Momentus (portugueses) “ Ao café…”

Andrea Oliveira

Andrea Oliveira

Se gosta de café, leia. Se não gosta, leia também!

A beleza que há num momento que sabe a café…

O aroma… que nos assalta antes ainda de poder ser visto…

A cor… A cremosidade castanha que, de tão forte identidade, se assume para nós assim, criando uma nova cor que, apesar de nova, não se deslinda da simplicidade e por isso se chama simplesmente “cor de café”.

E é então aí que ficamos, neste momento a dois de “café pensador”, que o sentimos quente, que o incorporamos silenciosa e cuidadosamente, tal é a vontade de o ter…

E que segredos (já) não partilhou com ele…?

A intimidade que nasce desta relação é como em qualquer outra, que só pode nascer assim… no silêncio, naquilo que é sentido e dito sem dizer… Na liberdade de se Ser e Sentir o Eu, o Outro, nessa relação. Onde não há lugar para o medo ou o “Se…”. É o que é, assim mesmo…

Se é possível criar tal momento, tal relação de intimidade com “o café-nosso de todos os dias” sabendo que ele termina, mas não nos preocupando com isso enquanto se está com ele nesse momento, nessa relação…. O que o/a impede de permitir sentir o Outro em Si, sem medo de ser fundido por esse Outro ou sem querer que Este se funda em Si e seja já outra coisa que não Ele/ Ela?

A perfeição que há na individualidade de cada um de nós perder-se-ia se sob o propósito da expressão máxima da alma humana – o Amor – se quisesse que o Outro fosse um prolongamento de Nós mesmos.

O que o/a faz temer que essa relação um dia se vá? O que o/a prende à falsa ideia de que o/a tem realmente, impedindo que o Outro possa ser aquilo que o sentido da vida lhe cumpre ser: Ele/Ela próprio/a!

Quanto está disposto/a a deixar de experienciar e vivenciar por isso, com isso, ficando num emaranhado/a de coisa nenhuma ao invés de aproveitar, conscientemente, esse encontro a meio-caminho?

Temos um medo enorme da perda, seja ela de que tipo for… Temos por isso de fazer um esforço para garantir que nos reprogramamos e deixamos de pensar que se prendermos o Outro na relação, ele fica para todo o sempre, independentemente do seu caminho de evolução e da sua vontade.

Queira Ele/Ela estar nessa relação porque sim… porque lhe faz todo o sentido não perder (lá está!) a oportunidade de aí estar…

E se acha que tudo isto se limita às relações de amor entre casais, desengane-se…

Pense agora na relação de amor que tem com o/a seu/sua filho/filha e leia de novo…

… Pense na relação que tem com o/a seu/sua irmão/irmã e leia de novo… Com o seu pai… Com a sua mãe e leia de novo….

E como o caminho se faz caminhando, não se culpabilize, esse não é nem será nunca o objetivo… Assuma só o compromisso de SER O QUE É, só que a cada dia, CADA VEZ MELHOR! 

2014-06-14T15:25:03+00:00 Junho 14th, 2014|Reflexões|