Impacto social da perturbação bipolar

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Isabel Policarpo

Isabel Policarpo

A perturbação bipolar é uma doença que para além dos efeitos negativos que tem para o próprio e para os seus familiares, comporta consequências importantes em termos sociais, pelo impacto social e económico que acarreta.

De acordo com dados recentes, sabe-se que a taxa de suicídio entre as pessoas com perturbação bipolar situa-se entre os 10 e os 15%.

Trata-se igualmente de uma das patologias mais associadas ao uso indevido de substâncias psicoativas. O abuso e a dependência de drogas e álcool é muito mais comum em pacientes bipolares, do que na população geral. Hoje sabe-se que entre 60% a 85% dos portadores de bipolaridade abusam do álcool alguma vez ao longo da sua vida. Diversos estudos têm demonstrado que em clínicas de alcoolismo 20 a 30% dos pacientes foram identificados como bipolares e cerca de 50% como depressivos.

Estudos realizados em prisões americanas revelaram ainda que 40 a 50% dos encarcerados são portadores da doença. Durante as crises de euforia, movidos pela impulsividade, é habitual as pessoas que sofrem de bipolaridade utilizarem meios violentos contra o seu oponente, podendo inclusive cometer homicídio.

Uma outra dimensão pertinente no que respeita ao impacto desta afecção prende-se com o padrão familiar subjacente à mesma. A perturbação bipolar parece ser mais frequentes entre os familiares biológicos de primeiro grau de indivíduos com ciclotimia, que entre a população em geral.

Alguns estudos indicam também que os familiares biológicos de primeiro grau de indivíduos com uma perturbação bipolar, correm riscos acrescidos de vir a desenvolver perturbação bipolar e depressão major em comparação com a população em geral.

É fundamental assegurar que há continuidade no tratamento, dado que só assim será possível evitar a recaída. É muito comum o paciente com bipolaridade interromper a terapia medicamentosa, confundindo frequentemente a estabilização da doença com a cura, contudo  a interrupção da medicação regra geral desencadeia novos episódios caracterizados seja pelo acréscimo de intensidade da depressão ou de maior exaltação na euforia.

Os estados de mania e depressão se não controlados por medicação, podem levar a surtos psicóticos profundos, que exigem intervenção psiquiátrica com antipsicóticos.

Relevante é ainda o facto de cerca de a 20-30% dos indivíduos com perturbação bipolar manterem alguns problemas de estabilidade e funcionamento mesmo que medicados, o que necessariamente contribui para o seu elevado impacto em termos económicos e sociais.

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