Palavras que não chegam, gestos que não falam

Ana Oliveira

Ana Oliveira

Este é um fenómeno que acontece no ciclo da família em que os filhos partem nos seus projetos individuais (trabalho, casamento, etc) e de repente os pais olham em redor e o «ninho» está literalmente vazio.

Hoje em dia os filhos cada vez mais adiam a saída de casa dos pais por causa dos estudos, das dificuldades de emprego, das questões habitacionais, dos problemas económicos, da necessidade de maior maturidade para o casamento e para a parentalidade, etc. E assim vão prolongando a sua estadia em casa dos pais.Contudo, esta fase pode ser vista como um problema, pois não o casal não prestou atenção às mudanças que foram ocorrendo um no outro, que já não conversam um com o outro, não têm assuntos em comum além dos filhos. Chegam a sentir-se como verdadeiros estranhos no mesmo espaço a ver as mesmas coisas.

Durante este período muitas questões surgem para lidar, principalmente, a saída em si, abrindo para a reentrada. Explicando melhor o que isto significa, o desafio maior é o de facilitar a saída dos filhos de casa dos pais aliando estes dois movimentos que parecem contraditórios mas não são, pois em simultâneo, bom afastamento possibilita a boa reentrada.

Os filhos precisam que os pais continuem a ser figuras disponíveis que os apoiam e os pais necessitam de igual modo de sentir que os filhos os consideram assim.

Por outro lado, esta transformação no papel de pais também pode ser uma oportunidade do casal se redescobrir e voltar a investir na relação a dois. Mais tempo livre para estar juntos e reavivar o romance com mais maturidade.

Uma sondagem realizada em 2010, no Reino Unido, com pais de jovens que saíram de casa há pouco tempo revelou as seguintes vantagens, em termos gerais: os pais sentiram-se mais jovens, passaram a ter mensalmente mais dinheiro disponível, aumentaram o leque de amigos, experimentaram novos hobbies e sentiram que a relação do casal melhorou.

Cada etapa do ciclo da família reveste-se de tarefas e desafios aos quais, por definição, a própria família tem competências para resolver.

 

 

Bibliografia

Alarcão, M. (2000) (des) Equilíbrios Familiares. Quarteto

Greenberg, L. (2000) As emoções nosso guia interior.

2015-02-15T16:13:30+00:00 Fevereiro 15th, 2015|Ana Oliveira, Família, Terapia conjugal|