Procrastinação

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Sara Guelha

Sara Guelha

Procrastinar é o comportamento de se adiar tarefas, de se transferir atividades para “o dia seguinte”, deixar de fazer algo ou até interromper o que deveria ser concluído dentro de um prazo determinado (Kerbauy, 1997).

Para a pessoa que está a procrastinar, isso resulta em ansiedade, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha em relação aos outros, por não cumprir com as suas responsabilidades e compromissos. Embora a procrastinação seja considerada normal, pode tornar-se um problema quando impede o funcionamento normal do indivíduo no seu dia-a-dia. A procrastinação crónica pode ser um sinal de dificuldades a nível psicológico.

No sentido da pessoa se consciencializar dos seus processos psicológicos pode atender aos seus comportamentos, sentimentos e pensamentos. São apresentados, de seguida, alguns exemplos de indícios e formas de procrastinação com os quais qualquer pessoa se pode identificar em algum momento da sua vida:

– Pensa que ao ignorar uma tarefa ela desaparecerá? Age de acordo com esta ideia?

– Vive para o momento? Tem uma baixa tolerância à frustração? Adia sistematicamente as tarefas, sempre que é possível e, quando não é, queixa-se dizendo que se sente pressionado pelos prazos apertados e que é incapaz de trabalhar tão bem como poderia caso tivesse mais tempo?

– Estabelece objetivos perfeccionistas e irrealistas? Receia não conseguir desempenhar tão bem quanto sonhava? Tem dificuldades em passar da fantasia à ação?

– Persiste de forma sistemática em apenas uma parte ínfima da tarefa? Escreve e volta a escrever o parágrafo introdutório de um texto, descurando o corpo e a conclusão do mesmo?

– Engana-se a si própria substituindo uma tarefa importante por outra aparentemente relevante?

– Procura constantemente agradar os outros? Sente que precisa da aprovação dos outros para ter confiança em si própria?

– Será que dramatiza o seu compromisso para com uma determinada tarefa em vez de a realizar?

– Acredita que os sucessivos pequenos atrasos são inofensivos?

– Fica paralisada a decidir entre escolhas alternativas?

– Vê-se a si próprio como irresponsável, indisciplinado e preguiçoso? Sente-se preso à teia da procrastinação e encara as suas dificuldades como parte do seu destino?

– Engana-se a si próprio afirmando que um desempenho ou uns objetivos medíocres são aceitáveis para si?

– Será que subestima o trabalho envolvido na tarefa ou sobrestima as suas capacidades e recursos?

– Será que procrastina relativamente às tentativas para mudar os seus comportamentos de procrastinação e simplesmente goza do estatuto social que essa atitude lhe confere?

– Se prestar atenção aquilo que diz a si próprio(a) encontra pensamentos deste género: “Vou esperar que tenha vontade para começar”; “Mereço celebrar hoje. A dieta começa amanhã”; “O meu problema de saúde não é muito grave. O tempo acabará por curar…”;

Podem existir diversas causas subjacentes à procrastinação, nomeadamente, ansiedade em situações sociais, má gestão do tempo, dificuldades de concentração, crenças e pensamentos disfuncionais acerca de si próprio e/ou do outro, falta de motivação, entre outros. No entanto, o primeiro passo para combater a procrastinação é consciencializar-se da mesma, e a partir daí estabeleça objetivos claros e realistas no tempo, identifique as estratégias de evitamento que utiliza, registe o seu progresso (através de tabelas, gráficos), afaste sentimentos de culpa e conheça-se melhor a si próprio, as suas competências e os seus recursos interiores para lidar com as situações mais difíceis e comprometa-se!

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