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O valor das expectativas

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Estamos aqui os dois como resultado de uma série de micro-decisões: de nos sentarmos, de clicarmos aqui ou ali, do que decidimos fazer neste momento, de o continuar ou não a fazer…

E estas decisões, sem que nos apercebamos conscientemente, são guiadas pelo nosso reservatório de experiências passadas, que nos vai informando sobre o que podemos esperar que seja mau e o que podemos esperar que seja bom. Dor, prazer. Recompensa, punição. “Que bom que isto vai ser” ou “Ai que eu não vou gostar nada do resultado”.

Num estudo recente interessante, conduzido pela University College London, os investigadores chegaram à conclusão que estas expectativas que todos temos em relação às consequências das nossas decisões são determinantes para o nível de felicidade sentido a cada momento. Naturalmente e, como seria de esperar, se a vida nos corre bem é suposto sentirmo-nos mais felizes do que se a vida nos correr mal. Mas não é disto que este estudo fala – os resultados são sobre duas coisas relacionadas com expectativas.

Em primeiro lugar, este estudo apurou que, se formos surpreendidos por um resultado positivo que não esperávamos, o nosso nível de felicidade sobe. E isto poderia dar razão às muitas pessoas que se treinaram para esperar sempre o pior, na esperança de que se o pior acontecer já estão preparadas para isso, mas se correr bem, serão agradavelmente surpreendidas e, logo, terão um “boost” de bem-estar.

 

Mas a história não termina aqui, porque os investigadores apuraram que se prevermos que algo vai ser agradável – que bom, amanhã vou tomar um café à beira-rio com aquele amigo- o nível de felicidade sentido aumenta logo no imediato.

E isto sim, são boas notícias, porque se refere a qualquer coisa que está sob o nosso controlo. Em vez de me ocupar mentalmente a traçar cenários negativistas, por temperamento pessoal, por me deixar arrastar pela corrente ansiosa ou na vaga esperança que assim me preparo para o vier o que der e vier, poderei decidir ocupar-me mentalmente com cenários agradáveis que vejo como possíveis e recompensadores dos meus actos futuros. E, nesses momentos, serei um pouquinho mais feliz.

 

Refª Robb B. Rutledge, Nikolina Skandali, Peter Dayan, and Raymond J. Dolan. A computational and neural model of momentary subjective well-beingPNAS, 2014 DOI: 10.1073/pnas.1407535111

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