Mapas do cérebro

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Quando o trauma sobrecarrega o sistema de auto-protecção de uma pessoa, as reacções automáticas e hormonais resultam em dissociação, fazendo com que as memórias do trauma sejam organizadas, pelo menos inicialmente, como fragmentos sensoriais e intensos estados emocionais, que podem não ter componentes linguísticos (Van der Kolk et al., 1997, cit. por Maxwell, 2003).

Estudos de Neuroimagem com pessoas traumatizadas, indicaram que as regiões do cérebro envolvidas na linguagem e comunicação (hemisfério esquerdo) estavam inactivas pelo trauma, enquanto as regiões do cérebro associadas ao sensorial e às imagens visuais (hemisfério direito) estavam activas (Rauch, et al, 1996, cit. por Maxwell, 2003).

Os estudos de Neuroimagem são consistentes com o entendimento clínico, de que as memórias traumáticas são assinaladas como sensações e imagens vividas, em oposição a uma forma verbal e narrativa (Herman, 1997 cit. por Maxwell, 2003). No entanto, para a integração da memória traumática na consciência, a memória narrativa é um aspecto essencial para o tratamento. O EMDR, tem assim sido proposto como um método para aceder e integrar memórias traumáticas.

Ao contrário das psicoterapias verbais, que incidem na capacidade inactiva do hemisfério esquerdo, o EMDR providencia um método não-verbal, que aparentemente estimula a actividade entre hemisférios, tornando possível para o indivíduo, aceder as memórias traumáticas e continuar a processá-las de forma adaptativa.

Segundo Shapiro (1995, cit. por Maxwell, 2003), as primeiras memórias, são consideradas como a base de muitas patologias. As memórias dos primeiros eventos estão gravadas/ presas no sistema nervoso, na forma de um estado dependente, ou seja da forma como a pessoa vê, ouve, sente, etc., ficou guardado da forma como foi originalmente experienciado e torna-se a fundação para as experiencias correntes da pessoa, envolvendo a auto-estima, a auto-eficácia, o auto-conceito, e a dinâmica relacional.

Em suma, a teoria do EMDR propõe restaurar o equilíbrio neuronal e permitir que a rede de memórias onde está a memória traumática, se associe a redes alargadas e assim proceder a uma compreensão adaptativa (Maxwell, 2003).

 

 

Maxwell, J.P. (2003). The Imprint of Childhood Physical and Emotional Abuse: A Case Study on the Use of EMDR to Address Anxiety and a Lack of Self-Esteem. [Electronic version]. Journal of Family Violence. 18(5), pp 281-293

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