Falemos da sua vida profissional

Falemos sobre a sua vida profissional

Está satisfeito com a sua vida profissional? É que isto é importante. Não só porque representa 1/3 do seu dia  – se viver no século passado, porque neste o trabalho estende-se até permear cada segundo das nossas vidas – como porque a satisfação profissional tem impacto importante na sua satisfação geral. É difícil alguém sentir-se bem, de uma forma geral, se estiver mal no trabalho.

Por isso, compensa reflectir um pouco sobre as suas opções de carreira, esteja ela a dar os primeiros passos, ou seja já um experiente profissional de uma qualquer área.

Mas, em primeiro lugar, vai ter de deitar fora algumas coisas. Peço-lhe que vá buscar um caixote de lixo e o ponha agora ao seu lado, pronto para que lhe atire alguns temas. Isso mesmo: agora! O lixo. Faça-me a vontade e vá lá buscá-lo…

 

Toda a gente sabe que…

Toda a gente sabe que os tempos estão difíceis. E devem saber, porque trabalho há 40 anos e sempre ouvi isto, portanto a vida não está difícil; é difícil e a informação anda aí nas bocas do mundo…

Toda a gente sabe que só com cunhas se arranja trabalho. O que é estranho porque nunca tive nenhumas e sempre tive trabalho à farta.

Toda a gente sabe que só contratam gente nova. Mesmo que olhemos em volta e vejamos que há pessoas de todas as idades a serem contratadas e a terem as suas profissões.

Toda a gente sabe que não há trabalho. E, no entanto, estamos rodeados de uma economia que funciona, do supermercado ao banco abertos, passando pelos profissionais liberais a que recorremos e às infraestruturas que usamos e que apenas funciona porque existem profissionais que a fazem funcionar.

 

Lixo! Deite no lixo todas estas ideias preconcebidas, do “diz-se que”, “é sabido”, “toda a gente sabe”. Porque é que as deve deitar no lixo? Porque é lá que pertencem, dado o seu valor zero, numa processo de tomada de decisões profissionais aplicado à sua vida individual.

 

Escolher um trabalho compatível

O medo que me prende…

O ser humano está programado para recear o desconhecido, o não familiar, a incerteza, a dúvida quanto ao que que vai aparecer no dobrar da próxima esquina. É assim mesmo! Uma programação de base que nos protege porque faz disparar o estado de alerta e de atenção. Claro que todos nós variamos, em grau, no nosso nível de tolerância à incerteza, uns mais, outros menos, mas o aperto no estômago, quando pensamos em mudança, esse, está lá sempre. E do estômago sobe à cabeça – um gera aperto e dificulta as digestões; o outro produz pensamentos alinhados com esse aperto. E que pensamentos são esses? Se há uma sensação de medo ou receio no corpo, os pensamentos que surgem são aqueles que o justificam. Pensamos no primo, que se armou em carapau de corrida e saíu de um emprego que não prestava e olha lá agora, no desemprego há mais de um ano! Pensamos na colega da secretária ao lado, que achou boa ideia ir para aquela outra empresa e agora anda com cara de arrependimento. Pensamos na prestação da casa, no colégio dos filhos. Pensamos em tudo aquilo que são pensamentos de medo.

Não digo que estejam errados. Digo apenas que há sempre dois lados na mesma moeda e convém olhar para ambos. Há este lado que pondera as razões que sustêm a inacção, e que é forte porque está a ser alimentado por uma emoção poderosa, desenhada para nos proteger. E, por isso, temos sempre de fazer algum esforço para virar a moeda e olhar para as razões que também lá estão e que justificam (ou não) a acção, o salto para algo que pode ser o futuro, e que não há cartas que adivinhem.

Penso com a cabeça dos outros…

A amiga, com outra profissão completamente diferente, diz-me que. O pai, que conhece outro mundo, alerta-me que. Aos colegas de trabalho, pessoas diferentes de mim, oiço dizer que. Mas eu sou eu! Uma pessoa única, com uma história única e um conjunto de competências também único. Todos os ângulos sobre uma mesma questão contêm verdades e razões que lhes são próprios. E escutá-los enriquece-nos e faz parte de uma vida interconectada com os outros. Convém é não confundir “escuta” com “adopção”- ouvir é acrescentar uma cor ou detalhe ao quadro interno onde vou representando o meu entendimento da vida. Mas é o meu quadro, não o dos outros, e aquilo que se lhes aplica ou faz integral sentido para eles, apenas por mero acaso poderia ser solução para mim.

Buda disse: “Não coloques nenhuma cabeça acima da tua”. É um excelente conselho. Deite a cabeça dos outros no lixo! (mas não me entenda de uma forma literal, que as decapitações já estão fora de moda…)

 

Não sei quem sou…

A medida do sucesso é…? Ter uma boa casa, um bom carro, roupas de marca, um título profissional que cheira a respeitinho, de preferência director de qualquer coisa, filhos em colégios caros, férias na neve, viver numa área chique,…

Já pensou naquilo que, especificamente para si, seria uma boa medida de que está onde quer? É que os critérios que tudo e todos nos vendem como significando sucesso, cheiram a empréstimo a quem não tem os seus… Pessoalmente, sucesso para mim é poder trabalhar enquanto oiço o palrar das andorinhas, mesmo por cima da minha cabeça, cheio as flores de laranjeira a abrir, e contemplo a natureza que me rodeia. E troco tudo por isso, porque sei que assim como não sentimos as dores dos outros, também não usufruímos das suas alegrias – cada qual tem as suas e, por isso, tem de se conhecer e alinhar as suas definições e vida com o que lhe pertence exclusivamente a si.

Deite no lixo aquilo que os outros entendem ser bom para eles e parta à descoberta daquilo que verdadeiramente lhe importa a si!

Considere mudar de trabalho quando…

Há alturas na vida em que qualquer ansiedade quanto ao que nos espera deve ser posta no seu devido lugar. Sentadinha no sofá lá de casa, por exemplo, com ordens para não incomodar ninguém, porque há aspectos mais importantes que têm de ser considerados. Deixo-lhe 14 sinais que deve considerar como alertas de que tem mesmo que superar a ansiedade da mudança e… mudar!

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde
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2017-04-15T19:02:00+00:00 Abril 15th, 2017|Artigos, Carreira, Desenvolvimento Pessoal, Madalena Lobo|