Perturbações de eliminação 2017-03-28T17:15:58+00:00

O QUE SÃO AS PERTURBAÇÕES DE ELIMINAÇÃO?

A Enurese e a Encoprese relacionam-se com a falta de controlo sistemático da urina ou dos esfíncteres (respetivamente), em locais inapropriados e após a idade em que seria expectável que este existisse. Manifestam-se com maior prevalência em rapazes e ambas poderão ser consideradas primária (caso a criança ainda não tenha adquirido a capacidade de controlo) ou secundária (caso já tenha chegado a controlar por um período mínimo de 6 meses). Conforme a altura do dia em que ocorrem poderão ser consideradas diurnas (mais comum na enurese) ou nocturnas (mais comum na encoprese).

 

Por não ser intencional, uma das primeiras preocupações a ter é a de não culpabilizar nem castigar a criança, sendo que ela própria é a primeira a não querer “molhar-se” ou “sujar-se” e muitas vezes a sentir-se envergonhada quando tal acontece.

COMO DIAGNOSTICAR?

Enurese

(Idade cronológica de pelo menos 5 anos)

Quando a criança faz xixi involuntariamente (na cama ou na roupa), pelo menos duas vezes por semana num mínimo de 3 meses consecutivos

 

Encoprese

(Idade cronológica de pelo menos 4 anos)

Quando a criança faz cocó involuntariamente em locais indesejáveis (na roupa ou no chão) mais de uma vez por mês, no mínimo de 3 meses consecutivos

QUAIS AS CAUSAS?

A Enurese pode surgir devido a vários factores entre os quais genéticos, hormonais ou neurofisiológicos. Também problemas do tipo orgânico relacionados com deformações ou alterações funcionais do aparelho urinário podem levar a esta problemática. Mas as causas mais comuns prendem-se com a relação entre a criança e o meio ambiente caracterizada por dificuldades relacionais, emocionais ou comportamentais nas mais diversas áreas, inadaptação a novos contextos ou mudanças significativas (nova escola, nascimento de um irmão, divórcio – são alguns exemplos).

A Encoprese pode estar associada a “prisão de ventre” e a incontinência (incapacidade de a criança conter). Muitas vezes a primeira está relacionada com factores de ordem emocional tais como (ansiedade em fazer cocó em determinado local, mudanças significativas na vida da criança); infamações na região do ânus ou alimentação pobre em fibras/ excessiva em açúcares e produtos lácteos. Também os hábitos de higiene, os cuidados tidos pelos educadores (ensinar a utilizar o bacio), as crenças acerca da evacuação transmitidas pelos familiares têm influência no modo como a criança encara esse momento. Em casos mais raros poderá estar ligada a uma doença orgânica (neurológica, metabólica, endócrina) e esporadicamente ser consequência de determinados medicamentos.

A Encoprese pode surgir associada à Enurese tendo impacto na auto-estima da criança ou na sua integração junto dos pares. Em Perturbações de Oposição, por exemplo, pode ocorrer de forma voluntária e deliberada.

SOLUÇÕES PSICOTERAPÊUTICAS

Todas as crianças são diferentes e manifestam de forma particular os seus sintomas e por isso o tratamento deverá ser ajustado às características de cada uma. É importante que haja uma avaliação médica e psicológica que determine as causas do problema, sendo que uma intervenção nestas duas áreas será normalmente suficiente para assegurar o aumento da sua capacidade de controlo e consequente desdramatização e desculpabilização. Muitas vezes é necessário recorrer também a farmacologia. Mas não basta que as crianças “deixem de ficar molhadas ou sujas”, é fundamental actuar na base do problema, compreendendo o que está a ser perturbador.

Tendo em conta as consequências fisiológicas e psicológicas destas problemáticas para a criança (evitamento de situações sociais ou criação de sentimentos de humilhação/irritação) é aconselhável que os pais, professores e educadores estejam atentos e conscientes, procurando ajuda na presença de sinais de alerta. Devem evitar partilhar os episódios com outras pessoas ou transmitir nojo/repugnância aos filhos quando estes se sujam. É importante que conversem com tranquilidade, demonstrando afecto, compreensão e segurança. E que assegurem hábitos e rotinas que não contribuam para agravar a situação, tais como: diminuição/redução de líquidos antes de ir dormir, evitar alimentos que possam prejudicar o funcionamento intestinal, levar a criança à casa de banho – em articulação, claro, com o contexto escolar.

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