O valor social das emoções

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Cristiana Pereira

Cristiana Pereira

Sabemos que as emoções que mostramos nem sempre são puras, genuínas e verdadeiras. Provocar emoções nos outros é uma prática comum, às vezes com fins bons e lícitos e outras, pelo contrário, para atingir objectivos interesseiros e mesquinhos.

Neste sentido, optei por partilhar consigo algumas características de determinadas emoções que podemos, frequentemente, lidar no nosso dia-a-dia.

A felicidade manifesta-se, sobretudo em forma de alegria. Esta tende a ser contagiante, partilhada e é talvez o gesto mais sociável de todos. Talvez seja a emoção que propicia mais momentos para fazer amigos. O seu grau de eficácia é tão grande que pode promover uma resposta favorável à pessoa à qual pedimos um favor que, muitas das vezes, embora estejamos longe de a sentir, fingimo-la.

Em determinados meios, sobretudo os relacionados com o mundo da imagem, nos quais se aceita uma certa impostura que parece fazer parte do ambiente, mas na vida diária pretende-se que, se manifestar, seja pela sua autenticidade. Para além disso, um sorriso e uma atitude cordial fazem parte da cortesia essencial e é óbvio que não nos passa pela cabeça aproximar-nos para pedir um favor com má cara devido ao mau dia que tivemos.

A surpresa é uma outra emoção que pode ser fingida. Quando, de repente, encontramos alguém conhecido que não é do nosso agrado e adoptamos uma expressão de surpresa favorável, é claro que os resultados que conseguimos são mais positivos do que acabarmos por mostrar o que realmente sentimos. A surpresa artificial é um gesto que temos bastante mais interiorizado do que pensamos, já que, recorremos a ele de forma espontânea, inclusive sem necessidade de termos realizado ensaios prévios.

A ansiedade, sendo uma resposta fisiológica ao medo que se costuma retroalimentar, pode levar a actos de total irracionalidade, bem como a reacções desproporcionadas. Apesar de o homem procurar o homem porque naturalmente precisa dele, as multidões e as aglomerações protagonizam muitas situações de terror que acabaram por se converter em verdadeiras catástrofes.

Uma das emoções mais temidas é a ira e, digamos que apresenta pouco prestígio. Não há dúvida de que em determinados contextos serve para estabelecer autoridade e manter o grupo coeso. Por exemplo, em grupos de delinquentes juvenis, costuma adoptar-se como líder quem tem mais tendência a deixar-se levar por ataques de fúria. Por outras palavras. trata-se de pessoas que não descobriram que existem outros valores de coesão muito mais gratificantes. Os seus padrões de actuação costumam ter, quase sistematicamente, origem nos prejudiciais modelos de infância.

E por último, falemos sobre o temor! Quando falamos sobre esta emoção não podemos esquecer que muitos dos métodos educativos ate há escassos anos estavam fundados no estabelecimento do medo. Para além disso, ainda hoje são utilizados esses métodos por alguns educadores, pais de família e esposo como ferramenta infalível “para que a coisa funcione e haja ordem.”

O terrorismo nas suas mais variadas formas conhece bem os efeitos que este sentimento causa e estabelece o seu modo operacional com todo o tipo de práticas destinadas a provocar um autêntico pavor. Há até quem opine que o medo colectivo constitui o factor mais importante da união social.

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