Jovens avós

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Maria de Fátima Ferro

Maria de Fátima Ferro

Normalmente, quando ouvimos falar dos avós, associamos à imagem estereotipada de alguém de cabelos brancos, cheirinho de alfazema, palavras doces, com um corpo ligeiramente envelhecido, passos lentos e com toda a disponibilidade para os seus netos. Esquecemos que, atualmente, existem avós que são jovens, de cabelo colorido, corpo são, que ainda mantêm a sua atividade profissional, alguns até divorciados e com segundas famílias. Já pertencem a essa classe mas ainda não estão reformados nem estão na terceira idade. Têm a vantagem de, tão cedo, conviverem com diferentes famílias geracionais, mas a desvantagem da pouca disponibilidade para ficarem com os seus netos.

Esta mudança de papeis nem sempre é fácil, porque de repente vêem-se com uma nova condição, que ainda parece estar associada a uma questão de mais idade. De uma forma inesperada contactam com a ideia de poderem estar a envelhecer e com as novas tarefas de uma avó ou de um avô, que procura educar os seus netos de acordo com a sua ação cultural e de acordo com os objetivos educativos dos pais.

Se virmos a história das famílias ao longo do tempo, apercebemo-nos que houve claras mudanças que foram compartilhadas coletivamente, e os lugares sociais ocupados sobretudo pelas mulheres, na sua relação com o mundo do trabalho e seio social, alteraram as suas conceções sobre a maternidade e sobre a sexualidade.

Hoje as avós integram uma geração precursora de mulheres que viveram mudanças significativas na organização familiar e doméstica, decorrentes da nova organização das cidades nas primeiras décadas do século XX. Pautadas pelo aumento do grau de escolarização e pela sua inserção no trabalho remunerado, garantem a sua independência e autonomia, mas estão totalmente preenchidas de tarefas, tornando mais difícil a conciliação com o que lhes é pedido de novo.

 

Com os movimentos feministas criou-se uma sociedade mais igualitária, sobretudo após os anos 60, que caracteriza as nossas jovens avós. Estas modelam a sua educação pela “pedagogia” do diálogo que permite espaços abertos para conversas sobre a afetividade, sexualidade, práticas contracetivas e de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Algumas destas mulheres incentivaram e ofereceram meios para que as suas filhas consultassem um médico antes que se iniciassem sexualmente. E não lhes propuseram um casamento formal depois de saberem que elas estavam grávidas, apesar de terem demonstrado a sua desaprovação por elas não terem seguido as suas orientações, e ainda pelo fato de não terem sido escolhidas para as confidências sobre as experiências afetivo-sexuais.

 

Por vezes acabam por ter que ter um papel reparador destas situações inusitadas, proporcionando-lhes, a gravidez ou a maternidade das suas filhas, o exercício de um papel de interajuda, que se manifesta na relação com o recém-nascido e, na aceitação das novas formas de relação entre a adolescente e o seu parceiro. Neste sentido algumas oferecem inclusive, um quarto de suas casas para que o jovem casal se possa instalar.

 

Atuam não apenas como segundos responsáveis pela sua família de origem, mas também como possíveis primeiros responsáveis de uma nova família o que torna complicada esta nova ideia em que têm que ser super-avós.

 

No entanto, estão sempre prontas! Aguardam a sua vez de apreciarem os netos, com expetativa. Estes chegam e rapidamente dominam os seus corações sem pedirem licença, muitas vezes desbravando caminhos desconhecidos, até delas próprias.

 

Abençoadas avós!

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