Existirmos: a que será que se destina?

 A questão colocada no título deste texto é um trecho da música “Cajuína”, na qual o cantor e compositor Caetano Veloso coloca com maestria essa pergunta feita por muitos de nós em uma ou muitas etapas de nossas vidas.

Acordamos certo dia, tocados ou não por acontecimentos traumáticos, e nos perguntamos para que afinal se destina nossa existência, nossa vida, nossas história? Existimos. Mesmo apesar de toda dor e delícia de viver. Certeza inicial, o existir é a premissa básica que nos permite reconhecer nossa presença no mundo. O ponto de partida para tomarmos (ou não) nossas vidas nas mãos e escolhermos os caminhos que irão trilhar nosso destino ou a forma como iremos reagir aos mesmos.

Viktor Frankl, psiquiatra e filósofo austríaco, afirma que existiria nos seres humanos uma busca e um desejo pelo “sentido” da vida. Frankl era judeu e sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, tendo utilizado essa experiência dramática para ampliar sua obra e visão de homem. A partir de tudo o que viveu e observou como prisioneiro de quatro campos de concentração nazistas, incluindo Auschwitz, o autor escreveu um de seus mais de 32 livros denominado: “Em busca de sentido”. Para ele, “nada proporciona melhor capacidade de superação e resistência aos problemas e dificuldades em geral do que a consciência de ter uma missão a cumprir na vida”.

Frankl reflete que não inventamos o sentido de nossas vidas, mas o descobrimos, pelas indagações que a vida nos traz. Ao pensar nessas perguntas que compõe o sentido de nossa existência, a Oficina de Psicologia Brasil oferece o Grupo de Propósito. A proposta destina-se a pessoas em busca da retomada do sentido da vida e do viver. Este grupo se propõe a ser um espaço de troca e reflexão, revisão da história de vida e regulação emocional de seus participantes. Foi criado “de propósito” para favorecer a ressignificação de eventos marcantes, bem como fortalecer as vivências positivas e auxiliar na busca de novos propósitos de vida. Para tanto, a arte será utilizada como ferramenta principal e as atividades terão caráter lúdico e terapêutico, aliado a técnicas consagradas, como Mindfulness e Terapia Cognitivo Comportamental.

O grupo terá a duração de oito sessões quinzenais, com temas desenvolvidos a partir de variações em torno do eixo central: o propósito. Este trabalho será realizado em prol da melhoria da qualidade de vida e do viver dos participantes.

“Apenas a matéria vida era tão fina”, nos afirma Caetano, inspirado por aquele encontro triste, porém belo, em que o pai de seu amigo falecido tenta consolá-lo oferecendo-lhe uma “rosa pequenina”, Enfim, acreditamos que diante de tamanha “fineza”, complexidade e beleza, a vida merece atenção, cuidado e, é claro, propósito!

Oficina de Psicologia de Belo Horizonte, Brasil

Cajuina, Caetano Veloso
Esta simples e bela canção foi composta após o suicídio de um amigo do compositor e o delicado encontro com o pai do amigo, “regado” a lágrimas (de Caetano, conforme o músico descreve) e Cajuína, uma bebida típica do nordeste brasileiro.

Carolina Peixoto
Carolina PeixotoPsicóloga/Psicodramatista e Terapeuta de EMDR
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2017-05-05T13:05:23+00:00 Maio 4th, 2017|Carolina Peixoto, OP BH Brasil, Psicoterapia, Reflexões, Uncategorized|
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