Pode-se escolher ser criativo?

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Ana Sousa

Ana Sousa

Numa fase em que muitas pessoas se têm de desdobrar em múltiplas funções ou encontrar formas diferentes para mudar a situação pessoal e profissional em que se encontram, faz mais do que sentido falar em criatividade.

A criatividade pode ser definida como o processo de desenvolver novas formas de resolver problemas e encarar situações, produzindo algo que é ao mesmo tempo original e valorizado.

Existem duas fases importantes no processo de criatividade: a fase divergente que remete para um tipo de pensamento com o mesmo nome, onde se geram muitas e diferentes possíveis soluções para o problema e a fase convergente em que se analisam as várias ideias da fase divergente e se remete o foco para o que parece mais promissor enquanto solução.

Na primeira fase, o inconsciente tem um papel muito importante na produção de ideias e possíveis alternativas. Alguns estudos mostram que quando as pessoas se encontram face a um problema para o qual aparentemente não encontram solução, ir fazer uma actividade nada relacionada com isso é mais produtivo. Curioso? Sim, o cérebro mantém-se ocupado com o problema inicial e mais facilmente consegue chegar a uma ideia original. Isto ajuda-nos na medida em que aprendemos que indo fazer uma actividade que nos distraia como caminhar, jogar um jogo ou ver um filme, permite-nos desligar o pensamento consciente sobre o problema, permitindo ao inconsciente encontrar uma solução.

Outra ajuda que podemos utilizar é quando olhamos para o problema de forma diferente daquela que costumamos olhar. Esta atitude de reconceptualizar a situação é fundamental para “pensar fora da caixa” e encontrar uma boa opção para o resolver. Pensar nos vários componentes do mesmo e observá-lo de vários “ângulos” podem ser duas acções importantes e que os estudos mostram ser mais características de pessoas com um tipo de pensamento mais criativo, podendo ser treinado.

Outra das descobertas no âmbito da criatividade foi a utilidade da “distância psicológica” para o aumento das ideias criativas. Este conceito consiste em afastar-nos tanto quanto possível dos problemas para os quais precisamos de uma solução criativa. Os estudos mostram que as pessoas aumentam o número de soluções alternativas quando pensam que estão a pensar sobre a situação de um amigo, colega ou mesmo desconhecido.

As emoções e os estados emocionais têm também um papel muito importante no que diz respeito à criatividade, mostrando que os processos mais criativos se fazem num estado emocional intenso, seja ele positivo ou negativo. Promovendo estados emocionais e potenciando o nosso humor, com estados mais positivos, podemos estar a originar espaço de criatividade dentro de nós e utilizá-la para as tarefas que é necessário resolver.

Também o exercício físico tem mostrado ser um intensificador do processo criativo, assim como um potenciador de estados emocionais positivos, tornando-se um aliado poderoso.

Por fim, a diversificação de experiências, o contacto com situações e acontecimentos que não façam normalmente parte do quotidiano têm também um papel fundamental no processo criativo, uma vez que contrariam processos de habituação e activam partes do cérebro associadas à novidade promovendo flexibilidade cognitiva.

A velha citação “faz o que sempre fizeste e obterás o que sempre obtiveste” pode ajudar-nos a concluir que para obter resultados diferentes, temos de fazer coisas diferentes, sendo isto comprovado cientificamente.

Faça diferente! Pense diferente! Reinvente-se!

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