Fobia social na adolescência

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Maria João Matos

Maria João Matos

O seu filho fica com muito medo quando tem um teste de avaliação? Ler em voz alta em frente à turma ou ter de apresentar um trabalho oralmente é sempre motivo de grande tensão? Evita a todo o custo tirar dúvidas ou pedir ajuda a um professor? A possibilidade de ir ao quadro numa aula é muito angustiante? Evita as atividades extra-curriculares, jogos ou festas na escola?

A social surge cedo na vida dos seres humanos, mas costuma desaparecer com o desenvolvimento. É normal sentir ansiedade social em determinadas situações, no entanto, algumas pessoas sentem este tipo de ansiedade de forma tão intensa que as faz sofrer e perder oportunidades. Apesar de ocorrer precocemente, a fobia social inicia-se na adolescência e tende a ser crónica se não for diagnosticada a tempo, revelando-se como fator de risco para o desenvolvimento de outras perturbações.

Existem diferentes teorias quanto à origem da fobia social (genética, parental, traumática), contudo, apesar de várias investigações neste campo, é um tema que continua difícil de esclarecer. Assim, uma variedade de situações e fatores poderão ser responsáveis por desencadear a fobia social nos adolescentes. É primordial perceber os contextos em que ocorre o receio, interessando-nos pela explicação dos sintomas e respetiva intensidade. Os adolescentes com fobia social apresentam dificuldades nas suas capacidades sociais, como iniciar uma conversa com uma pessoa nova ou apresentar um trabalho, ou mesmo não conseguir sair à rua pelo medo de se cruzarem com pessoas. Nestas situações, os adolescentes experienciam um amplo leque de sintomas, que se repercutem no seu comportamento: a ansiedade e o evitamento, com interferências ao nível social, académico e ocupacional, estão presentes no dia a dia, levando à não concretização de desafios próprios desta fase do desenvolvimento, como namorar, terminar a escolaridade, construir a independência, desenvolver redes de suporte, entre outras situações que permitem a descoberta do mundo. A não concretização destes desafios tem interferências que podem prejudicar o prosseguimento dos estudos, a construção de uma carreira profissional ou até mesmo de laços afetivos (constituir família) na entrada da vida adulta.

A fobia social é uma das perturbações que mais prevalecem na população, e o maior desafio consiste em estarmos atentos às nossas crianças e adolescentes, identificando de forma precoce os sintomas referidos, pois apenas uma parte muito reduzida procura tratamento. Quanto mais cedo diagnosticada, mais cedo o adolescente conseguirá reconstruir um percurso que foi interrompido e realizar as tarefas inerentes ao seu desenvolvimento saudável e ao da família.

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