Os gozões e os que se sentem gozados – parte 2

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Inês Afonso Marques

Inês Afonso Marques

As escolas são um contexto privilegiado para a aquisição de conhecimentos. Para além dos conteúdos dos manuais escolares, um vasto leque de competências são adquiridas ou potenciadas no contexto escolar, nomeadamente, as competências sociais. Na escola, crianças e jovens aprendem e treinam como iniciar conversas e como integrar-se em grupos, compreendem como aceitar o outro, respeitando diferentes maneiras de ser e estar, a partilhar emoções e motivações. O abuso continuado entre pares afecta tanto quem goza como quem é gozado. As vítimas sofrerão consequências particularmente ao nível da sua auto-confiança e auto-estima. Já os abusadores não desenvolverão uma imagem do ser humano adequada, responsável e socialmente aceite.

Embora ao longo do crescimento se possa assumir, em momentos e contextos diferentes, tanto o papel de gozão como o de gozado, o abuso continuado entre pares não é, de todo, um processo normativo. Assim, o papel dos pais e educadores é fundamental quer na prevenção, quer no acompanhamento, de situações em que uma provocação pontual se pode transformar em violência, física ou psicológica, entre pares.

 

Se o seu filho se sente gozado…

Pouco ou nada poderá fazer para impedir que as outras crianças gozem com o seu filho, mas poderá ajudar o seu filho a lidar com os comentários desagradáveis dos colegas.

Ser gozado dói. Demonstre empatia pelo sofrimento da criança, dando nome, ou ajudando-a a dar nome, aos sentimentos que ela poderá estar a sentir.

Encorage o seu filho a aproximar-se e a brincar com os amigos de quem mais gosta e com quem se sente bem.

Seja encorajador e mostre o que pode ser feito. O seu filho terá dificuldade em controlar o que as outras crianças dizem, mas ele tem o poder de decidir como reagir. Explore as ideias que a criança já tem sobre como reagir às palavras duras das outras crianças e procurem encontrar mais alternativas e a seleccionar as mais assertivas. Podem mesmo fazer alguns “teatros” para treinar.

Ensine o seu filho a pedir ajuda. No contexto escolar o professor pode desempenhar um importante papel, promovendo, na sala de aula, o estabelecimento de relações positivas.

Ajude o seu filho a perceber qual o objectivo da pessoa que goza – aborrecer o outro. Vais dar-lhe esse prazer? Então há algumas estratégias que podem funcionar…

1 – Dizer: Não gosto que me chamem nomes. Vou brincar com outra pessoa.

2 – Ignorar. Fingir que não ouviu.

3 – Usar o humor, dizendo em resposta a uma provocação uma palavra sem sentido no contexto.

És uma pirosa!

– Laranjas amarelas.

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