Ninguém é perfeito. E eu? Quero ser ninguém?

Todos nós gostamos de ser especiais e deixar a nossa marca por onde passamos. Gostamos que as coisas aconteçam da forma mais perfeita possível. No entanto, no fundo sabemos que a perfeição é pura ilusão. Fazer tudo de uma forma perfeita é impossível para qualquer ser humano. Ainda assim, desejamos secretamente ter esta ou aquela qualidade que vimos no outro e gostaríamos de ter para ser tão perfeitos como aquela pessoa (de fora as pessoas que admiramos parecem-nos perfeitas).

Mas… já parou para pensar em quantas vezes nos desiludimos?

Desiludimo-nos simplesmente porque colocamos a fasquia muito alta. Quando se procura ser perfeito em tudo o que se faz é certo que a determinado momento a pessoa irá ser invadida por sentimentos negativos associados a pensamentos depreciativos de si próprio e a pessoa entra numa espiral de desvalorização pessoal.

Ser perfeccionista para muitos é uma virtude mas essa mesma virtude pode facilmente converter-se em defeito se não a soubermos dosear adequadamente. Cada pessoa é única e não aceitável exigir nem de nós nem do outro aquilo que não é possível dar; a perfeição.

Lutar afincadamente pela perfeição é pedir o impossível.

 “…há um facto; ninguém é perfeito! Portanto, jamais exija de mim ou de quem quer que seja perfeição ou qualidades que nem mesmo você tem. Ninguém tem que ser igual a ninguém e sim a nós mesmos. O outro é somente o outro…”  Guy Barreto

 

A ideia de perfeição pode ser enganadora e tão assustadora ao ponto de nos paralisar.

Se se revê como uma pessoa perfeccionista, sugiro que faça uma pausa e procure reflectir sobre quem você realmente é? Pense no que gostaria de ser e/ou fazer sem filtros. Descubra em si aquilo que é mais profundo e verdadeiro, sem pensamento crítico ou juízo de valor.

 

Gostava que pensasse nestas questões;

  • Consegue caracterizar a sua personalidade sem se focar naquilo que dizem de si?
  • Consegue falar de si sem usar o estatuto social ou profissional, por exemplo?

 

Não se preocupe demasiado com o que os outros pensam. É impossível ser você mesmo e em simultâneo estar preocupado com o que falam ou pensam de si. Em vez de ser preocupar com isso, procure ser o mais genuíno possível. Ser fiel aos seus princípios e espere que gostem de si pelo que realmente é e não pelo que gostariam que fosse. É impossível agradar a todos mas com certeza sentir-se-á mais leve se o seu foco for, em primeira instância, agradar-se a si mesmo.

Ninguém é perfeito. Porque é que você teria que ser?

Todos, sem excepção, têm momentos bons e outros menos bons. Cabe a si trabalhar para melhorar aquilo que de alguma forma o incomoda. Mas não deve fazer disso, um objectivo inatingível. Não há ninguém que não cometa “erros”.

Não imagine os piores cenários nem idealize demais os acontecimentos futuros. Procure ser pragmático e tenha sempre em conta o factor “imprevisto” . Este poderá até jogar a seu favor. O facto de não ser tudo perfeitinho como idealizamos não é sinónimo de uma experiência menos boa.

Se sente que dá o melhor de si aos outros porque é que não dá o melhor de si a si mesmo? Com certeza já ouviu a expressão “Se não gostar de mim, quem gostará?”

Ninguém tem o direito de exigir que haja de determinada forma. Os seus comportamentos devem ser única e exclusivamente comandados por si. Pode até ter referências como fonte de inspiração mas nunca se compare a ninguém. Cada um tem o seu estilo próprio. As suas vivencias nunca serão iguais às de ninguém. Logo, a forma como reage aos acontecimentos também nunca poderão ser cópias de comportamentos de alguém que idealizamos. Não importa se as pessoas o vão julgar, elas não têm nada a ver com as suas escolhas. Encare as críticas sempre de forma positiva. Até porque ninguém o pode julgar por ser você mesmo.

 

Autora: Paula Brito

Psicóloga Clínica

2015-10-17T19:36:53+00:00 Outubro 17th, 2015|Desenvolvimento Pessoal|
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