Os meus fantasmas

Como lidar com os meus fantasmas, se quase sempre nego a sua existência?

Os nossos fantasmas deveriam ser aquilo que nos impulsiona a mudar e raramente os enfrentamos, ou negamos tão somente a sua existência…. É tão fácil ser afirmativo: Eu não tenho fantasmas!

 

Os nossos fantasmas são o resultado dos nossos receios, dos nossos medos; medo de sonhar demasiado alto, medo de fracassar, medo de desiludir os outros e ainda o medo do conflito. E se não lidarmos com os nossos receios, os nossos medos, nunca sairemos de uma zona de conforto bem quentinha, mas onde nada se passa, pois tudo se repete indefinidamente e sem sentido. Sempre o mesmo, sempre igual.

 

A recusa em sonhar e em transformar os sonhos e desejos em objectivos claros, deve-se quase sempre à magnitude dos sonhos. Queremos fazer uma viagem de balão, mas deve ser demasiado caro, deve ser sazonal, deve ser preciso ir em grupo….. e nem sequer nos damos ao trabalho de pesquisar e perguntar a quem as organiza. E se for preciso arranjar um grupo? Já pensou que pode ser um bom organizador de um momento especial para o seu grupo de amigos, propondo um evento diferente, como um passeio de balão num dia ensolarado?

 

Se não perspectivar os seus sonhos, os seus desejos, nunca os transformará em planos concretos, através dos quais até poderá vir a descobrir talentos que nem imaginava que tinha e começar a dar-lhe prazer desenvolvê-los.

 

O fracasso já existe se não tentar; portanto, ter medo dele, de nada serve. As experiências do passado não ditam o resultado do presente, a não ser que repita o mesmo erro. Se aprendeu com um erro do passado, invista em fazer algo diferente agora, e vai ver que poder ter uma belíssima surpresa ao deparar-se com uma nova oportunidade e com a satisfação de ter tentado. Por vezes, essa é já suficientemente gratificante.

 

Mas ter medo do fracasso está intimamente ligado com o medo que temos em desiludir, em aborrecer aqueles que são importantes para nós, desde família, amigos e até conhecidos ou colegas. Ser sincero não é fácil, dizer “não” ainda menos, e se não for assertivo tudo se pode complicar ainda mais. Não encare os comportamentos dos outros como a personificação do que eles são. Por exemplo, um comportamento tão simples como chegar tarde, não significa que o outro não o respeite, mas sim que chegar tarde possa não ter o mesmo significado e a mesma importância para ele e daí ser percepcionado por ambos de maneira diferente. Evite o sempre e o nunca, mas seja claro ao afirmar o que não gosta e que percecpionou como uma falta de educação, consideração ou mesmo de respeito. Seja claro e sincero, não tomando o comportamento pela pessoa, que é importante para si, e não se feche em si próprio….

 

Mas isso vai gerar um conflito, uma discussão de 2 horas?  Nada mais pacificador do que poder partilhar com alguém que nos é importante, o que gostamos e não gostamos, se pedem desculpas sinceramente por determinado comportamento ou situação e se percebe com clareza e sem ambiguidade o que o outro gosta e não gosta, para podermos alterar a nossa atitude sem ressabiamentos, sem sempre e sem promessas de que nunca mais vai voltar a acontecer. Provavelmente vai, mas aí sabe como reagir e pelo menos aceitar a explicação que o outro lhe der sem antecipadamente o acusar de que é sempre assim.

 

Lidar com os seus fantasmas significa mudar de hábitos e sair da sua zona de conforto. Um hábito muda-se num prazo de 21 a 25 dias; repetindo a mesma acção até a interiorizar e se tornar num comportamento “automático”. Mas se parece fácil, fique certo que não é. E quanto mais fácil lhe parecer, mais fácil é de claudicar no meio do processo por esquecimento.

 

Se quer alterar os seus hábitos tóxicos, que lhe alimentam os seus fantasmas, um coach poderá ser o grilinho consciência que o acompanha ao longo deste processo de descoberta dos seus fantasmas, de onde os arrumar ou fazer desaparecer. Com leveza, clareza e a certeza de que vale a pena.

Emília Alves
Emília AlvesCoach
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2017-04-11T11:28:31+00:00 Março 26th, 2017|Artigos, Coaching, Emília Alves|