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Ortorexia: quando comer saudável se torna uma obsessão

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Filipa Jardim da SilvaUm novo tipo de desordem alimentar tem vindo a emergir, a Ortorexia ou Ortorexia Nervosa. Da Grécia “orthos” que significa direito e correto e “orexis” apetite, este transtorno surge quando a pessoa se torna obsessiva quanto à sua alimentação com vista a melhorar a sua saúde.

Contrariamente à anorexia ou bulimia em que a quantidade é o foco, aqui a qualidade assume o destaque: a pessoa permite-se comer mas adquire uma preocupação exagerada e permanente com o que come, permitindo-se ingerir apenas alimentos considerados saudáveis, investigando ao pormenor o conteúdo nutricional do que ingere.

 

Embora todos possamos beneficiar em cuidar da nossa alimentação, uma preocupação extrema em torno dos alimentos, sem permissão para em qualquer circunstância ingerir algum dos ditos alimentos proibidos, conduz inevitavelmente à perda de bem-estar.

Os ortoréxicos tendem a desenvolver as suas próprias regras alimentares, bastante específicas; dedicam muito tempo ao seu plano dietético auto-imposto, as refeições são planeadas com dias de antecedência, e os planos sociais são alterados ou recusados por questões alimentares. A disponibilidade e capacidade para desempenhar tarefas e concentrar-se pode começar a declinar à medida que a mente se ocupa cada vez mais apenas com a dieta alimentar e os alimentos que são permitidos. Seguir um regime destes é prova de uma grande força de vontade, pelo que tendencialmente estas pessoas consideram-se superiores às pessoas que não são capazes de semelhante autocontrolo.

 

De uma forma sintetizada, aqui ficam então alguns sinais de alerta:

– Examina cada pormenor do que se encontra em cada alimento que ingere? Considera o valor nutritivo dos alimentos mais importante do que o prazer que estes dão?

– Não sendo um profissional da área da nutrição, dá consigo a pensar em informação nutricional e alimentação mais do que 3h do dia?

– Considera a alimentação o foco principal dos seus dias e a preocupação maior da sua vida?

– Sente dificuldade em comer uma refeição preparada por outra pessoa?

– Rejeita consumir alimentos que gostava de consumir por alimentos “bons”?

– Tem melhorado a sua auto-estima por se alimentar de forma saudável?

– Sente-se em paz consigo mesmo e acredita que tem total controlo apenas quando come saudavelmente?

– Tem denotado uma menor socialização e restrição de algumas atividades em prol de uma alimentação saudável?

 

As fronteiras que separam a saúde da doença por vezes são mais ténues do que possamos julgar.

Como podemos então alcançar um equilíbrio correto para comer saudável, sem que se torne uma obsessão? Tal como em muitos outros aspetos da nossa vida, a chave é a moderação. Uma alteração nas escolhas alimentares deve ser gradual e de uma forma que motive, tendo em conta os gostos e o estilo de vida do indivíduo.

Comer de uma forma mais saudável tem efeitos verdadeiramente positivos na saúde, sermos mais criteriosos naquilo que ingerimos é por isso vantajoso, desde que não se torne no epicentro da nossa vida interferindo na capacidade de desfrutarmos o nosso dia-a-dia, trabalharmos ou nos relacionarmos com os outros.

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