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Para o stress infernal, um GPS especial

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Francisco Gonçalves Ferreira

Francisco Gonçalves Ferreira

As conjunturas atuais há muito que desafiam pais e mães na sua capacidade para responder às exigências e obstáculos de uma saudável articulação entre trabalho e família. Hoje os pais querem-se disponíveis e afectuosos e as mães querem-se supermulheres. Não há nada a fazer, por mais que os tempos mudem e que as consciências demonstrem, por A mais B, que a capacidade para educar alguém não depende de uma disponibilidade temporal, mas muito mais de uma disponibilidade mental, emocional, afetiva, homens e mulheres continuam a ter que combater diariamente – bebendo café, tomando comprimidos, zangando-se com os patrões e arriscando postos de trabalho – para conseguir trabalhar com entusiasmo muitas horas, para que os deixem sair um pouco mais cedo, com entusiasmo, para irem buscar os filhos com entusiasmo, e, finalmente, em casa, com entusiasmo, cozinhar a meia hora de tempo que lhes resta para tentarem a tão defendida “qualidade do tempo familiar”. Enquanto os constrangimentos sociais, económicos e políticos não nos validam a necessidade de uma qualidade mais humana, deixe-me sugerir-lhe uma estratégia prática para gerir o seu tempo e o seu stress durante o dia, que lhe permite deixar o espírito mais leve e preparado para poder devolver um sorriso de qualidade aos filhos e companheiro/a na hora do reencontro.

Trata-se de um GPS especial, porque é emocional. Permitirá definir coordenadas específicas na sua semana para concentrar energias num determinado momento, aliviando energias noutro determinado momento, porventura aquele em que necessita de ter a cabeça fresca para tomar decisões, realizar tarefas, resolver problemas. Funciona assim:

1)     Procure lembrar-se de um dos últimos dias em que chegou a casa com um terrível sentimento de esgotamento, de falhanço, de frustração, ou outro que associe à dificuldade de gestão do seu dia. Se foi hoje, tem a memória bem presente e pode passar ao ponto 2.

2)     Procure definir como se sente como pessoa relativamente a esse sentimento. Por exemplo, há quem se sinta desorganizado, indeciso, incompetente, inseguro, etc.

3)     Localize e defina uma hora no seu calendário ou agenda que passará a dedicar exclusivamente a esse sentimento. Aponte-a no seu calendário ou agenda e dê-lhe o nome devido. Por exemplo, se se tem sentido principalmente desorganizado, essa hora será marcada como “hora da desorganização”, ou então “hora da incompetência”, etc.

4)     Depois de marcada a hora na sua agenda, iniciará, no dia seguinte, a sua semana de forma diferente. Todos os momentos em que se sentir, por exemplo, desorganizado, aponte num papel o que está a sentir e o que repara em si ou à sua volta e guarde num envelope que voltará a abrir apenas na “hora da desorganização” que tiver designado no seu calendário semanal. Não lhe dedique mais tempo nem importância que não seja a de conseguir apontar no papel. Faça o mesmo para todos os momentos semelhantes, aponte em papéis o que sente e vá guardando tudo no mesmo envelope.

5)     Quando chegar a hora que selecionou para dedicar ao sentimento negativo, dedique-se de facto a ele. Escolha um local sossegado onde possa, sem ser incomodado, abrir o envelope e ler, com calma, o que foi apontando ao longo da semana. Leia o que escreveu nos papéis e, com base nos apontamentos, defina uma estratégia para mudar qualquer coisa. Por exemplo, se tem andado a reparar que quando se inerva, o sangue lhe sobe à cabeça, pense numa estratégia que lhe permita, nessas alturas, sentir melhor os pés.

6)     Tente, ao mesmo tempo, nessa hora, viver o sentimento em questão. Tente por exemplo aumentá-lo. Conseguir aumentar um sentimento significa também controlá-lo e por isso contribui para o seu alivio. Por exemplo, se se tem sentido desorganizado, tente perceber como poderia experimentar durante essa hora um aumento da sua desorganização. Espalhar coisas? Perder-se? Dizer palavras sem sentido? Fechar os olhos? Ler as frases de uma publicidade ao contrário? Entrar num prédio que não conhece? Desenhar uma casa de olhos fechados? O que se lembra mais?

7)     Acabada a hora, reorganize-se. Amanhã voltará para o trabalho e voltará a escrever bilhetes para a “hora dos sentimentos pesados”. Deverá colocar em ação uma das estratégias que planificou no ponto 5.

8)     Na próxima semana, volte a repetir os mesmos passos, tentando viver com a mesma intensidade a sua “hora pesada”. Dedique uma especial atenção ao que mudou nos papelinhos, de uma semana para a outra.

 

Não temos que mudar o mundo inteiro quando queremos mudar qualquer coisa dentro de nós. O GPS emocional permite-lhe dedicar um tempo muito concreto a um assunto pessoal que, de certa forma sente que se arrasta consigo há muito tempo. É que se identificar as coordenadas da sua localização emocional, mais facilmente encontrará as estradas que o transportarão para o mundo emocional dos outros. Não é afinal desse encontro que se faz a qualidade do tempo?

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