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Porque nem tudo o que luz é ouro

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Madalena Lobo

Madalena Lobo

Chegam as férias, tão ansiadas! E muitos de nós, depois de meses a pensar que nas férias é que iríamos descansar, finalmente, mergulhamos de cabeça nesse famoso descanso. E baralhamo-nos com as voltas que a vida nos troca.

Stress nas férias?

Muitas pessoas assustam-se com sintomas vários que lhes surgem nos primeiros dias de férias. São sensações de tonturas, dificuldades em dormir, batimentos cardíacos suspeitos, irritabilidade, falta de energia, picos ansiosos… E, mais do que estes sinais, o facto de se assustarem com eles, estragam-lhes uma parte das férias.

Então qual é a lógica de começarmos tempos idealizados de paz e sossego e o corpo achar por bem desassossegar-nos? Bem, andou a 1.000 à hora até àquele momento em que se atira para uma toalha de praia, não foi? Pequeno detalhe que não correu bem: o seu organismo não tem um botão on/off, por isso, desligar de repente é coisa que não vai acontecer. O que acontece é um pouco como se o organismo ficasse a pedalar no vazio. Lembra-se dos desenhos animados do coiote? Quando o coiote ficava a tentar correr em cima de uma zona vazia, antes de cair? É um pouco isso que nos acontece quando paramos de repente 11 meses de forte aceleração. Tudo no organismo se mantém a 1.000 durante uns tempos, criando um desfasamento entre o que está a acontecer internamente e o que está a acontecer externamente – nós, deitadinhos na praia, à espera que uma onda fresca apareça para nos arrefecer, que levantar dá muito trabalho.

O stress estava lá, com uma complexa reacção interna que nos preparava para lidar com as inúmeras tarefas e arrelias, mobilizando-nos para a acção, desde o mais alto neurónio na nossa cabeça até ao dedo pequenino do pé, sem que nós tivéssemos de pensar sobre o assunto, e muito menos que déssemos por isso, porque as reacções orgânicas processam-se, em larga medida, fora do plano da consciência. Quando paramos, toda essa mobilização é inútil – por exemplo, a tensão muscular que nos permite movimentar em rapidez e energicamente, ainda está lá, mas nós “espapaçámo-nos” em cima de uma espreguiçadeira. E, por isso, de súbito, começamos a senti-la. Sem o ruído de fundo das distrações de múltiplas tarefas e sem a utilidade prática de toda a adaptação que o nosso corpo teve de fazer à aceleração, subitamente, todos os sinais de adaptação ao stress do dia-a-dia, tornam-se dolorosamente evidentes. E, como o corpo é um bocadito mais lento do que nós julgamos a proceder às alterações necessárias, este fenómeno, em que o corpo está a reagir a uma velocidade grande e nós estamos já numa velocidade quase zero, mantém-se durante alguns – poucos – dias.

Se isto lhe acontecer, em primeiro lugar, não se assuste! Se mantiver a tranquilidade e recordar a si próprio que o corpo tem um tempo de ajuste, o mais provável é que o mal-estar desapareça gradualmente ao longo dos primeiros dias de férias, deixando-o em paz e sossego e livre para desfrutar ainda em pleno período de férias.

O que fazer?

A minha melhor sugestão para que este efeito não se faça sentir é entrar nas férias gradualmente. E o que é que eu quero dizer com isto? Simples: em vez de passar do 80 para o 8, num espaço de 24 horas, organize os seus primeiros dias de férias de forma a concentrar maior actividade neles e vá reduzindo a actividade devagar. Por exemplo, há sempre várias assuntos que planeámos tratar nas férias, certo? E a maioria de nós pensa “Vou primeiro descansar um bocadinho e reservo os últimos dias de férias para tratar disto”. Em vez de deixar para os últimos dias, comece por aí, reservando umas horas do dia para por em ordem a sua vida e descansando e fazendo actividades típicas das férias, na outra parte do dia. Além disso, muitos de nós temos uma divisão das férias entre um período mais activo – viajar, fazer um desporto de verão de que gostamos, estar com amigos, etc – e um período mais “dolce vita” – por exemplo, estar na praia ou no campo, sem mais nada para fazer que não seja contemplarmos o mar ou as vacas a pastar nos campos. Comece pela parte mais activa e deixe os momentos de não fazer nada para o final.

Se mesmo assim for sentindo o corpo a dar sinal de que está a pedalar no vazio, respire! Mexa-se um pouco, mesmo quando lhe parece um contra-senso (por exemplo, muitas pessoas sentem o coração como que desordenado e refreiam-se de movimento físico, por medo que lhes aconteça algo), vá mantendo actividade social e física, e vai ver que o corpo irá sossegando e permitindo-lhe as tão sonhadas férias!

Se, por qualquer motivo, no final de uns poucos de dias isso não acontecer, fale connosco, claro. Nós não fazemos férias – estamos sempre em aceleração 🙂

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