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EMDR

O meu filho vai fazer EMDR?

Os adultos quando encontram um acontecimento difícil, assustador, ameaçador conseguem, geralmente, continuar a sua vida e olhar para esses acontecimentos como qualquer outra experiência. Com o EMDR, mesmo com os acontecimentos mais difíceis é possível que estes nos deixem continuar a caminhar pela vida fora.

ParentalidadeOs acontecimentos traumáticos deixam informações, como memórias, impressões, pensamentos e sentimentos, que não são totalmente processadas. Elas ficam “presas” no cérebro a perturbá-lo. Frequentemente, os sintomas que os pais descrevem na sua primeira consulta, decorrem de traços das experiências traumáticas.

Durante um tratamento através do EMDR pedimos à criança que se relembre do acontecimento assustador e que visualize, durante alguns instantes, uma imagem, um pensamento, uma sensação corporal e emoções relacionadas com esse acontecimento.

O psicólogo realiza, aquilo que chamamos, estimulação bilateral, através do movimento dos olhos ou do toque alternado no colo, ombros ou costas da criança. Entre períodos de estimulação bilateral perguntamos à criança que imagens, pensamentos e sensações corporais vão surgindo. Este processo ajuda a criança a completar o processamento inacabado do acontecimento que está “emperrado”.

Simultaneamente, ensinamos à criança formas de auto-relaxamento para usar quando se sentir oprimido pela ansiedade ou por sentimentos desagradáveis. No entanto, sabemos que não é o foco nas memórias que causa a dor. Estamos apenas a trazer para primeiro plano a dor e o medo que existe dentro da criança e que a perturba quando reaparece. O foco na dor ou medo, ao mesmo tempo que é processado o acontecimento desagradável, conduz ao enfraquecimento desses sentimentos e à descoberta de formas, muito pessoais, de lidar com eles.

É muito importante que os pais transmitam coragem ao filho para que no decorrer das consultas mostrarem os seus medos como habitualmente o fazem. Só dessa forma conseguirá completar o processamento do acontecimento doloroso e deixar para trás os seus medos, pesadelos e outros sintomas associados ao trauma. É também fundamental que nos informe sobre quaisquer alterações comportamentais que detecte. Poderemos pedir-lhe que esteja presente durante as sessões ou poderemos decidir que é mais benéfico para a criança estar em sessão sem os pais/cuidadores. Naturalmente, cada decisão tem em consideração as melhores condições para que o processamento ocorra.

Estando presente na sessão, desempenhará um papel activo, ajudando-nos a contar a história do evento ou ajudando a criança a acalmar-se durante o processamento. Com apoio, as crianças demonstram forças e recursos, uma vez que elas querem livrar-se dos seus sintomas problemáticos. A criança é influenciada pela resposta dos pais e consegue extrair deles sentimentos de segurança e força.

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