Primavera instável?

Primavera instável

Faz parte da tradição. O quê? Chegarmos à Primavera e sermos inundados de pedidos de intervenção terapêutica. E quanto mais instável for a Primavera, mais este fenómeno se faz sentir.

E porquê? Já corri a literatura científica tentando encontrar uma explicação para isto, mas não encontro os factos que possam justificar isto para além da dúvida razoável. Talvez porque o tema só seja evidente para as poucas clínicas de psicologia no mundo que têm a dimensão e experiência suficientes para se aperceberem de que existe um padrão e, portanto, o tema não seja suficientemente conhecido para motivar a investigação científica.

Portanto, resta-nos a capacidade de análise para tentar enquadrar este padrão. Ora tentemos.

 

Por um lado, sabemos que o sentir humano não é alheio às condições de luminosidade – por exemplo, a depressão sazonal está intimamente ligada ao menor número de horas de sol do pico do inverno. Mas as solicitações que surgem em maior quantidade na Primavera referem-se a ansiedade, por isso, fica a dúvida se não poderemos estar perante um caso de velocidade interna do sistema nervoso – menos horas de sol a corresponderem a uma menor activação, típica dos problemas depressivos; súbito incremento de horas de sol com arranque de velocidade e activação interna, como é marca dos problemas ansiosos.

 

Por outro lado, é na Primavera que temos o pico máximo de cansaço. As férias passadas há muito que se gastaram e as próximas férias grandes ainda vêm longe. A Primavera é assim a Quarta-feira da semana: a meio caminho entre dois momentos de sossego. Por isso, será natural que a impaciência e irritabilidade (que corresponde a sistema nervoso agitado, como na ansiedade) se tornem mais preponderantes.

 

E, finalmente, com os dias mais longos e de sol, tendemos a sair do casulo, passar de um estado de “concha” para olhar em volta e nos apercebermos das oportunidades: as perdidas, as existentes para as quais continuamos a não conseguir esticar o tempo e as que queremos mesmo encaixar nas nossas vidas. E isso corresponde a agitação e, mesmo, alguma angústia.

 

Claro que se mantém uma pergunta: porque é que quanto mais instável for a Primavera, mais este fenómeno de mal-estar humano se evidencia? Poderá haver uma correspondência entre agitação meteorológica e agitação do palpitar do nosso sistema nervoso? Mistério…

 

Mas, sendo certo que as perturbações ansiosas são, na sua maioria, progressivas, tendendo a piorar sem intervenção especializada, se andar a sentir-se agitado ou ansioso, melhor será tratar do assunto rapidamente. Ficamos aqui, deste lado, prontos para o receber.

Madalena Lobo
Madalena LoboCEO; Psicóloga Clínica e da Saúde
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2017-04-25T11:02:12+00:00 Abril 25th, 2017|Madalena Lobo, Psicoterapia|
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