Pensas que não, mas eu digo que sim!

Inês Custódio

Inês Custódio

Grande problema o dos pensamentos. Arriscar-me-ia a dizer que ninguém está inteiramente satisfeito com a cabeça que nos calhou e nesta vida não temos talão de troca… Ora porque pensamos de mais, ora porque nos falta concentração, porque temos demasiados pensamentos negativos, pensamentos desencorajadores que não ajudam… Enfim, todos nós deitaríamos algum lixo mental borda fora, se o conseguíssemos fazer (e que bom que seria!).

Mas a verdade é que na nossa mente nada vai inteiramente fora, por mais que o desejemos, por mais que nos esforcemos… De certeza que já tentou, colocar de lado aquele pensamento negativo que insistia em aparecer. Teve sucesso? Ele desapareceu por completo da sua vida? Arrisco-me a dizer com grande certeza que esse “danado” voltou, porque nada vai fora. Daí o meu desafio ser: conseguirmos dizer à nossa mente: “Pensas que não. Mas eu digo sim”. Porquê? Porque pensar e fazer são duas coisas completamente diferentes e porque apesar de não podermos alterar os nossos pensamentos, podemos não fazer o que eles nos dizem!

Eu sei que à primeira vista, ou à primeira leitura, isto parece um tanto ou quanto estranho e até duvidoso. Mas se remexer no seu baú de memórias, certamente lhe surgirá uma situação em que a sua mente acreditou que não conseguiria fazer algo e , assim só para chatear a cabeça, terminámos uma tese, ultrapassámos uma dificuldade séria, fizemos a formação que tanto queríamos, conseguimos viver sozinhos, resolvemos o problema com o nosso patrão e um sem número de coisas que a cabeça teimava dizer “impossível”, “não vais conseguir”… Ora pense bem para trás, desde de criança que a sua mente tem esta história e desde dessa altura tem vindo a desafiá-la sem se aperceber disso. Por vezes, todas as cabeças dizem não, mas nós dizemos sim!

Agora que ativou alguns dos seus recursos passados, não ficamos por aqui, pois se continuou a ler este texto é porque esta não é a história da sua vida e muitas vezes tem imperado a regra da cabeça diz não e eu… bem, eu fico na minha concha e acredito que ela deve ter razão. Pois bem! Aqui entra a parte em que fazemos algo quanto a esta questão. Vamos então retomar a questão de pensamentos serem diferentes de ações e vamos então ver porquê:

Um pensamento: na maioria das vezes refere-se a um juízo automático, uma forma de a nossa mente nos categorizar a nós e ao mundo (muito útil em certas circunstancias, mas facilmente dispensado noutras). Diga-se de passagem, que a mente por vezes é muito pobrezinha, ficando pelo bom-mau; capaz-incapaz; bonito-feio; agradável-desagradável… e por aí fora. Bem limitado para o mundo em que vivemos e para as pessoas ricas que somos. O problema é que apesar de pobrezinha, a nossa cabeça tem sempre algo a dizer e por isso damos por nós com pensamentos recorrentes, sobre os quais pouco controlo temos. Por muito força que façamos não conseguimos que a cabeça não ajuíze tudo.

Um comportamento: por outro lado, no plano da ação tudo muda, apesar de por vezes parecer que também reagimos de forma automática e com pouco controlo, a verdade é que o comportamento pode e deve depender da nossa vontade. Se pensar bem, temos sempre uma escolha sobre fazer ou não fazer e é aqui que podemos ser juízes da nossa vida em vez de a deixarmos “nas mãos” da nossa mente.

 

Podemos então ser um pouco mais práticos e ver algumas estratégias que nos podem ajudar neste caminho de separar o pensar do fazer:

  1. Conheça a sua mente. Esteja atento aos pensamentos mais difíceis ou mais negativos, se necessários pode mesmo escrevê-los em vários momentos do seu dia.
  2. Utilize mais vezes o ponto de interrogação. Isto é, questione-se sobre a veracidade ou importância desses pensamentos. Não deixe que a cabeça fique com todas as certezas, aos poucos pode semear a dúvida.
  3. Lide com as emoções. Uma vez que os nossos pensamentos despertam muitas emoções (aqui uma espécie de aliadas do não fazer nada), é muito importante lidar com elas utilizando estratégias de mindfulness ou relaxamento, para tranquilizarmos um pouco este vulcão.
  4. Decida o que é importante para si. Quem manda não é a cabeça, mas o dono da cabeça, faça uso da sua autoridade e decida pelo que deseja realmente. Todos nós sabemos, bem no fundo, qual a pessoa que queremos ser, encontre a sua.
  5. Aja, faça, altere, mude. Finalmente, só o comportamento dará real sentido à sua vida e a si.

Lembre-se que todos nós podemos assumir o controlo que realmente é nosso, o poder de alterar o nosso comportamento. Em vez de discutir tanto com a sua mente, o meu desafio é que possa “pegar no volante” da sua vida e dirigi-la realmente. Não lhe prometo que vai ser fácil, muito pelo contrário, só posso alertar que em alguns momentos vai ser difícil, mas valerá a pena por poder dizer que sim! Simplesmente isso, um sim redondo à forma como quer viver a sua vida!

2015-11-01T16:08:56+00:00 Novembro 1st, 2015|Desenvolvimento Pessoal, Inês Custódio|
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