Famílias sociais

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Gustavo Pedrosa

Gustavo Pedrosa

Quando iniciamos a vida familiar, não estamos apenas a criar um sistema nosso. Esse novo sistema vive integrado numa família alargada, num meio social, numa comunidade. Assim, quando existem problemas no nosso novo sistema familiar, também os restantes membros integrantes fazem parte dele… ou não?

Muitos dos casais com que nos cruzamos em terapia, preferem não transmitir às pessoas que os rodeiam, os problemas que vivenciam quotidianamente. Este factor traz-nos dois pontos essenciais que surgem frequentemente em sessão:

1 – Imagem;

2 – Normalidade.

No primeiro caso, a imagem que os casais transmitem é muito valorizada, perante os amigos, a sociedade em que estão inseridos e, especialmente, as famílias de origem.

Há até quem se aproveite da imagem familiar transmitida para potenciar o seu emprego, o seu negocio ou o seu potencial de trabalho.

Neste caso, os casais e as famílias tendem a cristalizar padrões comunicativos disfuncionais, a seguir “ideais familiares” com os quais muitas vezes não se identificam ou concordam, e a viver o contexto social como mais uma fonte de pressão, tensão e desconforto.

No segundo caso, que muitas vezes resulta do cuidado resultante da primeira questão (a imagem), os casais com problemas frequentemente questionam-nos se as suas discussões são normais ou naturais. Esta questão resulta de uma observação dos seus contactos sociais, das suas referencias familiares ou dos amigos mais próximos, que em muitos casos não relatam ou demonstram as dificuldades relacionais que eles próprios vivem, o que leva, especialmente aos homens, que partilham menos sentimentos e “informações emocionais” com os seus pares, a sentirem-se especialmente incomodados.

No entanto, durante o processo terapêutico, o próprio sistema familiar percebe e identifica diversas situações semelhantes à sua, vividas pelos outros, o que ajuda a ultrapassar o primeiro degrau na terapia. Só depois de aceitar que existe um problema da responsabilidade de ambos, que é comum nos restantes casais, conseguimos uma evolução terapêutica.

No entanto, não nos podemos esquecer que cada caso é uma caso. Da mesma forma que não há duas pessoas iguais, não haverão dois casais idênticos. Logo, a estranheza dos seus comportamentos e a necessidade de se encaixar num padrão social de aparente felicidade e bem-estar deve ser, primeiramente, desvalorizada.

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