Gustavo Pedrosa, Terapia conjugal|