Luto e redes sociais

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Catarina Barra Vaz

Catarina Barra Vaz

Estamos permanentemente ligados nas redes sociais, partilhando estados, fotografias, normalmente de momentos agradáveis com a sensação de um contacto imediato com os outros. As mortes ainda recentes de Nelson Mandela e de Eusébio e os milhares de partilhas e comentários associados puseram-me a pensar na temática da morte nas redes sociais.

De facto, é natural que as redes sociais sejam usadas em momentos de perda, pois a sua imediaticidade e “omnipresença” permitem expressar a dor e receber mensagens de apoio num momento delicado, sentindo a compaixão de quem nos quer bem. Devido à evolução médica, vivemos cada vez menos em presença da morte. Já não se morre tanto em casa como antigamente, a esperança média de vida é maior, e as famílias vivem os seus lutos cada vez mais tarde, o que, apesar de bom, dificulta o processo de luto. Os próprios rituais são cada vez mais rápidos e quase só se tem direito a chorar quando ninguém vê nem escuta. É-nos cada vez mais difícil estar em contacto com a morte, e as redes sociais dão-nos uma distância desse contacto. Paradoxalmente, nas mesmas redes, tudo o que é publicado fica registado para sempre, não podendo ser apagado.

Agora imagine o seguinte cenário. Está emigrado num qualquer país asiático, com uma diferença de 8 horas em relação a Portugal. O seu irmão morre num acidente de viação de madrugada, e os seus pais, em choque, acham melhor só lhe comunicarem no dia seguinte. Você acorda, pega no telemóvel e vê o comentário de um amigo a lamentar a morte do seu irmão, o que você desconhecia. Dá que pensar, não dá?

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