Memórias – Perceber o processo (Parte I)

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Joana Fonseca

Joana Fonseca

Já pensou como surge a memória? O que acontece para que possa ter memórias? E porque temos a capacidade de recordar?

De acordo com Michel Habib*, o processo de memória tem obrigatoriamente de passar por três fases: a memorização, o armazenamento e a rememoração.

Entende-se por memorização a formação e construção de traços mnésicos, isto é, a aquisição de uma memória. Nesta fase o contexto vai influenciar a atenção e a motivação, que por sua vez têm uma enorme influência na aquisição da memória.

A segunda fase consiste no armazenamento, no qual a memória vai ser “consolidada”, assim que os traços mnésicos sejam conservados. Durante esta etapa, os traços podem ser alterados. Uma vez que a memória fica activa, a força do traço pode aumentar, ou um novo traço pode ser criado e associado ao original.

A terceira fase é a rememoração, ou recuperação. Caracteriza-se pelo acesso aos traços mnésicos já adquiridos e armazenados. Também nesta fase o contexto da aquisição da memória tem uma enorme influência. É mais fácil aceder a uma memória se o estado de espírito, o humor, o local ou outros elementos são idênticos aos do momento de aquisição da memória.

Existem vários tipos de memória conforme o tempo em que é possível aceder a ela (fase de rememoração). Uma memória começa sempre por ser sensorial, depois pode passar a ser primária (memória de curto prazo), secundária ou terciária (memória de longo prazo).

A memória sensorial tem a duração de menos de um segundo, equivale apenas à percepção feita no momento e ao curto armazenamento que vai permitir que se torne numa memória primária.

Por memória a curto prazo, ou primária, entende-se a que fica armazenada, e com acesso possível durante vários segundos.

Por fim, uma memória a longo prazo pode ser secundária ou terciária. Uma memória secundária dura minutos ou anos, enquanto uma terciária é permanente.

Existe mais de uma teoria quanto à passagem de uma memória de curto a longo prazo. Uma das teorias defende que uma memória a curto prazo pode, ou não, passar a memória a longo prazo (uma precede a outra). Outra teoria considera as memórias de curto e de longo prazo dois processos independentes.

Concluindo, a memória surge quando uma experiência é “guardada” (memorização), organizada (armazenamento) e recordada (rememoração). Sendo que estas três fases têm de acontecer para que a memória passe a existir. A nossa capacidade de recordar parte de um processo de memória realizado com sucesso, depende do contexto em que a memória foi adquirida, e é maior para memórias de longo prazo.


*Habib, M. (2003). “Bases neurológicas dos comportamentos”. Lisboa: Climepsi Editores.

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