Perturbação Obsessiva-Compulsiva

“A incerteza dos acontecimentos é sempre mais difícil de suportar que o próprio acontecimento.”
Jean Massillon

Perturbação obsessivo-compulsiva“Saio de casa, entro no elevador…será que fechei bem a porta de casa? Não, hoje não vou verificar, deve ter ficado bem fechada. Chego ao carro, vou para o trabalho. Mas, e se a porta não ficou bem fechada? Podem-me assaltar a casa. Devia voltar para ver se está bem fechada. Mas já estou quase a chegar ao trabalho e se voltar para trás chego atrasado. Mas, e se a porta ficou aberta? Podem assaltar-me a casa, ou podem lá entrar estranhos, ou… depois a minha mulher culpa-me por não a ter fechado. Dou meia volta e volto para casa, mesmo sabendo que já vou chegar atrasado. Chego a casa, estava fechada, mas para ter a certeza que ficou bem vou confirmar 5 vezes. Que estupidez. Agora sim, vou descansado para o trabalho. 9h20, já devia ter chegado há 20 minutos atrás, entro no elevador. Será que fechei o carro?”

A perturbação Obsessiva-Compulsiva é uma das perturbações de ansiedade que provoca mais desgaste físico, emocional e intelectual. É actualmente reconhecida como a quarta perturbação psicológica mais expressiva na sua prevalência, ao contrário do que acontecia nos anos 60 onde se acreditava que esta perturbação era rara.

Mas afinal o que é a perturbação obsessiva-compulsiva? Vamos por partes!

As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens mentais persistentes e desagradáveis, que aparecem de forma intrusiva e que resistem a desaparecer apesar dos esforços da pessoa, causando desta forma elevada ansiedade e sofrimento. As obsessões mais comuns são dúvidas repetidas (por exemplo, se a porta ficou mal fechada), pensamentos de contaminação (por exemplo, ter ficado contaminado com apertos de mãos), pensamentos e imagens intrusivas e desagradáveis de natureza sexual, necessidade de contar, perguntar, confessar, necessidade de organizar os objectos numa determinada ordem.

Quando as obsessões existem a pessoa tenta ignorar esses pensamentos ou neutralizá-los com uma compulsão. Por exemplo, se uma pessoa está com uma obsessão de não saber se deixou ou não a porta de casa fechada, procura neutralizar essa dúvida verificando repetidamente que a porta está fechada.

Portanto, as compulsões são comportamentos repetitivos (como por exemplo, lavagens, verificações, bater, tocar, esfregar -determinados objectos, partes do corpo, entre outros) ou actos mentais (orar, contar, repetir palavras em silêncio) que têm como objectivo reduzir a ansiedade ou o sofrimento.

As pessoas com esta perturbação têm consciência de que as suas obsessões e compulsões são irracionais, excessivas ou mesmo absurdas, mas não conseguem ter controlo sobre elas, sentindo-se bastante angustiantes, fracas e/ou até”malucas”.

Hoje em dia existem tratamentos eficazes para esta perturbação, nomeadamente a farmacologia e a intervenção psicoterapêutica de abordagem cognitivo-comportamental!

 

Autora: Cláudia Pereira

2017-06-12T09:59:20+00:00 Março 20th, 2014|Perturbação obsessiva-compulsiva, Vários autores|

5 Comentários

  1. Manuel Ferreira 06/10/2014 at 18:08

    Olá boa tarde teve recentemente uns problemas e recorri a um Psiquiatra no qual me receitou uns medicamentos ou seja calmantes, após 15 dias de tratamento teve que os largar devido a efeitos contrários causando-me ataques de pânico etc,após deixar esse tratamento fiquei com sensações esquisitas tal e qual como descreve a Jean Massillon,ao ler isto tranquilizei muito devido encontrar algo que coincida com aquilo que sinto,alguém me pode dar mais umas dicas para que eu possa viver tranquilo obrigado.

    • admin 06/10/2014 at 18:20

      Caro Manuel,
      Fazemos votos de que continue a cuidar carinhosamente de si!
      Fique bem.
      Abraço

  2. Ana Dias Ferreira 23/03/2014 at 10:29

    Este esclarecimento, pode vir a mudar muito na minha vida.
    Sei que tenho temporariamente comportamentos destes, mas, segundo a minha psicóloga, estavam tratados.
    No entanto, por desconhecimento, não lhe falei de outros que foram agora mencionados no texto.
    Muito obrigada.
    Ana Dias Ferreira.

  3. Lion 21/03/2014 at 16:55

    Seus artigos são ótimos para estudo e análise. Obrigado pelo maravilhoso conteúdo!

    • admin 16/11/2014 at 09:50

      Obrigado!
      Abraço,
      Oficina de Psicologia

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