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EMDR

Fobia de asfixia

Adolescente a comerEra uma vez uma menina, por aquelas idades que se convencionaram chamar de pré-adolescência. Um dia, ao jantar, esta menina apanhou um susto grande: engasgou-se a engolir um pedaço de carne e, desde esse dia e ao longo do mês seguinte, pouco ou nada comeu, dependendo quase exclusivamente de líquidos. Logo, um susto também dos pais, e dos grandes, claro.

Ao avaliar a situação, vimos que, ainda que os anos decorridos de vida não fossem muitos, já tinham ocorrido alguns episódios anteriores com alguma semelhança a este. E ainda durante a avaliação, ela foi rápida a escolher como o pior destes acontecimentos um engasgo ocorrido uns largos meses antes, em vez deste último que, aparentemente, era o grande culpado da reacção de evitamento à comida. De acordo com o modelo teórico subjacente ao EMDR, o efeito acumulado de experiências que codificamos de forma semelhante cria condições para um bloqueio negativo de natureza traumática, o que pode ser dissipado pela ajuda específica do processamento emocional com EMDR, permitindo ao cérebro integrar as experiências em redes associativas de memória úteis para a vivência da pessoa.

Por isso, dediquei uma sessão a um processamento rápido desse episódio que ela tinha escolhido como o pior, e preparei-me para sessões posteriores dedicadas a trabalhar as outras situações e ainda para lhe retirar a ansiedade antecipatória com eventos futuros relacionados com a alimentação com base em alimentos sólidos. E descobri que estava totalmente errada…

Se o EMDR é uma metodologia potente para trabalhar com adultos, com crianças e adolescentes, e mais ainda quando a queixa se refere a uma situação circunscrita a uma sequência traumática sem interrelação com experiências de vida afectivamente marcantes, aproxima-se de algo tão rápido e tão eficaz, que quase nos faz desconfiar dos resultados, apesar de bem concretos e indesmentíveis. De facto, após esta intervenção única, esta menina já comia normalmente, apenas com as esquisitices normais da idade e as preferências a que cada um de nós tem direito.

Foi um susto grande – ninguém vive sem comer – e poderia ter-se tornado em algo de muito grave se não tivesse sido tratado, mas é caso para agradecer o facto de a ciência nos oferecer, actualmente, formas eficazes de dar resposta a estas situações.

Aproveito para relembrar todos os psicólogos já formados pelo menos no nível 1 em EMDR, que existirá a primeira formação em Portugal dedicada a protocolos de crianças e adolescentes, já nos dias 15 e 16 de Outubro, sendo pouco provável que exista viabilidade para a repetir a curto/médio prazo, pelo que é uma oportunidade única de obter a certificação do Nível 1 em EMDR Crianças. Consulte as informações sobre o Curso EMDR Crianças aqui…

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